Peça on-line testa elenco atuando ao mesmo tempo no Brasil e na Alemanha

'Revoluções tropicalistas: uma experimentação cênica', do Teatro Lusotaque, de Colônia (Alemanha) tem 11 atores divididos entre os dois países

Mariana Peixoto 09/01/2021 06:00
Alexandra Marinho/Divulgação
Revoluções tropicalistas: uma experimentação cênica, do Teatro Lusotaque, de Colônia (Alemanha), tem elenco de 11 pessoas, divididas entre os dois países (foto: Alexandra Marinho/Divulgação )
Teatro on-line já deixou de ser uma novidade na pandemia do novo coronavírus, com atores e companhias, diante da impossibilidade de ir para os palcos, tentando se reinventar. Mas a proposta do Lusotaque, grupo com sede em Colônia, Alemanha, é das mais complexas. Com quatro apresentações via Zoom neste mês, Revoluções tropicalistas: uma experimentação cênica vai reunir 11 atores no Brasil e na Alemanha, com falas em português e alemão, diferenças de fuso horário e tradução simultânea.

“É muito complexo. Com a exceção de uma atriz, que é de Bonn, e vai estar na casa de outro ator, cada um estará em sua casa. Ficamos seis meses tentando fazer o melhor, porque é bem complicado. Além da (transmissão pela) internet, tem a questão dos barulhos externos, filho, cachorro, vizinho”, comenta a diretora da montagem, Alexandra Marinho, carioca residente em Colônia.

O Teatro Lusotaque foi criado em 2006 na Universidade de Colônia e, desde então, estuda a língua e a literatura portuguesas por meio do teatro. Cada projeto tem um diretor convidado. Quando Alexandra foi chamada para assumir a montagem, a pandemia ainda não havia começado. 

“Os projetos do grupo começam em função da universidade. Quando a pandemia começou, parou tudo e não se falou mais. Comecei a assistir a peças on-line e achei que a gente não poderia ficar parada”, ela conta.

Ao escolher trabalhar em torno da Tropicália – “que, para o alemão, é um assunto novo” –, diretora e equipe fizeram uma imersão em textos, entrevistas e livros do período. O resultado são sete cenas que misturam momentos marcantes da época, como Caetano Veloso fazendo o antológico discurso É proibido proibir, em 1968, no Teatro da PUC-SP, e Rita Lee dentro da prisão, circunstância que a cantora abordou em sua autobiografia.

BRINDE 

“Resolvemos misturar momentos que as pessoas já têm na cabeça com coisas novas”, diz Alexandra. A montagem é aberta com um brinde de José Celso Martinez Corrêa (interpretado por Carol Futuro), falando sobre o tropicalismo, cena baseada no documentário Evoé – Retrato de um antropófago (2011).
 
Nesse momento, a atriz convida os demais atores para entrar em um brinde coletivo. Para a montagem, além de integrantes do grupo, foram convidadas as atrizes Carol Futuro, do Rio, e Andréa Piol, de Fortaleza, que faz o papel de Rita Lee. Ao final da apresentação, que dura 50 minutos, o grupo da plateia on-line é chamado para um debate.

Alexandra, depois dos meses se dedicando à produção on-line, acredita que, mesmo remotamente e para um público em casa, o que o grupo está fazendo é teatro. “Antes de o processo começar, eu tinha uma resposta. Hoje, minha visão para o que está acontecendo no mundo das artes é outra. Claro que, tecnicamente falando, a gente sabe que não é, pois a questão de estar todo mundo no mesmo espaço não acontece. Quando começamos, em que tudo era novo e eu só tinha a experiência com plateia, estava bem insegura. Mas, no fim das contas, tenho o sentimento de que nós estamos fazendo uma peça de teatro.”

REVOLUÇÕES TROPICALISTAS: UMA EXPERIMENTAÇÃO CÊNICA
Espetáculo on-line com o Teatro Lusotaque. Apresentações via plataforma Zoom em 9, 16, 23 e 30 de janeiro, às 15h. Gratuito. As inscrições deverão ser feitas no endereço nesse link