Quem visita Lisboa se encanta pela sua hospitalidade, cultura, gastronomia e arquitetura

Depois de 517 anos do descobrimento do Brasil pelos portugueses, chegou a hora de fazer o caminho de volta

por Carlos Altman 30/05/2017 07:12

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Monumento Padrão dos Descobrimentos presta uma homenagem aos principais navegadores (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

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Portugal não é o mesmo de 10 anos atrás. O país que enfrentou e superou a crise dos últimos anos se modernizou, arrumou a casa e incentivou todos os ramos da economia. O investimento no turismo foi fundamental para dar projeção ao país na Comunidade Europeia e consolidou a cidade de Fernando Pessoa e Camões como um dos melhores destinos para se visitar. Principalmente pelos brasileiros, que elegeram Lisboa como porta de entrada para toda a Europa.

A capital portuguesa é a certeza de que voltamos às nossas raízes. Ao andar a pé pelas ruas estreitas de Lisboa temos a sensação que de repente daremos de cara com Eça de Queiroz ou Saramago. Ou como se de uma hora para outra pudéssemos ouvir a voz de Amália Rodrigues – a grande diva do Fado. “Ai, Lisboa/ Terra bem nobre e leal/Tu és o castelo da proa/Da velha nau Portugal/Ai, Lisboa/Cheiram a sal os teus ares/Deus pôs-te as ondas aos pés/Porque és tu a rainha dos mares.!”

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De dentro da Torre de Belém se avista a Ponte 25 de Abril sobre o Rio Tejo (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

Em cada esquina, em cada praça ou café, a voz de Amália é ouvida como um hino de louvor a uma cidade que cresce a cada ano sem perder a magia do seu passado. Tempos saudosos que o visitante se aventura conhecer ao entrar nos seus bondes. Neles se avista uma cidade de contrastes. O novo e o antigo lado a lado. É um sacolejar rumo a uma cultura que, em parte, nós brasileiros fazemos parte. Trazemos em nosso material genético muitas das lembranças de toda a história dessa cidade marcada por guerras, invasões bárbaras e desastres da natureza. Um avistar de lembranças contidas na arquitetura, nas sacadas das casas, nos azulejos, nas ruas estreitas e no brilho do sol nos trilhos.

Uma viagem reconfortante com o vento batendo no rosto e um cheiro peculiar da cidade no ar. Lisboa cheira a caramelo e mar. Apesar de não ser banhada pelo mar, o Oceano Atlântico se mistura ao Rio Tejo e salga suas as águas e inspira o poeta mais famoso de Portugal. Fernando Pessoa escreveu: “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal!/ Por te cruzarmos, quantas mães choraram,/Quantos filhos em vão rezaram!/ Quantas noivas ficaram por casar/ Para que fosses nosso, ó mar!/ Valeu a pena?/ Tudo vale a pena/ Se a alma não é pequena./ Quem quer passar além do Bojador/ Tem que/ passar além da dor./ Deus ao mar o perigo e o abismo deu,/Mas nele é que espelhou o céu”.

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Andar em Lisboa é poder voltar ao passado. Belos registros arquitetônicos em suas ruas e avenidas (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)


Embarque cultural

Embarcamos na Praça do Comércio dentro de um dos bondes da Companhia Carris rumo ao descobrimento dos bairros de uma Lisboa rica em formas, cores, cheiros e sabores. Nos famosos bairros de Alfama, Baixa, Chiado, Bairro Alto e Belém vamos explorar suas peculiaridades, suas tradições e seus segredos. Situados na sua maior parte no Centro de Lisboa, os bairros históricos são destinos obrigatórios para quem vai viajar para a capital de Portugal. Pela história, pela cultura, pela arquitetura, pelas pessoas ou simplesmente para passear descontraidamente, é obrigatório descobri-los. Fazendo parte estrutural da identidade lisboeta, esses bairros proporcionam, a quem os descobre, traçar um verdadeiro mapa pessoal. As possibilidades são imensas.

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Há mais de um século os bondes amarelos percorrem o Centro de Lisboa (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

O Bairro Alto é um dos bairros mais atraentes para sentir a cidade. Típico e popular, é o local de encontro de pessoas, num ambiente eclético e multicultural, é uma das boas razões para passear pelo bairro. Percorrer a região é a oportunidade de se encantar com a arquitetura dos casarões escondidos em suas ruas, ruelas e becos. É nesse bairro que concentram os melhores restaurantes, lado a lado de livrarias intimistas, em que sempre acontecem coisas. Casas de chá emparelhadas com lojas de design e lojas de roupa de alguns dos mais conceituados estilistas portugueses. É um bairro apaixonante, cheio de atrações, combinando arrojo e sofisticação com tradição e antiguidade. Uma das características únicas do bairro é a possibilidade de usar as ruas, fechadas ao trânsito de veículos para conviver ao ar livre.
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Ruínas da Catedral Gótica no Convento de Carmo que foi quase todo destruído no grande terremoto de 1755 (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)


Chiado é o grito

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Do elevador de Santa Justa se avista o Castelo de São Jorge (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

Depois do Bairro Alto, desça ao Chiado, onde encontrará um ambiente ainda mais sofisticado. Tem imensos registros de modernidade, com lojas de design e bares descolados e público eclético. Realmente, o que tem de mais moderno, agitado e jovem, se concentra ali. Ponto de encontro de artistas e intelectuais, o Chiado é a zona dos cafés emblemáticos, como A Brasileira, onde turistas tiram selfies com a escultura de Fernando Pessoa. É um bairro vivo, colorido e animado. Nele é possível frequentar as melhores escolas de artes, e teatros da cidade. Ao anoitecer, o Chiado grita. O burburinho bom se ouve na atmosfera rica da boemia do bairro. A sensação e´que cada noite desfila uma para LGBT em volta dos cafés chiquérrimos, dos bares arrojados e das boates da moda. No efervescente bairro de Lisboa é onde todos os públicos se misturam, desde os mais jovens, de todos os estilos, até os mais velhos, que procuram um bar calmo com boa música.

A zona do Carmo, vizinha ao Chiado, tem alguns pontos fascinantes da história da cidade, como o Convento e a Igreja do Carmo, que mantém a elegância e a imponência. Ali poderá visitar as ruínas, mas também o Museu Arqueológico do Carmo, que inclui um espólio de peças pré-históricas, romanas, medievais, manuelinas, renascentistas e barrocas. O Largo do Carmo é também um local emblemático da história nacional recente, tendo sido palco privilegiado da revolução dos cravos, em 25 de Abril de 1974. A ligação entre o Carmo e a Baixa é feita através de outro monumento fundamental da cidade – o irresistível Elevador de Santa Justa.

No topo do elevador se avista a belíssima vista do Castelo de São Jorge. Não perca a oportunidade de descer ou subir por esse elevador centenário que foi concebido por um discípulo de Gustave Eiffel, mantendo por isso um estilo arquitetônico peculiar.

Caminhos do luxo

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Estátua de dom José, na Praça do Comércio (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)
No coração de Lisboa se encontra o Bairro Baixa Pombalina. Um dos lugares mais lindos da capital portuguesa é onde se concentram a Praça do Comércio, o calçadão da Rua Augusta, que é a artéria principal da região, que une o Terreiro do Paço, aberto para o rio e símbolo de poder, à belíssima Praça do Rossio (dom Pedro V). Acima do Rossio, descubra a Avenida da Liberdade. Um passeio naquela que já foi, em pleno século 19, o “Passeio Público” da cidade e onde as elites se juntavam para caminhar. Hoje, encontram-se na avenida as lojas de grandes marcas de luxo.

Um castelo no topo

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Catedral da Sé foi construída pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que resgatou a cidade dos mouros, em 1147 (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)
Nada melhor visitar o Bairro Alfama dentro de bonde elétrico. Não é fácil subir as ladeiras a pé. Deixe essa aventura para os mais jovens. Se você insiste em subir a pé reserve seu cantil com muita água. É tanta ladeira até o Castelo de São Jorge que de vez em quando nos esquecemos que estamos na Lisboa europeia e achamos que estamos percorrendo a rua direita de Ouro PretoNa subida, o turista se depara com o mais popular dos santos portugueses, Santo Antônio, numa pequena estátua restaurada, numa igreja com o seu nome e no Museu Antoniano. Logo depois, se avista a Catedral da Sé (século 13), um verdadeiro monumento, cuja imponência e austeridade vale uma visita. Quase no topo se encontram os mirantes de Santa Luzia e das Portas do Sol.

Por enfim, o Castelo de São Jorge, onde a história da cidade começou. Esse é um dos monumentos mais visitados na cidade, não só pela sua importância histórica e cultural, mas também pela magnífica vista que oferece sobre Lisboa. No local, casais de namorados, crianças, jovens, idosos, famílias inteiras e turistas contemplam séculos e séculos de história. Na Costa do Castelo, encontrará outros mirantes com ambientes especiais, especialmente o do Chapitô, um espaço único. Escola de Artes Circenses, bar, café, esplanada e restaurante, conjugados para criar um ambiente excepcional, diversificado, belo e amplo.

Belém: o porto de partida

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A Torre de Belém, em estilo manuelito foi tombado pela Unesco em 1983 (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)
Foi da praia de Belém que partiram as caravelas de Pedro Álvares Cabral rumo ao Brasil. Em todo o lado se respira a grandeza do outrora império português. Lá está o Mosteiro dos Jerônimos, construído em 1501 por iniciativa do rei dom Manuel I e, que só cem anos mais tarde, viria a estar concluído. Localizado na praça do Império, o monumento integra elementos arquitetônicos e decorativos do gótico tardio e do renascimento, constituindo-se como um dos mais belos e grandiosos monumentos da capital. Considerado a joia do estilo manuelino, exclusivamente português, foi reconhecido como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco.

Hoje, nas alas do antigo mosteiro, estão instalados o Museu da Marinha, fundamental para conhecer um pouco da história náutica portuguesa, e o Museu de Arqueologia. A igreja do mosteiro, a Igreja de Santa Maria de Belém, é um templo magnífico. A luminosidade, pelos filtros que os vitrais fazem dos raios solares, é extraordinária, tendo um caráter quase surreal. Os túmulos de Vasco da Gama e do poeta épico Luís de Camões encontram-se lá.

Também no bairro, a Torre de Belém é outro maravilhoso monumento no estilo manuelino tombado pela Unesco. A decoração exterior com fachadas que evidenciam influências árabes e venezianas nos balcões e varandas, contrastando com o interior, bastante austero na sua decoração. Muito mais recente, mas invocando ainda a grandeza da época dos Descobrimentos, encontra-se na região o Padrão dos Descobrimentos. O monumento, de 1960, homenageia os navegadores portugueses. O bairro construiu, sem dúvida, a sua singularidade como símbolo da “idade de ouro” dos Descobrimentos. Mas a modernidade e animação cultural estão igualmente presentes no CCB - Centro Cultural de Belém.

GASTRONOMIA REFINADA

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Os imperdíveis pastéis de nata, que são patrimônio da gastronomia da cidade (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)
Os Pastéis de Belém são, de fato, uma verdadeira preciosidade da gastronomia portuguesa. Esses deliciosos doces são considerados os mais autênticos e mais saborosos pastéis de nata de Portugal. Com uma tradição centenária, a fábrica atrai visitantes do mundo todo.

A gastronomia de Lisboa é, em todos os sentidos, original e bem saborosa. O famoso bacalhau é um dos pratos mais procurados, sendo o combinado com o grão-de-bico o mais típico de Lisboa. Em qualquer restaurante, encontrará pelo menos um prato de bacalhau, havendo até locais especializados exclusivamente em receitas deste peixe tão apreciado.

Quando se fala em manifestações culturais, é indispensável falar de Fado. Em Lisboa, as existem várias casas de Fado, principalmente nos bairros populares como Alfama ou Bairro Alto. Desde as mais formais, em que há um arrepio gerado pela força emocional dessa forma de música tão peculiar, até aos mais informais, em que todos cantam espontaneamente sem ritmo e tom. A emoção única intensificada pela voz e pela música, conjugando alegria e tristeza sempre espelhando a vida em toda a sua força e paixão.

ARES FUTURISTAS

Ideal para todas as idades, o Parque das Nações é destino obrigatório para os turistas. Na parte oriental de Lisboa, onde se realizou a Expo98, encontra-se o extenso complexo cultural, lúdico, residencial e empresarial, que se constitui como um polo fundamental da vida da cidade e um exemplo da modernidade integrada. O espaço às margens do Rio Tejo está o Pavilhão Atlântico, onde o turista poderá assistir a inúmeros concertos musicais e importantes provas desportivas internacionais. Outros atrativos no local são o Cassino Lisboa e o imprescindível Oceanário de Lisboa.

No meio do caminho

Se seu voo para Europa passar por Lisboa ou Porto, aproveite e fique até três dias nessa cidades sem custos extras. lançado pela empresa área TAP e o governo português, o Stopover é uma oportunidade única de conhecer o país em meio a uma conexão

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Muito além de Lisboa

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O turista não pode deixar de visitar o Templo de Diana, em Évora (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

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Capela dos Ossos, em Évora (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)
Portugal é ainda mais encantador quando o turista viaja rumo ao interior. Na região do Alentejo, Évora a 130 quilômetros de Lisboa, é famosa por sua agricultura, suas vinheiras, suas músicas e arquitetura. A cidade murada, tombada pelo patrimônio Histórico da Unesco, em 1986, tem um rico acervo cultural como a Capela do Ossos, considerada por muitos, como uma das mais belas do mundo. Sobre o espaldar da porta dessa capela pode se ler: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. À primeira vista parece assustador, mas ao entrar nela se percebe que as paredes e parte das abóbadas estão revestidas de milhares de ossos humanos. A capela foi construída dentro da igreja de São Francisco, nos séculos 16 e 17. A inciativa de sua origem se deve a três frades franciscanos que queriam proporcionar uma melhor reflexão acerca da brevidade da vida humana.

Évora conserva até hoje monumentos remetidos à época dos domínios do Império Romano, em Portugal. Ao fazer um passeio de carruagem pela cidade, o turista se depara com o templo de Diana, monumento único no país. As pilastras romanas despontam no céu azul da cidade que costuma ser umas das mais quentes, no verão. O calor acima dos 40 graus te convida a refrescar em uma fonte da Praça de Giraldo, Centro da cidade, bem em frente a Igreja de Santo Antão. Ou se preferir, refrescar debaixo de uma árvore em frente a Catedral de Santa Maria. A entrada principal está decorada com esculturas representando os apóstolos e no local se encontra o Museu de Arte Sacra.
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A cidade murada se enche de cor e cheiros na primavera (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)


DESCANSO DO REI

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No alto do muros se avista toda a magia do local (foto: Carlos Altman/EM/D.A.Press)

Outra cidade medieval que merece ser visitada é Óbidos. Localizada a 85 quilômetros ao norte de Lisboa, a pequena cidade murada se destaca na região da Leira. Ela é uma das mais bem preservadas vilas feudais europeias, rica em tradição e história. A cidade serviu de pouso e descanso para a família real portuguesa que recebia, em suas ruas tortuosas e casas caiadas de branco, a visita de dom Pedro II em suas viagens a Portugal. As paredes das muralhas que circundam a cidade e o Castelo de Óbidos têm um charme todo especial. Ao caminhar sobre elas, se avista os telhados e as construções coloniais com um toque extra de romantismo. Na primavera e no verão, a vila se transforma em um imenso jardim por conta das flores e plantas nas varandas e nos muros. Os belos arcos de buganviles se espalham por todo lugar, numa indescritível explosão de cores e cheiros encantam os milhares de turistas que visitam Óbidos todos os anos.

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