1001 LUGARES PRA SE VIVER: Kremlin de Pskov, na Rússia

Em pedra, o Kremlin de Pskov, que entre os séculos 11 e 17 experimentou ampliações e novas fortificações, está fincado no coração do centro histórico, conformando-se no desenho de um triângulo. Acolhe não apenas a Trinity Cathedral, mas residências de mercadores e instituições administrativas, como o chamado Writ Chamber, que, um dia, fizeram a história dessa antiga República medieval independente

por Bertha Maakaroun 03/04/2018 16:17
Bertha Maakaroun/EM
(foto: Bertha Maakaroun/EM)
 
Negras e dourada, cinco são as cúpulas que se elevam sobre a fortaleza, envolvida pelas plácidas correntes dos  rios Velikaya e de seu braço, o rio Pskova. Coroam em capacetes de alongadas pontas em cruz  a Trinity Cathedral. Em seus 72 metros, a estrutura alva e ereta, reconstruída pela quarta e última vez em 1699, domina, como numa pintura bucólica imersa entre cursos d´água e parques, todo o panorama da medieval Pskov, que integra o Anel de Prata de São Petersburgo.  
 
Ao lado de Veliky Novgorod, no século 14, Pskov teve  vivência incipiente de democracia, elegendo e controlando os seus príncipes. As duas repúblicas integraram a Liga Hanseática, que está na origem da formação do Estado Prussiano, construindo a ponte desses principados, mais tarde unificados no estado da  Rússia, e a Europa.
 
Pela primeira vez mencionada na crônica de 903 d.C,  a história de Pskov está marcada pelo casamento do então príncipe da cidade com uma mulher da região politicamente perspicaz chamada Olga, mais tarde Santa Olga, santificada pela Igreja Ortodoxa por seu papel na adoção, em 988, do cristianismo como religião oficial durante o reinado de seu neto, o Príncipe  de Kiev Vladimir, que entrou para a história como Vladimir o Grande (958-1015).
 
Encravada à fronteira da Estônia e da Letônia, os muros desse Kremlin – em diversas pontos ainda intactos – assim como as suas torres defensivas, foram ao longo de séculos, obstáculo às invasões de poloneses, suecos e germânicos contra o Principado de Kiev, o Principado de Moscou  e ao Império Russo, somando participação em mais de sete séculos de guerras pelo controle do litoral  Báltico.
Em 1241 Pskov foi ocupada pelos Cavaleiros Teutônicos e libertada meses depois por Alexander Nevsky (1221-1263) durante os conflitos entre ortodoxos e católicos que marcaram a época a quem é atribuído o lema:   “Aquele que vier até a Rússia com a espada, pela espada perecerá”. No século 16,  Pskov e região perderam definitivamente a sua independência e foram submetidas ao poder de Moscou, em decorrência da centralização do Estado Russo, com a ascensão de Ivan III e posteriormente, de seu neto,  Ivan, o Temível, ou o Terrível ( o adjetivo depende da perspectiva política e geopolítica da época). E é nesse contexto em que Pskov vai combater pela espada os poloneses e lituanos, que no contexto da Guerra da Livônia (1558-1583) formaram em 1581 um brutal cerco à cidade. Pskov foi também ocupada por alemães e estonianos, os primeiros depois do Tratado Brest Litovsk (1918) e  os segundos por um breve período durante a sua de Guerra de Independência em 1919. Alemães voltaram a atacar e ocupar duramente  Pskov na Segunda Guerra Mundial. 
 
Em sua obra Guerra e Paz, Leon Tostói diz que Napoleão, em crítica ao imperador russo Alexandre I (1801-1825) , que o combatia na invasão francesa, teria assinalado: “Um soberano jamais deveria estar no Exército, a menos que fosse general”. E embora tenha sido derrotado em 1812, a lição de Napoleão, talvez, tivesse sido útil ao último imperador russo, Nicolau II. Foi ali, na estação de trem de Pskov, quando retornava do quartel general em Mogilev, na Bielorússia que há cem anos, Nicolau II, enfraquecido por guerras sucessivas com o Japão e contra a Alemanha,  recebia de seus generais o telegrama em que era aconselhado a abdicar: “.. Não há nenhum meio de interromper a revolução na capital”. Ali abdicou. Foi o marco temporal da primeira fase da Revolução Russa de 1917.
 
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