Luxo e intrigas: conheça os mistérios por dentro dos castelos e palácios da Europa

O lar de reis e rainhas são lugares carregados de amores, brigas, traições, guerra de poder e curiosidades. Muito além das histórias contadas nos livros de contos de fadas e, depois, transportadas para as telas do cinema e da TV

por Carlos Altman Rafaella Panceri - Especial para o Correio 04/04/2017 07:12

OLI SCARFF/AFP
Quem nunca quis saber como vive a rainha Elizabeth II. O luxo ornamenta os salões e corredores do Windsor Castle, residência de fim de semana da soberana da Inglaterra (foto: OLI SCARFF/AFP)
Quem acompanha as séries The crown, Game of thrones e Downton Abbey se depara com palácios suntuosos e fica imaginando como seria viver em um deles. Tanto na ficção quanto no mundo real, o lar de reis e rainhas, princesas e príncipes é lugar em que predominam o luxo, a opulência, a segurança, as intrigas e, claro, as questões de Estado. Castelos e palácios escondem muitos segredos. E, mesmo que alguns não sejam tão “secretos” assim, quando podemos ver o mesmo que foi visto por grandes nomes da monarquia e caminhar pelos mesmos corredores que eles caminharam, sentimo-nos como parte da história por um momento.
Oli Scarff /AFP
(foto: Oli Scarff /AFP)

Quem pensa que monarquia é coisa do passado pode se impressionar com a quantidade de países que têm uma família real no governo. São 44 no mundo inteiro. Saber disso é o primeiro passo para explorar esses locais de outra maneira. Roteiros que dão destaque à realeza terão idas obrigatórias aos palácios, torres, exposições de peças da corte e cerimônias oficiais. Nesse festival de riquezas, a mobília, obras de arte, esculturas, porcelanas, tapetes e jardins – tudo conta uma história.

Na Europa, a Inglaterra é um dos exemplos mais conhecidos – é governada pela rainha Elizabeth II (chefe de Estado), em parceria com o primeiro-ministro (chefe de Governo). A rainha é soberana em vários países, entre eles Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Paquistão, Sri Lanka e Irlanda do Norte, além de uma série de ilhas espalhadas pelo mundo. Londres coleciona residências da corte.

Windsor Castle

JUSTIN TALLIS/AFP
Windsor Castle, no Reino Unido, foi construído por William, o Conquistador, no século 11 (foto: JUSTIN TALLIS/AFP)
Ao lado de Londres, em Windsor, no Reino Unido, esse castelo foi construído por William, O Conquistador, no século 11, e ainda é a residência de fim de semana da família real britânica, com várias áreas abertas ao público, inclusive a St George's Chapel, capela real onde estão enterrados os corpos de Henrique VIII e dos pais da rainha Elizabeth II. A rainha Victoria usava muito o castelo em sua época. O rei Charles I foi mantido prisioneiro no castelo, antes de ser levado para decapitação pública, em Londres. As salas de Estado são imensas, e ficaram ainda mais imponentes com a restauração realizada depois de um incêndio, em 1992.

Os estilos são variáveis, incluindo rococó, gótico e barroco, mas todos nos levam a uma viagem ao passado de pompa e circunstância típicas dos britânicos, em que tudo está exatamente onde deveria estar, criando atmosfera de uma corte real nos tempos atuais. Caminhando na área externa de um ponto a outro do castelo também se tem a ideia de termos voltado aos tempos medievais, passando por baixo de portões de ferro com lanças na ponta que pesam toneladas, atravessando túneis estreitos de pedra, admirando os jardins clássicos e observando a grande torre que servia para avistar rapidamente inimigos se aproximando.

 

Visit UK/divulgação
Das torres do Conwy Castle se avistam, de um lado, o oceano, do outro, a cidade (foto: Visit UK/divulgação)

Ruínas encantadoras são as do Conwy Castle, construído por Eduardo I durante a conquista de Gales pela Inglaterra, em 1289. Gales, que hoje faz parte do Reino Unido, sendo chamado de País de Gales, tem no Conwy um exemplo de como essa história se desdobrou. Subir em uma das oito torres e observar o oceano de um lado e a cidadezinha do outro, com o vento gelado batendo nas pedras que sustentam a construção, dá uma vaga ideia de como a vida deve ter sido na época das conquistas territoriais. Algo quase místico. Uma volta pelos muros oferece vista panorâmica do interior do prédio em decadência, considerado pela Unesco como um dos melhores exemplos de arquitetura militar europeia dos séculos 13 e 14. O historiador Jeremy Ashbee atesta que o prédio contém a mais bem preservada coleção de apartamentos reais medievais do Reino Unido. Conwy, onde fica o castelo, também mantém características como a muralha de proteção, que pede uma visita aos turistas que forem à região.

 

Daniel Leal-Olivas/AFP
Sede do Parlamento do Reino Unido, Palácio de Westminster é famoso também pelo relógio (foto: Daniel Leal-Olivas/AFP)

Sede do Parlamento do Reino Unido, o Palácio de Westminster também é lar do relógio Big Ben. Caso seja sua primeira visita à cidade, procure por uma construção que possa ter cinco quilômetros de corredores e 1 mil salas. Se quiser ver as câmaras dos lordes e dos comuns por dentro é possível acompanhar as atividades da casa durante a semana, de graça, ou fazer um tour guiado aos sábados e ao longo do verão. Há várias opções de visita, inclusive noturnas.

Torre de Londres

Visit UK/Divulgação
A Torre de Londres guarda hoje as joias da Coroa Britânica e é aberta à visitação (foto: Visit UK/Divulgação)
 Construída em 1080, a Torre de Londres já foi zoológico, prisão e casa da moeda, mas hoje guarda as joias da Coroa britânica e é patrimônio mundial da Unesco. Faça a visita guiada com um beefeater, mistura de guarda e guia turístico. Durante o passeio, você poderá manejar uma espada, ver uma coleção de armaduras e conhecer a história dos que viveram ali ao preço de 25 libras.

Kate e William

Chris Jelf/AFP
Casal Kate e Willian com os filhos, George e Charlote, nos jardins do Castelo de Kensington (foto: Chris Jelf/AFP)
 

 Já o Palácio de Kensington, morada do duque e da duquesa de Cambridge (William e Kate) e dos bebês reais, é usado como residência da família real desde o século 17. Quem visita o local pode ver uma exposição sobre a vida da rainha Victoria e os vestidos usados pela princesa Diana, que também morou ali. Funciona todos os dias, das 10h às 18h.

 

Conheça outros reinos onde a monarquia viveu ou vive até hoje o auge do poder

 

Palais Royal, Bruxelas 

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A história da família real britânica foi inciada neste suntuoso palácio (foto: Deviant Art)
 

 Neste suntuoso palácio, o rei Leopold II não apenas realizava seus deveres de Estado, mas também foi onde ele arquitetou um casamento que definiria várias casas reais da Europa em gerações futuras com impactos até os dias de hoje: o da então futura rainha do Reino Unido Victoria com o príncipe Albert de Saxe-Coburg-Gotha. Eles eram seus sobrinhos. Todo verão, desde 1965, de 22 de julho ao início de setembro você pode visitar gratuitamente alguns locais onde este plano foi tomando forma. Como a Grande Escadaria, toda feita em mármore e localizada em uma imensa sala com colunas de pedras, espelhos, lustres dourados e incríveis esculturas.

 

Destaque para a Sala do Império e a Grande Sala Branca, que formam os gabinetes de Estado com imensos lustres de cristal, decoração dourada na parede branca, quadros originais de antigos monarcas e a elegância generalizada digna de um rei. Outro exemplo é a Sala Goya, com as tapeçarias The Dance, The Little Blind Boy e The Water Carrier reproduzindo as obras do pintor em imensos canvas em meio a uma decoração mais sóbria, com móveis e tecidos escuros.

 
Palácio de Versailles, Versalhes 

 Carlos Altman/EM
Jardins do Palácio de Versailles, na França, são, na realidade, uma floresta planejada de 800 hectares, de tirar o fôlego (foto: Carlos Altman/EM)

De fácil acesso, a cerca de 20 quilômetros de Paris, fica o icônico Châteu de Versailles ou Palácio de Versalhes, onde viveram os últimos reis da França, Luís XVI e sua esposa, Maria Antonieta, ambos decapitados durante a Revolução Francesa. O palácio por si só é gigantesco e os jardins – que não são jardins, mas uma floresta planejada de 800 hectares – são, literalmente, de tirar o fôlego. Cada salão é diferente do outro, uma mistura peculiar de estilos em uma mesma construção. As duas primeiras imagens que nos vêm à mente são o Salão dos Espelhos e o quarto de Maria Antonieta, totalmente restaurado após a destruição causada pelos revolucionários.

 

Os turistas se espremem em cada um dos outros cômodos (que não são tão grandes como vemos nos filmes) tentando conseguir um bom ângulo para fotos. Os jardins contêm tantos minijardins em estilos clássicos, flores, esculturas e fontes que é praticamente impossível conhecer tudo, mas certamente valem um passeio. Versalhes foi inspiração para vários outros palácios e jardins ao redor do mundo, e suas características continuam a ser utilizadas por milionários, como Donald Trump, presidente americano, que decorou seu apartamento triplex em Nova York em estilo similar.

 

Schloss Charlottenburg, Berlim 

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Não se paga nada para visitar os belos jardins do palácio na capital da Alemanha (foto: Deviant Art)

 O Schloss Charlottenburg ou Palácio Charlottenburg, em Berlim, é outro exemplo de inspiração em Versalhes. E valeu a pena, pois hoje é considerado o maior e mais majestoso da cidade e uma grande atração turística aos interessados em testemunhar o estilo de vida dos reis prússios e imperadores germânicos. A Sala de Porcelana contém mais de 7 mil sofisticadas peças feitas do material. Já a Sala Branca e a imponente Galeria Dourada são consideradas como tendo alguns dos mais belos interiores em estilo rococó de toda a Europa.

 

Na Sala dos Tesouros da Coroa é possível apreciar, por exemplo, uma insígnia da coroa que foi colocada na cabeça do primeiro rei prússio, em 1701. E a caixa de tabaco de Frederick, o Grande, coberta de pedras preciosas, entre muitos outros objetos, como jóias da coroa (cetros etc.), talheres de metais preciosos, taças raras e itens individuais da incrível coleção de serviço de jantar real produzida em porcelana. Para passear nos lindos jardins formais e informais não se paga nada.

 
Hohensalzburg Fortress, Salzburgo 

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Mozart, um dos mais famosos austríacos, que, segundo rumores, quando criança pediu a também austríaca Maria Antonieta em casamento (foto: Deviant Art)
 

O forte medieval mais poderoso da Europa Central, cuja construção começou em 1077, protege um castelo localizado no topo de uma montanha rochosa que oferece vista panorâmica da cidade de Salzburgo, na Áustria. Apesar da ironia de só ter sido atacado uma única vez, em 1525, a fortificação é uma atração à parte e já foi usada como prisão de guerra para italianos durante a Primeira Guerra Mundial e de ativistas nazistas nos anos de 1930. Acessível por teleférico, elevador (este passa pela casa de Mozart, um dos mais famosos austríacos, que, segundo rumores, quando criança pediu a também austríaca Maria Antonieta em casamento) ou, para os aventureiros, a pé mesmo.

 

Nos prédios do interior do forte você pode conferir o órgão mecânico de 1502 que toca às 7h, às 11h e às 18h do domingo de Ramos a 31 de outubro, todos os anos. Assim como a Câmara Dourada, o cômodo medieval mais magnífico do castelo, decorado com gravuras de videiras, uvas, folhagem e animais; e o Quarto de Dormir, local onde arcebispos com status de príncipes já descansaram. O museu, com entrada franca, que conta a história do local, não deve ser deixado de fora da programação e sempre há exposições diferenciadas, além de concertos de música clássica.

 
Palácio de Drottningholm 

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O Palácio de Drottningholm, em Estocolmo, é uma atração turística imperdível (foto: Deviant Art)
 

 A Suécia é outro país com forte tradição real. Catorze palácios espalhados pelo país já serviram de residência para a corte. O Palácio de Drottningholm, em Estocolmo, é uma atração turística imperdível, além de ser moradia da família do rei Carl XVI desde 1981. Como visitante, você vai ver o exótico Salão Chinês, um jardim barroco, outro inglês, objetos de arte dos séculos 15 a 19, e o teatro real — Slottsteater, de onde partem passeios guiados pelos bastidores. Uma experiência imperdível é assistir a um espetáculo de ópera no local.

 
Palácio Real de Madri - Espanha

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Suntuosidade se vê em todos os cômodos como os lutres de cristais e nos grandes salões do palácio (foto: Deviant Art)
 

Na Espanha, visitar o Palácio Real de Madri é indispensável para apreciar a suntuosidade de uma residência de monarcas. O desenho do edifício é inspirado nos esboços do artista barroco Gian Lorenzo Bernini para o Palácio do Louvre, em Paris. Retangular com um pátio no meio, a estrutura comporta uma galeria e uma praça, em frente ao prédio. O palácio foi construído para ser residência da corte, mas, há alguns anos, a família real espanhola escolheu viver em um local mais modesto, o Palácio da Zarzuela, que leva o nome de uma ópera espanhola. Fica nas montanhas de El Pardo e é menor, mas sem deixar de ser luxuoso.

 
Palácio Apostólico 

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Museu do Vaticano e a Capela Sistina integram o palácio, que é a residência do Papa, no Vaticano (foto: Carlos Altman/EM)
 

No Vaticano, o sistema político é outro: monarquia absolutista. Em vez do rei, quem governa é o papa. O soberano é eleito em um conclave (colégio de cardeais) para um cargo vitalício, e detém os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Quem vai ao país precisa passar pela Praça de São Pedro, ponto de partida para várias atrações. Ali perto estão a Basílica de São Pedro e o Palácio Apostólico, residência atual do papa. O complexo de construções inclui os apartamentos papais (escritórios de governo da Igreja Católica), o Museu do Vaticano e a Biblioteca Apostólica Vaticana. Procure pelos afrescos das capelas Sistina e Nicolina e dê uma passadinha pela Sala Régia — que recebe concertos de música.

 
Palácio do Príncipe de Mônaco

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Muito mais que o conto de fadas, o Palácio de Mônaco foi o lar de Grace e Rainier, as figuras mais cultuadas da realeza européia (foto: Carlos Altman/EM)
 

 A lista de exceções não termina com o Vaticano. Mônaco tem seu diferencial: é um principado com um dos palácios mais incomuns da Europa. Até ser um Estado soberano, o país foi bombardeado por vários vizinhos. Por isso, enquanto os invasores construíam palácios à moda barroca e renascentista, Mônaco teve de erguer um palácio fortificado. O Palácio do Príncipe de Mônaco fica no alto de um rochedo, com vista para o Mar Mediterrâneo. O prédio fica aberto para visitas durante o verão e funciona como museu. No dia a dia, é sede do governo de Mônaco e casa do príncipe Alberto II.

 

 

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