Começa hoje o Festival Estudantil de Teatro em BH; veja a programação

Peças discutem negritude, preconceito, a vida das minorias e o momento político do país

Ricardo Albertini/divulgação
'Prazer', pela do grupo mineiro Cia.Luna Lunera, faz sua 100ª apresentação durante o Feto (foto: Ricardo Albertini/divulgação)
Prazer, peça da Cia. Luna Lunera, abre a 18ª edição do Festival Estudantil de Teatro (Feto) neste domingo (21), em Belo Horizonte. Até dia 26, serão apresentados 10 espetáculos de grupos da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

“A Luna Lunera tem muita afinidade com o Feto. É uma companhia muito querida, pois se formou dentro de uma escola de profissionalização de teatro, o Cefart da Fundação Clóvis Salgado. O processo colaborativo é parte de sua criação. Pra gente, é muito relevante que eles abram o festival”, afirma Rogério Soares, organizador do Feto.

O festival marca um momento especial da companhia: será a centésima apresentação de Prazer. Além das sessões, o evento promoverá várias atividades formativas gratuitas – entre elas, oficinas e o encontro CaFETO, para discutir a dramaturgia contemporânea.

O Grupo Teatral Junto e Misturado está entre as 10 trupes selecionadas. Integrada por 15 jovens de Itinga, bairro de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, a companhia apresentará o espetáculo Zambi, livre adaptação do musical Arena conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, que estreou em 1965.

“Falamos do processo de formação e destruição dos quilombos no Brasil. Trabalhamos o nosso texto a partir do que o jovem interpreta e reverbera dessa discussão”, afirma o diretor Luide Prins Araújo de Oliveira Bispo.

Com licenciatura em teatro pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luide chegou à comunidade devido à atuação profissional como policial militar. Ao se deparar com a realidade dos jovens de Itinga, ele propôs as oficinas de teatro. Atualmente, são 60 participantes de 13 a 18 anos. “É um momento muito importante de formação. O divisor de águas para que eles saibam se querem seguir a carreira da arte”, explica.

Participar do Feto representa a ampliação de horizontes para jovens que nem sequer tiveram a chance de sair de seu bairro antes de viajar para BH. “É muito legal nos deslocarmos para outro estado para mostrar nosso trabalho, que é consistente”, afirma Luide. Zambi ficará em cartaz na quarta-feira (24), às 15h30, no Teatro Marília.

Por meio de edital, os grupos se inscreveram para participar de duas categorias do Feto: teatro na escola (voltada para instituições secundaristas, grupos formados por estudantes e escolas livres de teatro) e escolas de teatro (com ensino profissionalizante de artes cênicas em todos os níveis).

“Das disciplinas artísticas, o teatro é a que tem maior potencial para a formação cidadã das pessoas. Nas artes cênicas, você tem todas as disciplinas artísticas – arquitetura, música, artes plásticas. Você consegue trabalhar com todas elas no processo criativo”, explica Rogério Soares.

Arte na escola é fundamental para a formação cultural do estudante, defende o organizador do Feto, destacando o papel desses grupos na renovação de linguagens. “Eles são a vanguarda do teatro brasileiro. Sua contribuição é baseada na coragem da experimentação. Nesta edição do festival, um destaque é a dramaturgia autoral. O desenho do texto tem se apresentado como aspecto importante”, afirma Soares.

Os textos se destacam por propor reflexões sobre temas da atualidade. “Neste momento político delicado no Brasil, com tantas contradições, os jovens procuraram reforçar o que acreditam. Os espetáculos falam de negros, mulheres, das minorias em geral. O tema das minorias está bastante presente”, adianta.

PRAZER 
Espetáculo de abertura do Feto. Com Cia. Luna Lunera. Neste domingo (21) às 19h. Grande Teatro do Sesc Palladium. Avenida Augusto de Lima, 420, Centro, (31) 3270-8100. R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada). Programação completa: www.fetobh.com.br.

Fascimo em cena

Marina Viana, diretora de Manual dx guerrilheirx urbanx, destaca a importância do Feto para Belo Horizonte. “Há quase 20 anos, pessoas da minha geração começaram a se mobilizar em torno do festival. Muitos coletivos surgiram a partir dessa mobilização”, observa. A peça ficará em cartaz na terça-feira (23), às 20h, Teatro Francisco Nunes.

Paulo Lacerda/divulgação
Criada por alunos do Cefart, Manual dx guerrilheirx urbanx se inspira em texto de Carlos Marighella (foto: Paulo Lacerda/divulgação )

Manual dx guerrilheirx urbanx foi criado colaborativamente pela turma de formandos em artes cênicas do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart) do Palácio das Artes, em 2017. A inspiração é o Manual do guerrilheiro urbano, escrito por Carlos Marighella (1911-1969).

“Esse texto circulou muito no período da ditadura. É o passo a passo de como o guerrilheiro deve se portar e traçar estratégias de ação”, diz. Marina considera importante retomar o manual no momento de ascensão do fascismo no Brasil. “Ele questiona quais são as nossas armas. A peça faz o trabalho de vasculhar e brincar com ele para transpor tais ideias para nossos dias. O texto é muito identitário. Nestes nossos tempos, surgem várias questões relativas à identidade. É um espetáculo que se pretende manifesto para os dias atuais, dizendo como vamos lutar”, conclui a diretora.

Programação

»  TEATRO FRANCISCO NUNES
. Parque Municipal. Avenida Afonso Pena, 1.377, Centro. R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)

Segunda (22)
• 15h30 – Jovens urbanos. Com Grupo Jovens Urbanos, do Rio de Janeiro (RJ). Inspirada nas letras da banda Legião Urbana, peça fala dos desafios da juventude atual e do contexto sociopolítico do país.

Terça (23)
• 10h – Q. Com Grupo Corpo Composto, de Aparecida de Goiânia (GO). Q pode simbolizar uma pessoa, um sentimento, uma provocação.
l 20h – Manual dx guerrilheirx urbanx. Com  Primeiro Núcleo de Carnavandalização e Outras Melitintâncias, de Belo Horizonte (MG). Peça inspirada em texto de Carlos Marighella.


»  TEATRO MARÍLIA
. Avenida Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)

Segunda (22)
• 20h – O trabalho que (não) é sonho (foto). Com Pé de Cabra Coletivo, do Rio de Janeiro (RJ). Jovens atores lutam para manter seu grupo de teatro.
Terça (23)
• 15h30 – O canto da praça. Com Grupo Teia, de Nova Friburgo (RJ). Adaptação do livro de Ana Maria Machado, trama de amor e ódio discute a intolerância e o preconceito.

Quarta (24)
• 15h30 – Zambi. Com Grupo Teatral Junto e Misturado, de Lauro de Freitas (BA). Releitura de Arena conta zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

Quinta (25)
• 19h – Os negros. Com Coletivo Impossível, de Belo Horizonte (MG). Tribunal composto por brancos julga crimes atribuídos a um grupo de negros.


»  ESPAÇO ABERTO PIERROT LUNAR
. Rua Ipiranga, 137, Floresta. R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada)

Quarta (24)
• 20h – Na terceira pedra depois do sol. Com Coletivo Karenin (SP). Peça inspirada na obra do escritor Milan Kundera, em especial o romance A insustentável leveza do ser.

Quinta (25)
• 21h – Eudemonia: Em memória a uma peça nunca encenada. Com Coaxia Coletivo Teatral, de Salvador (BA). Peça discute questões relativas ao feminino e à repressão.


»  TEATRO NOSSA SENHORA DAS DORES
. Avenida Francisco Sales, 77, Floresta. R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Quinta (25)
• 15h30 – A ver estrelas. Com Centro de Pesquisas Teatrais, de Belo Horizonte (MG). O dia a dia do jovem Jonas, garoto pacato que não gosta de festas e adora ver o mundo de sua janela.

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