Stop over: no meio do caminho, uma encantadora Lisboa

No ano passado, foram quase 870 mil turistas do Brasil visitando Portugal, número recorde e que tende a crescer. Os mineiros, em especial, têm um motivo a mais para abrir as portas do Velho Continente via Portugal: de Confins, existe a opção de voar diretamente para Lisboa, onde podem permanecer por até cinco dias pelo programa da empresa aérea TAP

por Kelen Cristina 15/05/2018 07:12

 

Kelen Cristina/EM
Vista do Miradouro Senhora do Monte (foto: Kelen Cristina/EM)

 

Há um poema de Fernando Pessoa que diz que “as viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”, escreveu o poeta lisboeta. Em Portugal, essas palavras ecoam como uma volta às origens para os brasileiros, cada vez mais presentes em paragens d’além-mar.

 

Ainda que o destino final não seja Portugal, é possível fazer uma parada, não só charmosa como estratégica, pelo chamado stop over. A TAP permite que, na ida ou na volta, o passageiro permaneça de um a cinco dias em Lisboa ou Porto sem acréscimo no valor da passagem aérea. No fim das contas, acabam sendo duas viagens em uma. Além disso, o cliente TAP Stop Over tem acesso a um aplicativo, que funciona on e off-line, no qual recebe um menu de passeios (alguns gratuitos, outros com cobrança à parte), acessa mapas e confere sugestões gastronômicas e de locais para compras, entre outras.

 

Na capital portuguesa, em especial, há opções para todo tipo de gosto e tempo. É possível fazer um roteiro mais otimizado, contemplando as principais atrações em um dia, ou se programar para cinco dias intensos e variados, tanto pelas ladeiras quanto pelos arredores lisboetas (veja sugestão a seguir).


Confira sugestões a respeito de como aproveitar o stop over de até cinco dias e saborear tudo o que Lisboa tem a oferecer. Ficando na seara da poesia que abriu esta matéria, é como se o mineiro Carlos Drummond de Andrade recomendasse aos seus conterrâneos: “No meio do caminho tem uma Lisboa. Tem uma Lisboa no meio do caminho”.

UM DIA

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Arco da Rua Augusta, na Praça do Comércio, na região histórica (foto: Kelen Cristina/EM)

Concentre-se na região histórica, entre o Chiado (bairro do tradicional café A Brasileira, onde 10 de cada 10 brasileiros param para tirar foto com a estátua de Fernando Pessoa) e a Baixa – onde estão as praças dos Restauradores, da Figueira, do Rossio e do Comércio, além dos elevadores de Santa Justa e da Glória. Do Terreiro do Paço, pegue o Elétrico 15E em direção a Belém, onde vai encontrar os cartões-postais de Lisboa: a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerónimos e o tradicional Pastel de Belém, que vende o mais conhecido pastel de nata do mundo.

 

Se preferir conforto e agilidade, uma boa opção é o tuk-tuk (oferecido no app do TAP Stop over), que comporta até seis pessoas. No verão, são quase 500 rodando por Lisboa. O passeio convencional dura 1h30 e o turista escolhe uma entre três áreas da cidade, sendo que é possível negociar um valor para o dia inteiro e fazer um combinado dos principais pontos turísticos. Há um roteiro que atende a região de Belém, outro da Lisboa burguesa, que é a parte mais renascentista (do Chiado, da Baixa e da Estrela), e o da Lisboa antiga – que reúne os bairros de Alfama (onde nasceu o fado), Graça (Castelo de São Jorge) e São Vicente, local da tradicional Feira da Ladra (que ganhou este nome porque, nos primórdios, eram vendidos produtos provenientes de roubo, o que a polícia lisboeta garante que não ocorre mais) e do Panteão Nacional, belíssima construção onde estão os restos mortais do craque Eusébio e a sepultura de uma das mais importantes fadistas portuguesas, Amália Rodrigues.

DOIS DIAS

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Praça Marquês de Pombal é ponto de partida para o Freeport Outlet, em Alcochete (foto: Kelen Cristina/EM)

O segundo dia pode começar com uma caminhada pela Lisboa antiga. A primeira parada é o Museu do Fado. Em frente, entre em um dos becos de Alfama e chegará a pequenas lojinhas que vendem artesanato e, por 1,50 euro, a Ginjinha em copinho de chocolate. De lá, vá até a Igreja de Santo Antônio – sim, o casamenteiro, cujos restos mortais estão em Pádua, na Itália, onde ele passou os últimos anos de vida. A igreja em Lisboa foi erguida onde estava a casa em que Fernando Bulhões, o santo, nasceu e morou. No subsolo está o quarto dele, que ficou intacto depois do grande terremoto seguido de maremoto que destruiu Lisboa, em 1755, e foi visitado até pelo Papa João Paulo II. A poucos metros de lá, a Sé Catedral de Lisboa, um dos símbolos nacionais. À tarde, a pedida é uma visita à Casa Museu José Maria da Fonseca (em Azeitão, a cerca de 30 quilômetros de Lisboa), fabricante do Periquita, o mais antigo e mais exportado vinho de Portugal e que é também o vinho europeu mais consumido no Brasil. Fazem parte do tour uma saborosa degustação e um passeio pela história – é possível ver, por exemplo, a primeira máquina de engarrafar vinhos de Portugal. Ela foi comprada na França, em 1850, e atendia a 240 garrafas por hora, grande inovação na época. Hoje, são engarrafadas 30 mil unidades por hora.

 

TRÊS DIAS
É possível conhecer Lisboa também a partir dos miradouros, pontos dos quais se tem uma vista privilegiada da cidade. Vale um roteiro particular para ver a capital portuguesa de cima e em diferentes horas do dia, com o Rio Tejo de pano de fundo. Os mais disputados são o da Graça, do Torel, da Senhora do Monte, da Porta do Sol e de São Pedro de Alcântara.

QUATRO DIAS

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Modelo de tuk-tuk estilizado que circula pelos principais pontos turísticos (foto: Kelen Cristina/EM)

Depois de percorrer todos os lados de Lisboa, vale, numa tacada só, visitar as encantadoras Estoril, Cascais e Sintra – as duas últimas cidades, especialmente, merecem pelo menos duas horas cada uma. Na segunda, não deixe de experimentar in loco uma das delícias de Portugal, os “travesseiros de Sintra” (o mais tradicional é o da padaria Piriquita), e de ir até o belo Palácio da Pena. O passeio pode ser reservado via app da TAP Stop Over ou combinado com taxistas de Lisboa, que ficam por conta do turista.

CINCO DIAS
Lisboa tem muita história, mas também é muito sedutora para quem gosta de compras. Terminada a parte turística, então vamos a elas. A Rua Augusta, na Baixa, reúne lojas de apelo popular como Zara, H&M, Mango, Adidas... Na Avenida Liberdade, as grifes: Louis Vuitton, Burberry, Armani, Hugo Boss, Prada, Gucci, Versace, Cartier... O Centro Comercial Colombo, na parada do metrô (que é superfácil de usar) Colégio Militar, além de muito bem servido, é vizinho ao estádio do Benfica, uma grande sacada para quem gosta de futebol. Agora, se a ordem é economizar, vale uma esticada ao Freeport Outlet, em Alcochete, a pouco mais de 30 quilômetros de Lisboa. São mais de 150 marcas, para todos os bolsos e estilos. Um shuttle a 10 euros sai da Praça Marquês de Pombal duas vezes ao dia.

Receitas cada vez maiores com o turismo
Números do governo português mostram que apenas Reino Unido, Alemanha, Espanha e França mandaram mais turistas a Portugal em 2017 que o Brasil. No total, o país recebeu 20,6 milhões de visitantes do mundo todo no ano passado, recorde histórico. O crescente fascínio pelas cidades lusas impacta na economia: o turismo já representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB), alavancado pelo cuidado cada vez maior com o patrimônio e renascimento comercial pós-crise europeia.

O futuro é agora
Mais um voo para Lisboa
A partir do fim deste mês, Confins ganhará mais um voo diário da TAP para Portugal. A frequência, que atualmente é de seis por semana, passará a ser de sete. A ideia da companhia, para o futuro, é de incorporar um segundo voo por dia saindo do aeroporto mineiro.

* A jornalista viajou a convite da TAP

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