Moderninha e agitada, católica e não santa, descubra o lado B de Buenos Aires

Muito além do tango de Gardel e Piazzolla, do Futebol de Maradona ou Messi, e da eterna Evita Perón, a capital da Argentina mostra um lado escondido que muitos turistas desconhecem. A cidade foge do ranço clássico sem perder o que ela tem de melhor - glamour

por Carlos Altman 21/11/2017 07:00

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Quando a noite cai, o Obelisco na Avenida 9 de julho é ponto de encontro de turistas e de uma galera moderna (foto: Carlos Altman/EM)

Desavergonhada e remixada, alternativa e abusada,pretensiosa e destemida, Buenos Aires se desponta na América Latina como um paraíso da gastronomia, da arquitetura e do design. Uma mudança tão radical que provoca um estranhamento em quem a visitou no passado. A cidade dita a moda e os jovens de lá copiam a tendência new-dark-emo-punk que espalham pelo globo. Antenado ou não no que é pop, caia na gandaia na noite portenha. Permita-se conhecer os inferninhos da noite em San Telmo e descubra a gastronomia exótica e sofisticada inventada nos restaurantes do Puerto Madero. Se pintar aquela vontade de se esbaldar na famosa picanha Argentina, basta olhar para o lado. Vai encontrar a iguaria em cada restaurante de esquina. Delicie-se com os novos sabores, aromas e temperos. Descubra bairro a bairro – La Boca, San Telmo, Centro, Retiro, Recoleta e Palermo – o que esta cidade tem de mais sagrado e profano. Você pode se surpreender.
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Mais cor por favor: Visitantes ficam apaixonados com o 'caminito' (foto: Carlos Altman/EM)

Falta dinheiro, isso falta, mas e daí... o povo lá se vira numa boa. A ordem do dia é vestir a nova roupagem de "muderno" e atrair mais turistas. Os hermanos brasileiros são figurinha certa na cidade. Ainda mais com a nossa moeda valorizada frente ao peso argentino. E olha que, mesmo com a crise, Buenos Aires é tudo de bom. Outros ares para marcar uma nova fase, a capital argentina quer ver muitos dólares, euros e reais entrando na conta bancária. E a gente constata isso por toda a cidade. O bom é que tudo na cidade continua muito barato. Os jantares chiques custam pouco mais que R$ 50 – para duas pessoas, claro! Mas para conhecer mesmo a cidade é preciso gastar sola de sapato. Melhor ainda, você vai ter uma boa desculpa para comprar aquele tênis de marca por um preço bem mais em conta.

 

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A região do bairro Retiro é o coração financeiro da capital da Argentina (foto: Carlos Altman/EM)

Se não quer exercitar na capital da Argentina, porque está de férias, basta chamar um táxi ou um motorista por aplicativo. Ou, se preferir, subir num daqueles ônibus turísticos de dois andares e explorar toda a cidade. Pegamos um táxi de Palermo a Recoleta, dois bairros pra lá de alternativos de Buenos Aires, e, no trajeto, a gente constata que a cidade está mesmo mudada. Depois de falar de Maradona e criticar a Seleção Argentina de futebol, o taxista Hernandes Ferrano, na casa dos seus 45 anos, coloca para tocar no som do carro uma música que eu nunca ouvi. Pergunto a ele de quem se trata e ele avisa: é uma banda que faz o maior sucesso aqui na Argentina. Ela se chama Los Alamos – uma banda de rock que foi indicada pela revista Rolling Stone como a banda revelação de 2005. Adorei a novidade e perguntei onde conseguiria comprar um CD da banda. E não é que ele saca do porta-luvas um CD com músicas da banda, baixadas na internet, e me vende por 10 pesos? Continuo a conversa para saber se ele ouve tango. Nesta hora, vejo que o mundo acabou e esqueceram de avisar para os argentinos. “Tango? Nem pensar! Ninguém aguenta ouvir aquelas músicas chorosas. A gente precisa é ouvir boa música e com gente jovem.” Saí do táxi com uma dúvida: é sinal dos tempos ou Buenos Aires avançou 20 anos rumo ao futuro?

 

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Carnuda, suculenta e saborosa. Impossível resistir ao sabor de uma picanha Argentina (foto: Carlos Altman/EM)
 


E diante de tanta novidade, quem sai ganhando é aquele turista que curte baladas, agitos, arquitetura moderna, designer inovador numa cidade de consumo. Adiós, Miami! Adiós, Tóquio! Adiós, Paris! Buenos Aires é o new fashion. Já que o melhor da cidade é escondido pelas agências de turismo, então faça você mesmo a sua viagem. Buenos Aires é para ser conhecida de quinta-feira a segunda, no mínimo. Durante a semana, a cidade tem a cara de Belo Horizonte. Barulhenta, irritante e sem graça. Mas, no fim de semana, é pura badalação.

Antes de desvendar bairro a bairro, nada melhor que um roteiro fast para guardar na memória. Ao chegar na cidade na quinta-feira pela manhã, corra para o Bairro La Boca. Visite o Estádio La Bobonera, vasculhe o Centro de Artesanato do bairro e voe para o Centro da cidade. Na Praça da Casa Rosada – o palácio do governo – manifeste com as Mães de Mayo. No dia seguinte, esbalde-se nas compras da Rua Florida e adjacências. À tarde, perca-se dentro do cemitério do Bairro Recoleta e siga o fluxo dos turistas até o túmulo de Evita. Só não pode é ficar decepcionado com o que vai ver: o túmulo é bem pequeno

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Não chore por mim Argentina - túmulo de Evita Perón é o mais visitado no Cemitério da Recoleta (foto: Carlos Altman/EM)

Sábado é dia de se deslumbrar pelas ruas de Palermo. É cair na tentação e comprar tudo aquilo que você não precisa. E no domingo, com a ajuda de Deus, reserve o dia que era para o descanso para curtir a feira do Bairro San Telmo. Você corre o risco de não querer sair de lá nunca mais. Garanto que sua tentação vai ser encher a mala de quinquilharia, tranqueira e objetos antigos. Tudo isso durante o dia, pois, à noite, esqueça esta ordem e descubra que existe uma outra Buenos Aires. No acender das luzes dos postes, a cidade se modifica. Saem os carros frenéticos e entra em cena o burburinho dos cafés e bares. Na madrugada, o pecado mora ao lado. Ficar no hotel, apart ou em casa é perder de vista os delírios de uma cidade que beira a loucura de tão cosmopolita que é. E tudo isso sem violência, sem drogas e preconceito. Bem, preparado para as emoções fortes? Então, bem-vindo ao paraíso ou inferno. Você é quem escolhe.

 

 

 

La BOCA: As cores do mundo

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As paredes e telhados de zinco das casas do Bairro La Boca exploram todas as cores (foto: Carlos Altman/EM)

No city tour que leva aos principais pontos da cidade, você corre o risco de não ver o que La Boca tem de melhor. A correria dos agentes em mostrar quase a cidade inteira em três horas é desesperador. Então, já sabe, esqueça os guias e faça sua própria viagem. La Boca tem uma história muito charmosa. Bairro portuário que lembra a Itália, lugar dos primeiros habitantes genoveses (de 1880 até 1930) e do primeiro porto da cidade. Aqui está a tradicional ruela de La Boca – O Caminito (1959) – lugar que inspirou o tango homônimo, é uma passagem cheia de nostalgia do tango. O Caminito com cara de cortiço ganhou música de tango, e histórias é que não faltam sobre o lugar. Foi lá que nasceu o tango – uma dança sedutora e envolvente e proibida para as moças de fino trato nos anos 20. Preconceito à parte, o tango antes dançado somente pelas prostitutas, e depois por casais menos conservadores, hoje virou hit para os bares gays da região. Aquela imagem clássica de Buenos Aires ficou no passado.

Na construção da cidade e do porto de Buenos Aires, com seus diques e pontes, uma quantidade extra de mão de obra barata, quase escrava, veio lá da Itália para as obras. Ganhando o pão que o diabo amassou, esses estrangeiros construíram suas casas utilizando madeira e folhas de zinco. Usavam os restos de tintas doadas pelos navios que lá aportavam e aí surgiram as casas com um mosaico de cores. O bairro conserva até hoje suas genuínas construções ou casinhas, de chapas ou madeiras pintadas com tonalidades vivas, dando um colorido todo especial para o bairro e tornando-o um museu ao ar livre

Mas outro encanto está no estilo e nas cores do lugar. São a herança de uma época em que a necessidade transformou a sucata portuária em design. Aqui também é o endereço do Estádio de La Bambonera, sede do Clube de Futebol Boca Juniors, o mais popular time da Argentina (1940).

 


Um centro de histórias e memórias

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Poder, traição, dor e glórias na Casa Rosada - o imponente prédio do governo Argentino (foto: Carlos Altman/EM)

A Praça de Mayo testemunhou os fatos mais importantes da história argentina e foi palco da revolução de maio de 1810. No centro da praça vê-se a Pirâmide de Mayo (1811), que foi o primeiro monumento construído na cidade, em comemoração à independência. É nessa praça, também, que todas as quintas-feiras, na parte da tarde, se reúnem as Mães de Maio num protesto silencioso contra o desaparecimento de seus filhos. Hoje, elas são símbolos de denúncia e resistência. Querem de volta os filhos "roubados" durante a ditadura e, para tanto, unem-se a favor de outras causas, seja contra o aumento dos tributos na agricultura ou a favor de movimentos que pregam a liberdade de expressão. O olhar distante dessas mães não vive sem a esperança. O lenço branco na cabeça e a bandeira da Argentina no peito as tornam ícones de um país em conflito com o seu passado. Lá estão concentradas muitas das construções importantes de Buenos Aires: o Cabildo, a Catedral Metropolitana e a Casa Rosada. Esta, um belíssimo palácio cor-de-rosa, que data de finais do século 19, é a sede do governo argentino.

A Corrientes, tradicional avenida portenha, é o endereço das livrarias, cinemas, teatros e casas noturnas, e também é uma das avenidas que levam diretamente ao Obelisco. Um dos símbolos da cidade, com 68m de altura, foi construído para comemorar os 400 anos da chegada dos espanhóis na área do Rio da Prata. Tal obra está localizada no cruzamento da Avenida Corrientes com a avenida mais larga do mundo – a 9 de Julho –, com 140 metros de largura e 10 pistas.

Palermo – muito além do óbvio

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Plaza Serrano ou Cortázar, em Palermo, é o ponto de encontro aos sábados (foto: Carlos Altman/EM)

Palermo é talvez o bairro de classe média mais cool de Buenos Aires. Ele se divide em Palermo Viejo, Palermo Soho, Palermo Hollywood, Palermo Parque e Palermo Chico. São centenas de ruas e um enorme parque, que concentra os bosques de Palermo. Mas, o the best mesmo é o Palermo Soho. Ele fica em uma área que se estende entre a Avenida Santa Fé e a Rua Córdoba. Lá reúne lojas e espaços com projetos diferenciados que mesclam moda, design, arte, gastronomia, bares, cafés e hotéis design. Daí a cópia do nome do bairro nova-iorquino do Soho, ambiente efervescente da arte, do lado boêmio, descolado, antenado, hipster, contemporâneo e alternativo chique.

O coração do bairro é uma pequena praça, Plaza Serrano como é conhecida ou Plaza Cortazar como é formalmente denominada. É nesse local, aos sábados, que o bairro pulsa com força sua denominação cosmopolita. Trata-se de uma praça até feia, com pouco verde e com um simples parque infantil com grades em volta. Mas rodeado de pizza-bares que ficam lotados todas as noites. Durante o dia, os mesmos bares cedem espaço para as lojas improvisadas e é onde que se encontra tudo o que é de vanguarda. Óculos by China, bolsas ecléticas e exclusivas, roupas coloridas, papelaria de outro mundo e objetos de design assinados por artistas. Tem também bijuterias hi-tech, artigos de luxo que lembram brinquedinhos de sex-shop e tudo o que você nem pensa em imaginar. Palermo Soho é um conjunto de quase 100 quarteirões onde predomina a arquitetura de estilo espanhol que combina muito bem com os novos e contemporâneos projetos de designers e arquitetos jovens. O que marca as ruas e fachadas é o mix de casas simples e pequenas lojas com fachadas e projetos comerciais arrojados e de bom gosto.

As calles Honduras, El Salvador, Gurruchaga, Guatemala, Costa Rica e Nicarágua, entre outras, são as que concentram o maior número de lojas, restaurantes e bares-butiques da região. Tudo tem conceito e busca ser único e diferenciado.

Mesmo sendo retrô, Palermo Soho é muito mais moderno por ser uma região conceitual e fortemente jovem e dinâmica. O bairro respira forte à noite. Sua pegada boêmia inspira os jovens de classe média alta e muitos turistas. À noite, os restaurantes acendem suas luzes, muita cor, fachadas envolventes e gente bonita parada nas esquinas e caminhando pelas ruas. Alguns quarteirões parecem pobres e abandonados, com calçadas esburacadas e fachadas cinzas, mas logo adiante espaços-butiques refinados ocupam as mesmas casas baixas e sobrados, onde se veem muitos poucos prédios residenciais.


Recoleta – Até a morte é chique

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Cemitério da Recoleta surpreende pelas belas esculturas de anjos (foto: Carlos Altman/EM)

A Recoleta é o bairro mais mixed de Buenos Aires – reduto da antiga aristocracia portenha e berço de um dos maiores centros de design do país. Elegância e sofisticação de vanguarda se unem em seus museus, galerias, cafés e butiques, fazendo da Recoleta um passeio sensorial. Mas curtir o bairro é percorrer os corredores do cemitério e desvendar dentro das tumbas-capelas a arte que se esconde no local. São vitrais belíssimos, esculturas em bronze e mármore. Um dos mais bonitos e mais visitados do mundo. Suas tumbas guardam os restos de famílias tradicionais argentinas, além de grandes personagens históricos. Os caixões empilhados resistem ao tempo e alguns ambientes são verdadeiras obras de arte e de adoração. E por falar em adoração, Evita Perón, apesar de protestos por suas origens humildes, conseguiu ser enterrada lá e hoje repousa na cripta da família Duarte. A tumba é modesta, que dá até raiva em quem se perde pelo labirinto e dá de cara com uma capela de mármore escuro e sem graça. Mas mesmo assim ela é muitíssimo procurada. Os guardas podem dar indicações sobre como encontrá-la ou se preferir, siga o fluxo.

Bem perto do cemitério fica o famoso Buenos Aires Design (Pueyrredón 2501). Primeiro centro comercial latino-americano voltado exclusivamente para a arquitetura, design e decoração. No terraço está o Paseo del Pilar, repleto de restaurantes com mesinhas externas e com uma bela vista para a Plaza Francia. E é justamente nessa praça que é possível apreciar dezenas de jovens sentados na grama. Namorando ou deixando a vida passar. Vale a pena visitar a feirinha que funciona às sextas-feiras, das 11h às 18h. É possível encontrar peças em prata, cerâmica, couro e artesanatos, além de presenciar shows de artistas de rua. Bastante frequentada por turistas, é um lugar ideal para ver e ser visto.

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Floralis Generica, a flor gigante que desponta na paisagem no Bairro da Recoleta (foto: Carlos Altman/EM)

Do outro lado da Avenida Figueroa Alcorta fica a Praça Las Naciones Unidas. Diante de tudo o que é belo que você já viu nada se compara à Floralis Generica – uma gigantesca escultura em forma de flor, construída inteiramente em aço e alumínio. Doada à cidade pelo arquiteto Eduardo Catalano. Graças a um sofisticado sistema, as "pétalas" ficam mais abertas durante o dia e vão se fechando à medida que vai anoitecendo. Uma reinvenção da natureza! Preparem as máquinas!


San Telmo – Do jazz ao tango num pulo

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San Telmo é vintage. O casal de dançarinos de Tango mostra vitalidade e encantamento (foto: Carlos Altman/EM)

Antigo bairro boêmio, aos domingos San Telmo abriga sua famosa feira de antiguidades, com muito tango nas ruas. É o bairro eleito por artistas e intelectuais, sede de importantes antiquários e galerias de arte. Marque na sua agenda: domingo (e só!) é dia de ir ao Mercado de San Telmo e ver sua feirinha. Não precisa comprar nada, mas vá, dê uma volta entre as barracas, coma e beba por lá. Por ser ponto de concentração turística, artistas se apresentam no meio da feira, principalmente dançarinos de tango, os melhores dançarinos de rua de Buenos Aires. E tudo de graça. A poucos metros da Praça Dorrengo, em San Telmo, a gente ouve de longe o som de um Jazz. A música What a wonderful world, de Louis Armstrong, distoa do lugar. Estamos em New Orleans? Não, a música é tocada por grupo de jovens em frente à Igreja de San Telmo.

Do outro lado da rua, uma loja diferente deixa escapar um som delicioso de vozes femininas com toque retrô dos anos 50. Entro na loja L’Ago e me deparo com o que há de mais moderno no que diz respeito a decoração e design. Descubro que a música ouvida é do grupo inglês The Puppini Sisters. Deliciosa e envolvente, contagiante e frenética. De repente, você percebe que está dançando no meio da loja e todo mundo o acompanha. Mesmo quem não gosta de feiras, badulaques e afins tem bons motivos para visitar esse bairro pleno de diversão, arte e dezenas de bares e restaurantes.

Retiro só no nome. O bairro é puro agito

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Torre dos Ingleses e a estação de trem do Retiro foram totalmente revitalizados (foto: Carlos Altman/EM)

O Bairro Retiro tem dupla personalidade. Durante o dia, vive o ritmo acelerado das lojas e escritórios de gigantes corporações que se concentram por lá. Durante a noite, suas ruas se enchem de gente de todos os tipos, transeuntes habituais, turistas, intelectuais, boêmios e amantes da boa comida, que vêm atraídos pela grande variedade de restaurantes, bares e pubs. Restaurantes que oferecem desde comida japonesa até pizzas e massas, passando naturalmente pela típica culinária argentina. Os bares e pubs são igualmente díspares, oferecendo a possibilidade de escutar bandas ao vivo tocando rock, jazz, música espanhola, eletrônica e, é claro, tango. É claro que também existe um Retiro diurno para os turistas e para os que gostam de andar calmamente pela cidade, pois nesta zona estão sediados os melhores e mais caros hotéis de Buenos Aires, numerosas galerias de arte e lojas que oferecem produtos típicos argentinos. Tudo isso na charmosa Avenida Santa Fé.

O centro do bairro é facilmente reconhecível pela belíssima Praça San Martin. Hoje, abriga o imponente Palácio San Martin, de arquitetura francesa. Atravessando a rua, você vai descobrir o contraste com o prédio das Relações Exteriores, uma torre de vidro moderníssima. Há também a Torre de los Ingleses, em estilo renascentista inglês, típica arquitetura britânica, doada pela comunidade inglesa na Argentina, no centenário da Revolução de 1816. Em frente, situa-se o belíssimo edifício, também inglês, da Estação Retiro. No vaivém de pessoas, a estação remete ao passado. Um viagem no tempo dentro do café Retiro. O piano silencioso durante o dia descansa para ser usado ao cair das luzes.

Na Rua Florida, localiza-se a Galerías Pacífico, um antigo edifício que foi transformado em shopping, com belos afrescos e pinturas no teto. Não perca tempo por lá, desde que queira conhecer o Centro Borges de Cultura. Aí sim, vale a pena. Bem perto dali se encontra o Centro Cultural do Tango. Um espaço enorme que propõe manter viva a dança símbolo do país. Marque uma vista, mesmo que seja para ver os casais iniciantes aprenderem o trocar de pernas e o olhar penetrante de desejo e sedução.

A rede Fallabela aportou na Florida. De roupas modernas a produtos para casa – tudo made in China –, você se perde dentro das três lojas ao longo da rua. Tudo muito chique, inovador e fashion. Os preços são inacreditáveis de bom. Fazer o quê... tô pagaaaaaaaaando!

Can you dance? Ser gay friendly está na moda

GayTravel BA/Divulgação
Viva a diversidade: Buenos Aires está na briga pelo título da melhor capital gay da América Latina (foto: GayTravel BA/Divulgação)

Buenos Aires tenta a todo custo ser o maior destino gay da América Latina. A palavra de ordem por lá é ser gay friendly em tudo o que é canto. Os hotéis direcionados a esse público vivem lotados. Os restaurantes que colocam a bandeirinha do arco-íris na porta e entram para o guia gay da cidade só atendem com lista de espera. Recentemente, a cidade foi escolhida para sediar o “world OutGames” – os jogos mundiais LGBT, em 2020. A cidade vai lotar de turistas de todo o mundo e os donos de estabelecimentos como saunas, boates, bares e afins vão rir à toa. É gente do mundo inteiro aportando na cidade às margens do Mar del Plata. Pode até ser pretensão da capital Argentina de tentar agarrar o título de capital gay com unhas e dentes. Mas, São Paulo e Rio de Janeiro, aqui no Brasil, não vão perder o posto por nada deste mundo. A noite gay paulista dá de 10 na portenha. A boate The Week é referência até no exterior. E a rede de hotéis gay friendly carioca na época do carnaval? É ou não é uma loucura? Mas deixar de conhecer a noite gay de Buenos Aires é até um sacrilégio.

Se a gente parar para pensar, toda Buenos Aires é realmente gay. O agito da cidade só começa mesmo depois das duas da madruga. Se você não tem nada para fazer no dia seguinte, então, tome um energético e saia pra gandaia. As melhores boates da cidade se concentram no Bairro Palermo e travam uma guerra de flyers.

Puerto Madero – luxo

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Os prédios modernos mudam a paisagem do charmoso Bairro de Puerto Madeiro (foto: Carlos Altman/EM)

Aqui ficava o antigo porto de Buenos Aires. Os antigos armazéns foram convertidos em lojas, escritórios e num grande centro de gastronomia, com cerca de um quilômetro de restaurantes, que conservam a antiga arquitetura. Revitalizados há cerca de 10 ou 12 anos, eles abrigam atualmente o maior polo de diversão portenha, que, para alguns, já tira o posto da Recoleta. Com seus restaurantes, cinemas, boates, lanchonetes e cafés, um museu, o Iate Clube, hotéis chiquérrimos e uma bela vista do rio, Puerto Madero é hoje um ponto de encontro dos portenhos (de dia ou na noite), desde executivos até funcionários. É ideal para curtir a pé, visitando seus cinco diques que formam o bairro. Perca-se por lá. Logo em frente de um barco museu, no dique 3, está a belíssima Ponte da Mulher. Obra do Arquiteto espanhol Santiago Calatrava Valls. Representa, abstratamente, o desenho de um dançarino e uma dançarina de tango. Tem 160 metros de comprimento e 39 metros de altura.

 

Descontos 

Quando for comprar seu pacote para Argentina, saiba que você tem direito a um descontão daqueles nos hotéis. No ano passado, o presidente Mauricio Macri assinou um decreto que isenta visitantes estrangeiros de pagarem o imposto sobre consumo (IVA) em hotéis. Com esta medida, a hospedagem fica 21% mais barata quando for paga com cartão de crédito – compensando, para os brasileiros, a alíquota do IOF, de 6,38%. Não deixe de conferir este desconto na hora da compra no site, no chek-out no hotel  ou na agência de viagens, combinado?