Musical 'Suassuna - O auto do reino do sol' volta à capital para temporada no CCBB

Com ode à brasilidade, produção estreou no ano passado, justamente em BH. Ator Adrién Alves, da companhia Barca dos Corações Partidos, é um destaques

por Walter Felix 18/10/2018 10:20

O musical Suassuna – O auto do reino do sol estreou no ano passado, em homenagem aos 90 anos de nascimento de Ariano Suassuna (1927-2014). Com texto de Bráulio Tavares e direção de Luiz Carlos Vasconcelos, a montagem perpassa o universo criativo do escritor paraibano, reunindo personagens e elementos de sua obra, além de menções às suas principais referências artísticas. Após circulação pelo Brasil – em que garantiu mais de 20 prêmios e 70 mil espectadores, incluindo duas sessões na capital mineira –, o espetáculo retorna para cumprir temporada mais longa em BH, a partir desta sexta-feira (19), no CCBB.


Jonatas Marques/Divulgação
O ator Adrén Alves interpreta as personagens Sultana e Eufrásia no espetáculo dirigido por Luiz Carlos Vasconcelos (foto: Jonatas Marques/Divulgação)
A história acompanha um circo em passagem por Taperoá – cidade real, onde o autor morou parte da vida, e cenário de algumas de suas peças, como o emblemático Auto da compadecida (1955). Na localidade, os artistas se deparam com a rixa entre duas famílias, que disputam o poder e as terras da região, acirrada com o amor proibido entre seus herdeiros. A dramaturgia contempla o fascínio de Suassuna pela arte circense e apresenta figuras presentes em Uma mulher vestida de sol (1964) e O romance d’A pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta (1971).

O elenco é formado por integrantes da companhia Barca dos Corações Partidos. Um dos destaques é o ator Adrén Alves, conterrâneo do homenageado, que surpreende ao dar vida a duas personagens femininas: Sultana, a dona do circo, que gerencia uma trupe formada por homens; e Eufrásia, a centenária matriarca de um dos clãs em pé de guerra.

“São duas cargas emocionais muito diferentes. Eufrásia representa a mulher sertaneja, forte. Já Sultana é mais doce, uma mulher do mundo, que faz as vezes de cantora lírica, cartomante, bailarina e atriz”, descreve o ator. Para compor Eufrásia, ele conta ter buscado inspiração nas mulheres com quem conviveu em sua cidade natal, Campina Grande. Já Sultana remete às sulistas, trazendo um “pegada europeia”, segundo Adrén.

Além de atuar, ele compôs uma das canções, Oh linda rosa do jardim. O mineiro Renato Luciano, também membro da companhia, foi outro a colaborar com a trilha sonora, encomendada aos paraibanos Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho.

LEGADO Para Adrén, a peça dá conta de um passeio por todo o legado de Ariano Suassuna. “Caminhamos pela vida do escritor, não de forma biográfica, mas pelo viés das inspirações que acompanharam sua trajetória”, diz. O clássico Vidas secas (1938), de Graciliano Ramos, e o herói às avessas Dom Quixote – figura que ecoa nos personagens João Grilo e Chicó, do Auto da compadecida – ganham referências na dramaturgia. As influências europeias e o Movimento Armorial, fundado por Suassuna no intento de unir o popular e o clássico, também estão presentes.

Nascido em João Pessoa e criado em Taperoá, o autor passou a vida em Pernambuco, no Recife, e tinha como marca o orgulho de sua brasilidade, valor abraçado pelo espetáculo. “Ele era apaixonado pelo Brasil e tinha verdadeira idolatria por nossa cultura popular. O sertanejo, entre seus familiares e conhecidos, era sua maior inspiração. Embora tivesse muitas referências europeias, o Brasil era a sua bandeira”, lembra Adrén. “Neste momento, em que a cultura está tão abalada, tão sofrida e carente de valorização entre as questões políticas, tentamos levar à conscientização por meio de Suassuna.”

SUASSUNA – O AUTO DO REINO DO SOL
Texto: Bráulio Tavares. Direção: Luiz Carlos Vasconcelos. De 19 de outubro a 12 de novembro. De sexta a segunda-feira, às 20h. No CCBB. Praça da Liberdade, 450, Funcionários. (31) 3431-9400. Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada). Vendas antecipadas pelo site eventim.com.br.

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