Oásis no mar: paraísos subaquáticos revelam belezas naturais de perder o fôlego

Mistérios e encantos das barreiras de corais. Elas adornam praias e guardam milhares de animais que vivem nas águas salgadas dos oceanos. Pela beleza, se tornaram pontos turísticos em vários países

por Lucianna Rodrigues* 23/10/2017 15:00

Visit Autrália/Divulgação
(foto: Visit Autrália/Divulgação)
No mar, um muro guarda segredos, vida e beleza. Os corais encantam com seus formatos, suas piscinas, a profusão de pequenos animais que ganham vida e sobrevivem graças aos nutrientes e a beleza dos vários tons da água, com brilhos que escapam pelas pequenas ondas, minúsculas cachoeiras que se formam com o movimento das marés. Alguns desses corais são tão extensos que podem ser vistos da lua.

 

Sem essas formações não haveria vida marinha, afirma o biólogo Suelino da Silva. Ele explica que as formações são como oásis no mar. “São o local onde estão todos os nutrientes. Todas as formas de vida marinha estão próximas aos corais. É por isso que eles têm tanta importância ecológica”, completa. Os corais são comparados, em importância, às florestas tropicais para a fauna e flora mundiais. Além de abrigar inúmeras espécies, os recifes de corais chamam a atenção pela beleza e o pelo mistério sobre a composição.

Ed ROBERTS/AFP
Tombada como Patrimônio Mundial da Unesco, a barreira de corais movimenta o turismo na Austrália (foto: Ed ROBERTS/AFP )

No Brasil, os recifes se distribuem por mais de 3 mil quilômetros de costa. Do Maranhão ao Sul da Bahia, estão as únicas formações de corais do Atlântico Sul. As atividades humanas, como turismo, poluição dos oceanos e alto tráfego de embarcações, têm contribuído para a degradação dessas áreas e é por isso que existem unidades de conservação federais, estaduais e municipais, para controlar o número de visitantes e poupar essas maravilhas naturais. O Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Instituto Chico Mendes (ICMBio), faz o trabalho de preservação dessas áreas.

Para Suelino, o principal fator que contribui para a destruição é o aquecimento global. “O branqueamento que tem ocorrido é decorrente desse aquecimento. Com isso, eles começam a morrer. Com a morte dos corais, há a destruição do elo muito importante da cadeia alimentar oceânica, porque muitas formas de vida se alimentam próximo aos recifes de corais”, explica.

 

Diferentemente do que muitos pensam, os corais não são pedras no oceano. Eles são seres vivos, ou seja, respiram, se alimentam, se reproduzem e também morrem. Devido a essa intensa atividade metabólica é que são tão importantes para manter o equilíbrio do ecossistema, além da importante função de filtrar as águas do oceano.

 

Porém, é preciso tomar alguns cuidados para contemplar essas maravilhas e ver de perto suas cores e formas. O Ministério do Turismo (MTur) recomenda que os turistas sempre procurem empresas credenciadas no órgão para realizar os passeios e visitas aos corais brasileiros. A lista de empresas está no site www.cadastur.turismo.gov.br. É importante que, durante um mergulho, não toquem nem pisem nos corais, que são muito frágeis.

 

Atrativos na Austrália

 

A Austrália abriga inúmeras belezas naturais, entre elas a maior barreira de corais do mundo. Localizada em Queensland, composta por 2.900 recifes, 600 ilhas e 300 atóis de corais, ela atrai milhares de turistas que desejam ver de perto esse paraíso e entrar em contato com a natureza. Nos mais de 2.200 quilômetros de extensão e 740 quilômetros de largura, habitam diferentes espécies de peixes, mamíferos, plantas e aves. Tombada como Patrimônio Mundial da Unesco e considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo, a barreira pode ser vista do espaço e é a maior estrutura feita de organismos vivos do planeta.


Ter contato com os animais marinhos e contemplar a biodiversidade são os maiores atrativos da barreira. No total estão catalogados 400 tipos de coral, 1.500 espécies de peixes e 4 mil variedades de moluscos. Ainda fazem parte desse universo 30 espécies de baleias, golfinhos e botos, onde se destaca a baleia jubarte, o golfinho jubarte do Índico-Pacífico e a baleia minke-anã. As tartarugas são outro espetáculo por lá, mas geralmente só podem ser vistas na época da reprodução, pois usam a barreira durante esse período. Tubarões e arraias não poderiam ficar de fora desse paraíso. Foram registradas 125 espécies de um dos animais mais temidos do planeta. As aves usam a superfície dos corais para construir seus ninhos e complementar a paisagem do local.


A estudante Bruna Luiza Alves, de 18 anos, fez intercâmbio na Austrália e aproveitou sua estada para conhecer a Grande Barreira de Corais. Para ela, é uma das paisagens mais bonitas que já viu e ficou perplexa com a imensidão. “É absurdamente grande. Senti-me muito pequena, essa é a principal impressão que eu tive. Como é muito grande, gostaria de ter conhecido mais. Eu me interesso pela natureza e achei superinteressante”, conta ela, que visitou a barreira em 2015.

 

 

WWF AUSTRALIA/AFP
(foto: WWF AUSTRALIA/AFP)

 


Bruna diz que ficou na Praia Airlie Beach e de lá foi de barco até o recife. “Como a barreira fica longe da costa, é preciso ir de barco. Demora aproximadamente duas horas.” Além do barco, é possível visitar a barreira no famoso passeio de helicóptero que contempla toda a extensão da estrutura viva. Nas águas, há cruzeiros, barco à vela e lanchas que levam você ao paraíso. Por ser muito grande, a barreira pode ser acessada por outras praias, como Cairns”, explica.


Ao chegar à barreira, a opção mais interessante para curtir a beleza é fazer mergulho de cilindro ou snorkel oferecidos pelas empresas que fazem o passeio, a exemplo da Blue Pearl Bay, que inclui equipamentos e roupas de mergulho, além de uma alimentação a bordo. O valor por pessoa é de 305 dólares australianos, aproximadamente R$ 760.


A temperatura de Queensland é parecida com o Nordeste brasileiro. Lá faz bastante calor e a água morna é outro atrativo local. Há diversos hotéis na costa que podem variar de luxuosos resorts a pousadas simples. Aqueles que desejarem algo mais natural podem acampar na praia ou se hospedar nos campings que existem na região. Um deles fica em Whitsunday.

 

 

Espécies em risco de extinção

 

 William WEST/AFP
A espécie do peixe-palhaço ( clownfish ) ganhou fama com o fofo personagem Nemo (foto: William WEST/AFP )

Com 1,5 mil quilômetros de extensão, a barreira de corais da colônia francesa, Nova Caledônia, só perde em tamanho para a Austrália. Os recifes são famosos por abrigarem espécies em risco de extinção, como é o caso do mamífero Dugongo, o representante vivo da família Dugongidae. Tombada como Patrimônio Mundial da Unesco, a barreira de corais movimenta o turismo e a vida em Nova Caledônia. Mergulhar no mar azul-turquesa da ilha francesa é descobrir um mundo marinho extraordinário. Várias espécies de plantas e animais vivem naquelas águas.


O país, que tem pouco mais de 18 mil quilômetros quadrados, está localizado na região melanésia do Pacífico, que também engloba Vanuatu, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão e Fiji. A ilha é conhecida por suas gigantescas minas de níquel, que hoje pertencem a grandes empresas canadenses, multinacionais e à Vale do Rio Doce, empresa brasileira que tem o seu maior investimento externo na Nova Caledônia.


Para chegar até esse paraíso, é preciso voar mais de 20 mil quilômetros, aproximadamente 22 horas. A melhor forma é ir até a Austrália, a Nova Zelândia ou ao Japão e de lá seguir para Noumeá, capital da Nova Caledônia.

 

Recife Mesoamericano

Sarah LAI/AFP
(foto: Sarah LAI/AFP )

Os mais de mil quilômetros de corais que constituem o terceiro maior recife de coral do mundo não se restringem somente a um país. Eles estão na costa do México, Guatemala, Honduras e Belize. Várias cidades desses países abrigam o recife Mesoamericano. Fazem parte do seu território importantes áreas como o Parque Nacional de Arrecifes de Cozumel, a Barreira de Corais de Belize, a Reserva Marinha de Hol Chan, a biosfera de Sian Ka’an e o Parque Marinho de Cayos Cochinos.


Os corais caribenhos são importantes para o turismo da região e atraem milhares de turistas todos os anos. Para visitá-los, é preciso escolher um país e a cidade litorânea. As mais visitadas são Cozumel e Cancún. Outra importante atração é o Grande Buraco Azul em Belize, apontado com um dos fenômenos naturais mais interessantes que há no mundo.
A imensidão de corais pode ser explorada por mergulho profissional ou com um simples snorkel. Os turistas podem optar por passeios de barcos que são oferecidos por empresas nas regiões ou até mesmo pelos hotéis locais.

 

Belezas Naturais brasileiras

 

Alagoas é responsável por abrigar muitas das belezas naturais brasileiras. A barreira de corais situada nessa região é uma das maiores da América Latina. Conhecida como Costa dos Corais, os mais de 130 quilômetros de extensão são o lar de diversas espécies de peixes, corais e animais marinhos.As piscinas naturais atraem turistas que desejam ter contato com esse paraíso praiano. O estudante Tony Henrique Domingos visitou os corais e lembra que foi muito especial. “Quando cheguei lá, as minhas expectativas foram superadas. O lugar é muito bonito mesmo e é aquilo que vemos nas fotos. Lembro-me até hoje quando mergulhei com os corais e vi um mundo diferente, que a gente sabe que existe, mas que, muitas vezes, não damos tanta importância, é algo magnífico”, conta ele, saudoso. A cidade de Maragogi tem a melhor estrutura para quem deseja visitar os corais. É preciso ir de barco alguns quilômetros mar adentro para chegar à barreira. Muitas empresas oferecem o passeio, que varia entre R$ 65 e R$ 80. 

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