Descubra o deslumbrante Llao Llao, hotel que repousa entre os picos andinos

O resort está localizado em um dos mais belos cenários do mundo, próximo ao lago Nahuel Huapi

por Bertha Maakaroun 26/09/2017 07:12
Reprodução/Internet
El Gran Hotel Llao Llao está entre os mais belos cenários de resorts do mundo (foto: Reprodução/Internet)

Em dança sincronizada com o lago, a luz natural produz cores que transmutam entre o negro, o prateado e o azul-turquesa profundo. O lago Nahuel Huapi contorna gigantes andinos, vulcões adormecidos e florestas imponentes. Esparrama-se pelas províncias argentinas de Rio Negro e Neuquén, em território uma vez e meia maior do que a cidade de Belo Horizonte. Se instigado pelo vento e ameaçado por turbulentos temporais, o lago se torna escuro e crespo. Mas, acariciado pelo sol, transforma-se num plácido espelho, que captura e abraça fotografias da natureza imponente, majestosa e avassaladora da Patagônia setentrional.

Recostado à cordilheira dos Andes, nas proximidades de Puerto Pañuelo, distante 25 quilômetros de San Carlos de Bariloche, onde as águas glaciais do Nahuel Huapi se esgueiram por colinas e se encontram com o Lago Moreno, está El Gran Hotel Llao Llao, entre os mais belos cenários de resorts do mundo. Obra arquitetônica em estilo canadense do fim da década de 1930 e início dos anos 1940 do século passado, tem a sua história ligada à implantação do Parque e Reserva Nacional Nahuel Huapi, o mais antigo dos parques nacionais argentinos.

Llao Llao, suntuoso palácio da montanha, espalhado em amplos salões, restaurantes, áreas de spa e duas centenas de suítes, não poderia ter sido desenhado em cenário mais espetacular. Seja do campo de golfe, da marina, das piscinas climatizadas e mesmo das trilhas que se embrenham por matas nativas de arrayanes, o hotel interage com um horizonte perdido em picos de neve eterna. Tronador, López, Campanario, Catedral, Otto, Runge, Challhuaco e Leones são alguns dos cerros andinos que abraçam a paisagem dessa pequena porção da Patagônia.

Gelada, úmida, diversa, animada por ventos e excepcionalmente bela, a Patagônia – que corresponde a 30% do território argentino – foi incorporada tardiamente ao Estado nacional em fins do século 19, no contexto da chamada revolução tecnológica dos frigoríficos, que promoveu o aumento internacional da demanda europeia, principalmente por carne bovina.

Se, nos três primeiros séculos da conquista, os espanhóis e descendentes se fixaram nas margens do Rio Prata, com raras incursões sobre a região ao Sul de Buenos Aires, chamada de “Deserto”, essa perspectiva se modificou completamente a partir de 1868. Chegava à presidência Domingos Sarmiento, que governou entre 1868 e 1874, autor da obra Facundo o Civilización y Barbárie, de 1845, em que formulou o seu “ideário” de desenvolvimento social e econômico para os países do Novo Mundo: a “importação” maciça de europeus mediante distribuição de extensos territórios.

A esse movimento de expansão da fronteira agropecuária associou-se uma campanha de conquista militar, desta que hoje é conhecida como a Argentina austral. No contexto da “Conquista do Deserto”, “extinguir, submeter ou dispersar” foi um dos lemas lançados sobre as tribos tehuelche (Patagônia setentrional e meridional), mapuches (Norte da Patagônia) e yámana y selk’nam (Terra do Fogo). Essa é uma história que pode ser visitada no Museu da Patagônia, em Bariloche, e está guardada no coração dessa que constitui uma das mais instigantes e cênicas regiões do mundo.

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