Com Francesco, Paulo Goulart Filho se despede de BH

Última sessão de peça com texto do italiano Dario Fo, que retrata episódios da vida de Francisco de Assis, será nesta segunda-feira (23)

Augusto Pio 23/12/2019 06:00
Rodrigo Veneziano/Divulgação
Paulo Goulart Filho em cena como Francesco, espetáculo dirigido pela atriz e diretora Neyde Veneziano (foto: Rodrigo Veneziano/Divulgação)
Ator, diretor, coreógrafo e bailarino, Paulo Goulart Filho sobe aos palcos para encerrar a temporada do monólogo Francesco, do dramaturgo italiano Dario Fo. O espetáculo tem sua última sessão em BH nesta segunda-feira (23), às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil, na Praça da Liberdade. Nascido em São Paulo, o artista é filho dos atores Paulo Goulart e Nicette Bruno, e irmão das atrizes Bárbara Bruno e Beth Goulart. “Fui bailarino por muito tempo e agora me dedico mais à carreira de ator. Gosto também de dirigir, embora tenha feito poucas direções no teatro, porque, como ator, tenho uma visão direcional do espetáculo, o que me ajuda muito”, acredita.

Em versão dirigida pela atriz e diretora paulista Neyde Veneziano, que fez pós-doutorado em Milão sobre Dario Fo (1926/2016), onde conheceu o espetáculo lançado por ele em 1999, o texto não trata São Francisco de Assis como santo, mas, sim, como o grande homem de paz que ele era, recontando a sua história. A adaptação brasileira foi atualizada pelo próprio escritor.

Goulart explica que este foi o último texto de Dario Fo e no qual ele também atuou. “Na verdade, são contos populares de São Francisco, não é a história da vida dele. São cinco episódios que contam passagens dele, mas num contexto mais popular do que religioso. São vários casos interessantes, com ele contando episódios do evangelho para as pessoas. Trata-se de uma versão mais popularesca de São Francisco, que eu, inclusive, não conhecia, pois não tinha essa visão dele, que era, na verdade, um grande ator, um grande contador de histórias. Ele levava mensagens do evangelho para o povo de uma forma muito lúdica.”

O ator conta que o espetáculo mostra bastante essa visão do santo. “Principalmente, a essência dele, os seus valores, o abrir mão de uma vida material, o conviver com o mínimo possível, levando caridade, paz e amor para as pessoas, mas sem nenhum cunho religioso. O texto de Fo é baseado nas histórias orais reveladas por companheiros de Francesco, que viveu no século 13.”

É fato conhecido que a Igreja nunca aceitou a imagem do santo que não fazia milagres e era uma espécie de Robin Hood. “Trata-se de histórias de São Francisco, antes de se dedicar à pobreza, como na vez em que foi até Roma e lá trocou de roupa com os mendigos. O dramaturgo italiano aborda esse lado do personagem, próximo de um artista de rua da Idade Média”, ressalta Goulart.

Quanto ao fato de ter nascido em uma família de artistas, Goulart conta que sempre viveu nesse meio de teatro e televisão. “Diante disso, sempre convivi com autores e diretores. Então, esse meio sempre foi muito familiar para mim e o grande legado que meus pais me passaram foi, realmente, o comprometimento com a nossa arte, com o ofício do ator. O ator, sim, tem a capacidade de ser vários em um só, de viver várias vidas. Emprestamos nosso corpo, a nossa voz, nossos sentimentos.”

ESTREIAS EM 2020 

Ele lembra que Paulo e Nicette sempre foram atores e nunca pensaram em fama, dinheiro e sucesso. “Isso porque é resultado de um trabalho. Fama e dinheiro nunca foram o foco principal para eles, pois vêm isso como resultado. Acho que esse é o grande legado que eles me passaram, além da disciplina e do estudo. Sendo ator, você tem muitas vezes que abrir mão do seu próprio eu para entender o outro. Assim, a gente acaba entendendo um pouquinho mais o ser humano, vivendo vários. Isso foi o que me fez ser ator, poder vivenciar outras vidas e passar essas mensagens através dos personagens, para que as pessoas possam enxergar o mundo de uma forma melhor.”

Sobre os planos para 2020, Goulart conta que deverá fazer turnê por várias capitais brasileiras no ano que vem. “Pretendemos também fazer o circuito do Banco do Brasil Cultural, que tem no Rio e Brasília, mas ainda não há nada certo. Estreamos no Centro Cultural em São Paulo e BH é a segunda praça que fazemos. Ainda não temos nada programado, ou seja, novas apresentações para o ano que vem, mas estamos correndo atrás.” Quanto à televisão, ele conta que está com projeto novo, mas alega que não pode adiantar nada por enquanto. “Aguardem, pois no ano que vem teremos novidades na telinha”, diz.

FRANCESCO
Nesta segunda-feira (23), às 19h, no CCBB-BH, na Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Vendas on-line: www.eventim.com.br. Informações: (31) 3431-9400.