1001 Lugares pra se viver: Gabinete da guerra de Winston Churchill, em Londres

Sob as ruas de Westminster, imponente endereço do governo britânico e da Igreja, no coração de Londres, foram lançados alguns dos dramáticos dados e tomadas decisões que forjaram a história na Segunda Guerra Mundial

por Bertha Maakaroun 20/11/2017 19:00

Bertha Maakaroun/EM
A memória do gabinete preserva os exatos cenários e a rotina no bunker (foto: Bertha Maakaroun/EM)

Entranhado no labirinto de abrigos subterrâneos, à altura da King Charles Street, reunia-se o Gabinete de Guerra. Em princípio, sob o comando de Neville Chamberlain – que se demitiu em 10 de maio de 1940, após frustrada a sua política internacional de apaziguamento e, diante da incapacidade de, naquele momento trágico, unir as forças políticas. Assumiu o comando Winston Churchill.

A memória daquele tempo, marcado pelos bombardeios intensos à capital inglesa, foi congelada neste que é chamado Churchill War Rooms – transformado em museu. Ali está a exata cena, ao serem desligadas as luzes em 1945, após a vitória dos aliados: telefones fixos, cigarros largados nos cinzeiros, cadeiras empurradas e, sobre a mesa, as anotações e canetas.

Caminhar por esses cômodos é imergir na história. Longos corredores separam ambientes. Cartazes, alarmes, depoimentos gravados de pessoas anônimas que atuaram ao lado dos porta-vozes oficiais do conflito. “Nós fomos orientados a nunca dizer aos nossos pais onde trabalhamos”, descreve Myra Collier, que foi taquígrafa de guerra. “Nós estávamos todos trancados aqui, e a porta sempre guardada do lado de dentro por fuzileiros navais”, narra Joy Hunter, taquígrafa e assistente pessoal de Churchill. Na sala dos mapas, alfinetes e anotações afixados auxiliavam a rápida visualização do teatro de operações.

A rotina de como se vivia naquele subterrâneo está em exposição. As habitações com as estreitas camas do major Desmond Morton, assessor militar do primeiro-ministro, e de Brendan Bracker, ministro da Informação. O quarto em que dormia Churchill e o pijama com o qual possivelmente tomou várias decisões. Documentos e discursos históricos, desse excepcional orador, único primeiro-ministro a receber o Prêmio Nobel de Literatura. “Diria à Casa, assim como disse aos que se juntaram a este governo. Não tenho nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor.” Assim, Winston Churchill se dirigiu à House of Commons – Casa dos Comuns – três dias depois de ser empossado primeiro-ministro, quando, com a invasão da Holanda, se iniciara a ofensiva da Wehrmacht alemã nos Países Baixos e na França.

Oito meses haviam se passado desde a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Mas os eventos evoluíam de forma dramática. A Alemanha nazista ocupou a França e a maior parte da Europa. Navios de guerra britânicos e embarcações privadas haviam evacuado 338 mil soldados britânicos, franceses e de outros países aliados, ameaçados de ser aniquilados pelas forças alemãs nas praias de Dunquerque. Hitler se preparava para arrombar a porta da ilha inglesa.

Churchill voltaria ao Parlamento em 4 de junho e, novamente, em 18 de junho. Em 36 minutos de oratória, ao mesmo tempo em que preparava o espírito do país para a iminente invasão, empurrava a Grã-Bretanha para a decisão de não se render: descreveu aquela que se avizinhava como uma longa guerra, que, segundo ele, determinaria a sobrevivência da civilização cristã. Proferiu um dos maiores e mais dramáticos discursos, num momento de ameaça do território nacional sem paralelos na era moderna.

Um mês depois de exortar a nação à luta, ao enfrentar a Luftwaffe alemã, os caças da Força Aérea britânica escreviam a saga da Batalha da Inglaterra. O auxílio dos aliados viria em junho de 1941, quando a Alemanha invadiu a União Soviética e, em 7 de dezembro de 1941, os japoneses bombardearam Pearl Harbour. Ao tomar conhecimento do ataque ao porto dos Estados Unidos, Churchill escreveu consciente de que teria, ao seu lado, a União Soviética e a potência emergente dos Estados Unidos: “Estando saturado e satisfeito de emoção e sensação, fui para a cama e dormi o sono dos salvos e agradecidos”.

 

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