Principado de Mônaco, reduto de luxo e glamour, adota ações sustentáveis para atrair mais turistas

O país, que quer se tornar referência em destino verde não somente para a Europa, tem apenas dois quilômetros quadrados e 38 mil habitantes. Mônaco recebe o mesmo tanto de turistas que o Brasil

por Carlos Altman 26/04/2018 13:51

Carlos Altman/EM
O Principado quer se tornar referência de turismo ecológico para toda a Europa (foto: Carlos Altman/EM)
 

Quando se pensa em viajar para Monte Carlo, quatro palavras traduzem o jeito de viver da  charmosa cidade do Principado de Mônaco: glamour, luxo, arte e Mediterrâneo. Não é por acaso que a primeira dessas palavras sempre esteve associada ao país localizado na Cote d’Azur. Reduto dos milionários e da realeza, o segundo menor país do mundo, atrás apenas do Vaticano, é puro charme. Sem deixar de lado o status de requinte conquistado desde a época do casamento da atriz Grace Kelly com o príncipe Rainier III, Mônaco decidiu investir em um novo glamour – o da sustentabilidade. A meta daqui pra frente é adotar uma filosofia responsável e atitude positiva no mundo. Com isso, a inclusão de práticas que respeitam o meio ambiente passam a ser um chamariz para atrair mais turistas. O país que quer se tornar referência em destino verde não somente para a Europa tem apenas dois quilômetros quadrados e 38 mil habitantes. Mônaco recebe o mesmo tanto de turistas que o Brasil .


Corinne Kiabski, do Turismo de Mônaco esteve no Brasil para "verder" a nova imagem do país
Na semana passada, a diretora de comunicação do escritório de turismo de Mônaco, Corinne Kiabski, esteve em Belo Horizonte para apresentar, aos agentes de viagens da capital mineira, o novo “mantra” de turismo verde do Principado. “ A preocupação com a sustentabilidade não é de agora. Desde a década de 1980, o príncipe Alberto II está envolvido com esta causa e com o turismo responsável. Estamos de olho na ‘geração millenium’, formada por jovens preocupados com meio ambiente. Esta é uma oportunidade de saber conversar com esses jovens preocupados com o futuro do planeta e atraí-los para cá ”, afirma a diretora.

F-1 elétrica

 

Monte Carlo é muito mais que o cassino luxuoso, a corrida da F-1 e o reduto dos bilionários. De acordo com Corinne, a realeza quer “vender” uma nova imagem do país. “O futuro do luxo é a sustentabilidade. Tanto que, com este slogan, na verdade esta é a mensagem que estamos aqui divulgando: Green is a new Glam ( Verde é o novo glamour) Queremos ser exemplo não apenas aqui na Europa. Hoje, a cidade investe em veículos públicos e de aluguéis elétricos. A energia limpa também pode ser encontrada em bicicletas compartilhadas e, também, em barcos que fazem passeio pela região. O investimento em energia solar cresce a cada ano – tanto que vários prédios públicos e particulares utilizam placas receptoras solares tanto para geração de energia quanto para aquecimento dos edifícios.

Carlos Altman/EM
O mais famoso circuito de rua da F-1 já tem uma versão com carros elétricos (foto: Carlos Altman/EM)

O piloto brasileiro Ayrton Sena era conhecido como Rei de Mônaco por conta dos vários títulos conquistados no circuiro urbano do Principado. A famosa competição esportiva, que há anos faz parte do calendário turístico do local, ganhou no ano passado uma versão com carros elétricos. “A cada dois anos teremos esta competição verde, sempre, duas semanas antes da corrida tradicional”, afirma Corine.

Gastronomia orgânica

 

Em relação à alimentação saudável, a gastronomia utilizando produtos orgânicos ganha força nos restaurantes e entre os moradores do Principado. “O assunto ganhou até reconhecimento do príncipe Albert II. Há quatro anos, a empreendedora Jessica Sbaraglia criou a startup Terre de Monaco. Ela teve a ideia de criar um oásis verde nos tetos, sacadas e terraços dos imóveis do Principado. A empreendedora cuida e mantém hortas específicas para áreas pequenas de acordo com as nessecidades dos clientes. O serviço é oferecido tanto para pessoas físicas quanto hotéis, restaurantes e outras organizações”, observa Corinne e acrescenta: “Queremos incentivar essa gastronomia e atrair amantes da alimentação sem uso de agrotóxicos ou conservantes. A horta orgânica, no próprio restaurante, é garantia de o cliente consumir um alimento saudável”, finaliza.

Carlos Altman/EM
Anualmemte, os iates ancorados no Port Fontvieille passam por rigorosa inspeção (foto: Carlos Altman/EM)