Teatros de BH passam por reforma para receber programação 'potente'

Teatros Francisco Nunes, Marília e Raul Belém Machado passarão por obras que custarão cerca de R$ 365 mil

por Gustavo Werneck 11/03/2019 07:50
Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Francisco Nunes passou por reformas em 2014, mas infiltrações ainda causam cheiro de mofo no teatro (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )

 

Cheiro insuportável de mofo, ar-condicionado inoperante, banheiros capengas e outros problemas em cartaz. Quem foi ao Francisco Nunes, durante a recente Campanha de Popularização Teatro & Dança, sentiu o drama durante os espetáculos, e se surpreendeu, pois, em 2014, o espaço localizado no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, passou por grande reforma a fim de garantir mais conforto aos 543 pagantes. Na mesma época, o Teatro Marília, na Avenida Alfredo Balena, também foi alvo de obras da prefeitura e ganhou mais lugares, passando de 185 para 256. A partir desta segunda-feira (11), os dois equipamentos culturais municipais ficarão fechados até fim de abril, informa a diretora de Promoção das Artes da Fundação Municipal de Cultura (FMC), Aline Vila Real. “Temos que arrumar a casa para receber uma programação potente”.

Segundo a diretora, serão investidos pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), no “plano de reforma” do programa de Requalificação dos Teatros Municipais, o total de R$ 365 mil, com serviços a cargo da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Sudecap). Nessa conta, entra também o terceiro equipamento cultural, o Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado, no Bairro Alípio de Melo, na Região Noroeste: ele terá instaladas as varas cênicas e pintura da caixa cênica, o que ficou faltando na inauguração em 2016. Com capacidade para 160 pessoas (teatro) e 1 mil (esplanada), o equipamento do Alípio de Melo não ficará fechado nesta temporada.

Os recursos para o Francisco Nunes são da ordem de R$ 64,4 mil e deverão tentar resolver o problema das infiltrações que causam o cheiro de mofo ao teatro. Aline explica que os serviços – “não chamamos de obras, mas de reformas” – têm o caráter de manutenção dos prédios. “Após as obras de 2014, faltou planejamento para a manutenção”, esclarece a diretora sobre a necessidade das atuais reformas. No foco do chamado Chico Nunes, estão a infiltração de água de chuva que atinge subsolo, camarim e sala de aquecimento, limpeza geral do ar-condicionado, reparos nas portas dos banheiros, no foyer e em outros setores.

BILHETERIA ELETRÔNICA
Já no Marília, restaurado também em 2014 dentro do programa Adote um Bem Cultural, o invJue fica à esquerda na fachada. O teatro, adianta a diretora de Promoção das Artes, está a caminho de se transformar num Centro de Referência da Dança, já tendo, inclusive, orçamento para as atividades. Os teatros vão ganhar ainda bilheteria eletrônica.

Editais para ampliar e aprimorar produções
O Programa de Requalificação dos Teatros Municipais da PBH inclui a abertura de editais para a seleção de produções artísticas que irão compor a programação dos teatros Marília, Francisco Nunes e do Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado. Em nota, a Fundação Municipal de Cultura (FMC) informa que serão lançados três editais: o CenaPlural, o Chamamento e Autorização de Uso dos Teatros Municipais e o Chamamento para Autorização de Uso da Esplanada do Espaço Cênico Yoshifumi Yagi. A previsão é que os projetos selecionados comecem em junho.

Os editais CenaPlural e o de ocupação dos teatros contemplarão atividades artísticas e culturais nas categorias teatro, dança, circo, contação de histórias, música e outras linguagens, enquanto o de ocupação da Esplanada do Espaço Cênico Yoshifumi terá foco nas produções de circo de lona itinerante. Ainda estão previstos para o início do segundo semestre, os lançamentos dos editais inéditos de Criação de Obras de Artes Cênicas, que vão estrear e fazer temporadas nos teatros, e de Ocupação Plena dos Teatros em novembro.

Aline Vila Real, diretora de Promoção das Artes da FMC, ressalta que o programa tem como objetivo aprimorar e ampliar a programação nos três equipamento municipais. ”Acreditamos que os teatros podem assumir o compromisso de provocar a produção artística da cidade, por meio de editais de criação e ocupações coletivas, assumindo, para além da sua vocação como espaço de fruição artística, o papel propositivo e, consequentemente, fortalecendo sua identidade”, destaca.

Os espetáculos selecionados pelo Edital CenaPlural, que têm entrada gratuita e antes eram destinados a diferentes equipamentos da FMC, nesta edição passam a integrar prioritariamente a programação dos teatros municipais. “A intenção é potencializar a programação retomando projetos bem-sucedidos, como Terça da Dança e Música de Domingo, e propor novos, como Férias nos Teatros, Semana da Criança e comemorações do aniversário de BH”, destaca.

ISENÇÃO Todos os editais contarão com recursos financeiros para a realização das atividades, sendo que os chamamentos de ocupação dos espaços contam com repasse de bilheteria, e os demais com recursos diretos. Outra novidade é a abertura, ainda no primeiro semestre, do processo de licitação para a instalação da bilheteria eletrônica nos três teatros, possibilitando agilidade e maior conforto ao público. De forma incrementar a programação e estimular os produtores, os editais vêm com isenção da taxa 10% sobre a bilheteria, observa a diretora.  

OBRAS EM CENA

Plano de reforma de três teatros municipais vai custar R$ 365 mil, com recursos da Prefeitura de Belo Horizonte


1) Teatro Francisco Nunes
Região Central

>> Última intervenção: 2014
>> Investimento atual: R$ 64,4 mil. A casa ficará fechada até o fim de abril
>> Serviços: Acabar com a infiltração de água de chuva que atinge subsolo, camarim e sala de aquecimento, fazer limpeza geral do ar-condicionado, consertar portas dos banheiros, recuperar o foyer e outros setores

2) Teatro Marília  
Região Central

>> Última intervenção: 2014
>> Investimento atual: R$ 204,2 mil. A casa ficará fechada até fim de abril
>> Serviços: Recuperar o foyer e consertar o sistema de ar-condicionado e o mezanino (onde já funcionou o histórico Bar Stage Door e a Galeria Guignard), a parte elétrica, que receberá iluminação mais moderna e revisão elétrica eletrotécnica, fazer melhorias na fachada e esquadrias e na ventilação e resgatar uma das marcas do prédio, a vitrine, localizada à esquerda, na fachada

3) Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado
Bairro Salgado Filho,
na Região Noroeste

>> Inaugurado em 2016
>> Investimento de agora: R$ 96,5 mil.
>> Não ficará fechado durante os reparos
>> Inaugurado em 2016
>> Serviços: Serão instaladas as varas cênicas e feita a pintura da caixa cênica, o que não feito na época da inauguração

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