Escrita há 30 anos, montagem de Fulaninha e Dona Coisa se adapta aos novos tempos

O texto de Noemi Marinho, um dos grandes sucessos do teatro nacional nos anos 1980, volta aos palcos sob a direção de Daniel Herz

por Helvécio Carlos 23/11/2018 08:10
Gui Maia/Divulgação
(foto: Gui Maia/Divulgação)


Mal terminou a novela Orgulho e paixão, a atriz Nathalia Dill pegou a estrada. Sábado (24) e domingo (25), ela chega a Belo Horizonte – depois de passar por Recife, Natal e Fortaleza – com a peça Fulaninha e Dona Coisa. O texto de Noemi Marinho, um dos grandes sucessos do teatro nacional nos anos 1980, volta aos palcos remodelado sob a direção de Daniel Herz. “O Eduardo Barata (produtor) veio com a ideia. Disse que era uma comédia leve, atual. Achamos que valeria a pena, mas com outra roupagem, com um olhar em 2017 e 2018”, diz a atriz, que está em cena com Vilma Mello e Leandro Castilho, em participação especial.

As mudanças acertadas com a produção passam pelo perfil das personagens e referências de conquistas trabalhistas, como a PEC das empregadas, a emenda constitucional que garantiu direitos às domésticas, assunto que há 30 anos, quando a peça foi escrita, nem sequer era discutido. “Focamos um pouco mais na solidão das duas mulheres e como uma depende da outra. Na relação patrão e empregado, não há ninguém acima do outro”, opina. “Nos anos 1980, A Dona Coisa, a patroa, era só cruel. Trouxemos o lado humano, a solidão, para ver que as duas têm o lado bom e o lado ruim, e a plateia possa se identificar com ambas”, observa, lembrando a necessidade de discutir questões mais atuais. “É preciso debater essas conquistas, que, por serem frágeis, podem ser perdidas se não forem discutidas. As reformas da previdência e trabalhista questionam justamente esses direitos.”

A escolha por uma atriz negra para o papel da patroa também faz parte da nova roupagem da peça. “O público poderá ver como inversão de papéis, mas não deveria ser assim. Inclusive, em determinados momentos, fazemos, sim, uma inversão de papéis para provocar o público, questionando o que é certo e o que é inverso.”

Apesar das atualizações, a essência da peça – o humor – foi mantida. “É uma comédia para toda a família, que faz rir e diverte, mas também provoca a plateia. Uma provocação com amor, que é a mais efetiva. A bruta faz com que o público não se identifique e rejeite”, pondera a atriz.

Mesmo não se considerando comediante e reconhecendo ser fã incondicional de quem consegue fazer rir, Nathalia afirma que, nos trabalhos mais recentes, o humor sempre esteve presente, seja em Elizabeta, a mocinha, de Orgulho e paixão, ou Branca Farto, vilã de Liberdade, liberdade. “Levo outros coloridos às minhas personagens.” Ano que vem, ela estará com Gabriel Louchard na comédia romântica Incompatível, dirigida por Johnny Araújo.

FULANINHA E DONA COISA

Texto de Noemi Marinho, direção de Daniel Herz, com Nathalia Dill, Vilma Mello e Leandro Castilho. Sábado (24) e domingo, às 20h. Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia). Classificação: 12 anos.

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