Minério, montanhas, cachoeiras e afeto se destacam na cidade natal de Carlos Drummond de Andrade

Com diversas atrações turísticas, Itabira tem um povo bastante acolhedor e conta hoje com uma população estimada em cerca de 120 mil habitantes

por Augusto Pio 07/11/2017 07:12

 

Escultura do escritor Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta de Minas
(foto: Escultura do escritor Carlos Drummond de Andrade, o grande poeta de Minas)

Caso ainda estivesse vivo, o grande poeta, contista e cronista mineiro Carlos Drummond de Andrade teria feito 115 anos no último dia 31. Ele era natural de Itabira, no Quadrilátero Ferrífero, a Leste de Belo Horizonte e distante 110 quilômetros da capital mineira. Taí um bom motivo para conhecer a terra e a obra desse ilustre escritor, que faleceu em 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro, cidade onde morou por muitos anos. 

Chegando à cidade, uma boa pedida é visitar o Memorial Carlos Drummond de Andrade (MCDA). Inaugurado em 1998, o MCDA tem projeto arquitetônico original assinado pelo genial Oscar Niemeyer. O espaço é uma referência nas áreas de educação e turismo, com projetos e eventos periódicos voltados para crianças e adolescentes, recebendo, em média, 15 mil visitantes por ano. O local oferece uma vista muito bonita para a cidade e apresenta vários pertences do grande poeta mineiro.

Uma outra opção é ir até o mirante do Pico do Amor visitar a concha acústica, onde foi realizado, de 28 a 31 de outubro, o 1º Festival Drummond – Festa Literária de Itabira, que contou com palestras, escritores, contação de histórias, mesas-redondas e shows. Caso o visitante queira fazer um passeio ecológico, o que não falta é uma boa trilha. Mas não para por aí, pois na encosta leste do pico está um precioso arquivo de livros de CDA, incluindo as primeiras edições de exemplares importantes de sua obra, como Alguma poesia, adquirido em outubro de 2013.

CULTURA

Maria Tereza Corrêia?EM
Memorial Carlos Drummond de Andrade projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (foto: Maria Tereza Corrêia?EM)
O acervo bibliográfico compreende ainda obras do escritor em língua estrangeira, cerca de 800 livros de autoria do poeta e também de outros autores. O local traz ainda diversas fotos, dedicatórias e documentos importantes. Também faz parte do acervo do memorial diversas correspondências trocadas entre o artista, sua mãe e a filha, Maria Julieta Drummond de Andrade, que também foi escritora e chegou a ser retratada aos 11 anos por Cândido Portinari. Era filha do poeta com Dolores Morais Drummond de Andrade.

Ao lado do Pico do Amor encontra-se o Parque Municipal do Intelecto, localizado numa área de 216 mil metros quadrados. O lugar conta com uma reserva considerada remanescente da mata atlântica. Muito visitado, o local funciona também como área de cultura, educação ambiental e lazer. É lá que se encontra o orquidário municipal, que cultiva a Catteya labiata warneri semialba itabirana, orquídea típica do município e de beleza incomum. O lugar também é conhecido como Mata do Intelecto, numa espécie de homenagem a Raimundo Cesário da Costa, morador da chácara desde 1942, que preservou toda a mata do local. Raimundo Intelecto, como era conhecido, ganhou o apelido por vender laranjas gritando: “Olha as laranjas intelectas”.


Outro local imperdível em Itabira é o Centro Cultural Casa Inclusão de Drummond, onde o grande poeta viveu dos 2 aos 13 anos. Com uma arquitetura linda, a casa conta com quintal, jardim e alguns móveis que pertenceram à família de Drummond, como a cama onde ele dormiu por vários anos. O local também funciona como espaço cultural, no qual são realizadas diversas atividades apoiadas pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Um interessante espaço para conhecer mais sobre o ilustre mineiro. Além disso, é uma experiência incrível, pois conta com um excelente acervo.

Tayane Campos/Divulgação
Sala do Museu dos Tropeiros, que fica em Ipoema, distrito de Itabira (foto: Tayane Campos/Divulgação)

Também interessante é o Museu do Tropeiro, mas que fica localizado em Ipoema, distrito que pertence a Itabira, bem pertinho. É um museu bem conservado e muito interessante, pois se trata da história contada pelos antigos tropeiros, que dominaram inúmeros caminhos brasileiros. Muito interessante rever diversos objetos que eram usados pelos destemidos aventureiros durante a árdua tarefa de transportar suas mercadorias pelos mais diversos locais do interior mineiro.

Imperdível também é o Museu de Território Caminhos Drumondianos, localizado no Centro de Itabira. É muito interessante percorrer os caminhos feitos pelo poeta e passar pela antiga residência da família e se deliciar com 45 poemas de Drummond escritos em placas espalhadas pela cidade. Ler os poemas nos traz uma sensação de interagir com a obra do grande poeta.

Roneijober Andrade/Divulgação
Cachoeira da Boa Vista, em Ipoema (foto: Roneijober Andrade/Divulgação)
 


CURIOSIDADES

 

Há também o Pontal Centro Cultural Fazenda, local tranquilo, uma reconstituição da fazenda original, com objetos, curiosidades e histórias do poeta. A fazenda pertenceu ao pai de CDA e onde o poeta passou parte da infância. É um dos mais belos pontos turísticos de Itabira. Hoje, funciona também como museu. A cidade conta também com escolas em todos os níveis, além de bons hotéis, churrascarias, restaurantes, lanchonetes e boates. Outra atração anual imperdível é o Festival de Inverno, promovido pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), que, este ano, foi realizado entre 14 e 30 de julho e contou com várias atrações. Assim, quem quiser tomar um banho de cultura e saber mais sobre a vida de Carlos Drummond de Andrade não pode deixar de visitar a aprazível Itabira e desfrutar de todas as suas atrações. (AP)

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