Pirapora: embarque nos prazeres das águas do Rio São Francisco neste fim de semana

O turismo gastronômico local vem ganhando evidência com receitas elaboradas à base de frutos do cerrado e peixes do rio famoso

por Paulo Pianetti* 15/12/2017 14:30

Alexandre Guzanshe/EM
O Benjamim Guimarães, que deverá passar por reforma, funciona como museu e mostra a história do barco a vapor (foto: Alexandre Guzanshe/EM)
“Sou caipira pirapora nossa Senhora de Aparecida...”. A canção Romaria, que busca trazer um olhar mais generoso das músicas e tradições caipiras, não faz referência à cidade mineira, mas seu refrão cita o nome Pirapora. A 347 quilômetros ao Norte de Belo Horizonte, o distrito de Pirapora foi criado em 1847 e, durante o ciclo da mineração, tinha a navegação como ponto mais forte, uma vez que o Rio São Franscisco foi, por muito tempo, o principal canal de transporte para o abastecimento da região das minas.

Porém, a cidade não vive apenas do rio. Segundo a Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur), a cidade recebe aproximadamente 400 mil visitantes por ano, que também encontram como fontes de entretenimento cachoeiras, trilhas, artesanatos locais e turismo religioso. Ingredientes suficientes para fazer com que a família tire o carro da garagem e vá desfrutar um fim de semana maravilhoso no Norte de Minas Gerais.

Euler Junior/EM
Os peixes do Rio São Francisco são o forte da gastronomia na cidade mineira (foto: Euler Junior/EM)

Entre as pessoas mais vividas, Pirapora é conhecida pela sua excelente gastronomia. Como o Rio São Franscisco sempre foi ponto importante e referência na cidade, a pesca é uma prática bastante comum por ali, o que torna as ofertas bem diversificadas. Porém, nos dias atuais, a gastronomia vem sofrendo com a seca que atinge Pirapora, reduzindo drasticamente o volume do Velho Chico.

MUSEU E não é só a gastronomia que sofre com isso. Além dos danos ambientais, navegar pelo rio a bordo do Benjamin Guimarães, único barco a vapor em funcionamento no mundo, não tem sido mais possível. Construído em 1913, nos Estados Unidos, o Benjamin Guimarães é um dos mais valiosos atrativos turísticos que tem o estado de Minas Gerais. Ele costumava fazer frequentes passeios pelo rio. O percurso, de 28 quilômetros, era repleto de paisagens bucólicas, emolduradas por comunidades ribeirinhas e pescadores em plena atividade.

Porém, além da seca que está impossibilitando navegar, a embarcação está precisando de reformas no casco e nas partes laterais, como informou Geraldo Cardoso, guarda municipal da cidade. Mas os turistas ainda podem subir a bordo da embarcação, que virou museu, o Museu São Francisco. Além de conhecer o barco, o visitante encontra algumas peças que simulam o seu funcionamento, de forma a contextualizar a história do barco a vapor.
Paulo Filgueiras/EM
Ponte Marechal Hermes, de 1922, liga Pirapora a Buritizeiro, deverá ser reformada (foto: Paulo Filgueiras/EM)

Quem se interessar pela história, também pode aproveitar a viagem para conhecer a primeira ponte metálica do Brasil, a Ponte Marechal Hermes, inaugurada em 1922, para transportar minério e que liga Pirapora à cidade de Buritizeiro, na outra margem do rio. Temporariamente, está sendo possível atravessá-la a pé ou de bicicleta, pelo menos até ser reformada, segundo a prefeitura.

Como um município antigo, Pirapora também tem suas festas típicas regionais. O Encontro Nacional de Motociclistas, a Feira de Agronegócios e o Expociapi são exemplos que movimentam a cidade. O primeiro evento ocorre, geralmente, entre maio e junho, reunindo motociclistas de todas as partes do Brasil.

O segundo foi realizado pela primeira vez em 2012 e, desde então, vem ocorrendo todos os anos, no Parque de Exposição de Pirapora. O objetivo é apresentar novas tendências no setor primário e tecnologias a serem utilizadas nas máquinas. Por fim, a Expociapi reúne empresários que apresentam propostas para melhorar o comércio local. O evento conta com desfile de moda, gastronomia típica de Pirapora e feiras de artesanato. A cidade fica muito movimentada também no carnaval, quando bandas arrastam foliões pelas ruas, fazendo uma das melhores folias da região.

CARRANCAS Falando nas feiras de artesanato, aqui vai mais uma dica imperdível: não deixe de visitar a Casa do Artesão, que fica no Bairro Santos Dumont. Lá os artistas entalham, na hora, as tradicionais carrancas, figuras coloridas e feitas de madeira. Antigamente, eram usadas na proa dos navios para afastar maus espíritos, segundo a crença. Hoje servem como enfeites para as residências. Andando pela cidade é possível ver muitas delas nas portas de casas ou restaurantes.


* Estagiário sob a supervisão da subeditora Elizabeth Colares

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