1001 LUGARES PRA SE VIVER: Palácio Yusupov

Entre 1830 até a grande ruptura socialista, em 1919, que derrubou e executou sumariamente coroa e sucessores, gloriosos e trágicos momentos de um império estão associados a esse palácio em São Petersburgo

por Bertha Maakaroun 12/06/2018 07:12

Saint-petersburg.com/Reprodução
O Palácio de Yusupov foi construído em 1760 pelo arquiteto Jean-Baptiste Vallin de la Mothe e reconstruído em 1830 por Alexandder Mikhailov (foto: Saint-petersburg.com/Reprodução)
 

Revestido em tom mostarda, o Palácio Yusupov se destaca em meio às fachadas monumentais de mansões dos séculos 18 e 19,  em que dourados e entalhados se misturam ao jogo entre luz e sombra. Revela-se no serpentear do Rio Moika, um entre os mais de 100 braços arrancados do poderoso Neva, que corta a cidade de Pedro até se lançar sobre o Golfo da Finlândia. Petrogrado, Leningrado, São Petersburgo, capital do Império Russo, foi planejada para se rivalizar em esplendor às maiores cidades europeias de seu tempo. Mas as superou. Numa fusão do barroco, rococó e classicismo com os elementos de bizâncio reeditados na cultura russa, grandes obras arquitetônicas se adaptaram às curvas do Neva e de seus afluentes, emoldurados em canais que dividem largas e extensas avenidas.


O Palácio de Yusupov foi construído em 1760 pelo arquiteto Jean-Baptiste Vallin de la Mothe e reconstruído em 1830 por Alexandder Mikhailov. Mas, por 200 anos, recebeu contribuições arquitetônicas sob a batuta de gênios russos e franceses. Entre 1830 até a grande ruptura socialista, em 1919, que derrubou e executou sumariamente coroa e sucessores, gloriosos e trágicos momentos de um império estão associados a esse palácio. Mas, talvez, nenhum deles tenha alcançado tamanha repercussão quanto aquele que se passou na noite e madrugada de 16 e 17 de dezembro de 1916: o assassinato de Grigori Rasputin (1869-1916).

Foi esse crime o ato final de uma conspiração, com a participação de nobres russos incomodados com a influência de Rasputin sobre a família imperial, entre eles o príncipe Felix Yusupov, o Grand Duke Dmitri, primo do czar, e, segundo investigações forenses conduzidas pelo aposentado da Scotland Yard Richard Cullen e o historiador Andrew Cook, a participação do britânico Secret Intelligence Bureau (SIB). A motivação para o envolvimento de ingleses no assassinato: Rasputin trabalhava pela paz entre a Rússia e a Alemanha, que, se, no contexto da Primeira Guerra Mundial se concretizasse, lançaria as tropas germânicas sobre o front Ocidental dos britânicos e aliados.
Bertha Maakaroun/EM/D.A Press
A última ceia de Rasputin nos porões do Yusupov (foto: Bertha Maakaroun/EM/D.A Press)

As cenas da última ceia de Rasputin – há diferentes versões, relatadas por Felix Yusupov, pela filha de Rasputin e por tantos historiadores – está cuidadosamente dramatizada nesse palácio, transformado em museu, em sala nos porões do palácio, onde Rasputin se preparou para o seu fim. Muito se escreveu sobre Rasputin. Charlatão, mago, curandeiro ou um “mensageiro de Deus”? Esse camponês nascido na vila de Pokrovskoye, na Sibéria, autoproclamado santo, em certo momento, a pretexto de salvar o hemofílico herdeiro do trono russo, Alexei Romanov (1904-1918), instalou-se no círculo íntimo da família imperial russa, nutrindo a promessa da cura, que salvaria o herdeiro do trono.

Figura também associada à corrupção e à “devassidão” dos costumes autorizada à nobreza, nas palavras de Alexandre Kerensky, líder do governo provisório instalado depois da queda do czar: “Sem Rasputin, não teria havido Lênin”.  Exageros à parte, é inegável que mais de 100 anos depois do seu assassinato esse personagem continua a habitar o imaginário popular de russos e do mundo. Talvez alguns entendam que tão instigante caráter tenha sido, de certa forma, abordado por Fiodor Dostoievski em sua obra Os irmãos Karamazov, escrita em 1879, por muitos, inclusive Nietzsche, considerada a maior já escrita: “O homem santo, é ele quem se apossa de sua alma.

Ao escolher o seu homem sagrado, entrega a sua vida, a sua vontade, em total submissão, em completa renúncia”. É assim que Dostoievski tece o drama e a tragédia humana: nada sobre a face da Terra obriga homens a amar os seus semelhantes. É, antes, a crença na própria imortalidade que impede que ao homem tudo seja permitido e até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre.

 

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