Ary Fontoura e Ana Lúcia Torre estreiam 'Num lago dourado" em BH

Estreia em BH a Num lago dourado, peça de Ernest Thompson dirigida por Elias Andreato. Na trama, casal de idosos recebe a visita da filha, que faz um acerto de contas com o pai

por Ana Clara Brant 13/10/2018 11:07
Joao Caldas/Divulgacao
Ana Lúcia Torre comenta que o colega é uma pessoa divertida e extremamente delicada (foto: Joao Caldas/Divulgacao)

Em abril do ano passado, quando se preparavam para estrear, o elenco e a produção de Num lago dourado receberam uma carta do autor da peça, o escritor norte-americano Ernest Thompson, lamentando que não poderia conferir a montagem brasileira, mas desejando boa sorte. O dramaturgo escreveu ainda que tinha certeza de que todos os envolvidos se divertiriam um bocado com a produção. “Foi uma carta muito simpática. A partir daí, a gente viu que o texto original dele realmente era leve, engraçado, ao contrário da versão que ficou mais famosa, a do cinema, que tinha uma carga mais pesada, dramática”, conta a atriz Ana Lúcia Torre, que, ao lado de Ary Fontoura, encabeça o elenco da peça, em cartaz hoje (13) e amanhã no Cine Theatro Brasil Vallourec.

O filme de 1981 serviu como acerto de contas entre os atores Jane Fonda e Henry Fonda, pai e filha, que sempre tiveram uma relação complicada, sobretudo, após o suicídio da mãe da atriz, a socialite Frances Seymour Ford. Além de atuar, Jane produziu o longa-metragem. “O pai já estava muito doente tanto que foi o último trabalho dele. Esse filme foi uma espécie de resgate que acabou com a discórdia – já que na trama eles também interpretam pai e filha – e ainda deu o primeiro e único Oscar a Henry Fonda. Katherine Hepburn, também no elenco, levou a sua quarta estatueta. Por todo esse contexto, no cinema ele foi mais pesado, mas optamos por seguir o texto do Ernest, que é mais leve e engraçado”, explica o diretor Elias Andreato.

Na história, Norman Thayer (Ary Fontoura), professor aposentado e prestes a completar 80 anos, vai com sua esposa Ethel Thayer (Ana Lúcia Torre) passar as férias em sua casa de verão às margens do paradisíaco Lago Dourado, onde a única visita que recebem é a do carteiro Charlie (Fabiano Augusto). Depois de alguns dias, chega Chelsea (Tatiana de Marca), a filha do casal – que sempre manteve uma relação muito tensa com o pai – em companhia de seu futuro marido Bill Ray (André Garolli) e de seu enteado Billy Ray Jr (Lucas Abdo). Inicialmente, Norman se incomoda com a presença do jovem, mas, em pouco tempo, o garoto se torna o filho que ele nunca teve. Num lago dourado rendeu a Ary Fontoura o Prêmio APTR 2017 de Melhor Ator Protagonista e a indicação ao Prêmio Shell de Melhor Ator. A peça tem tradução de Eloísa Canton, versão de Célia Forte e cenário de Marco Lima.

Bom humor


O diretor conta que, quando Ary Fontoura topou entrar no projeto, foi mais um estímulo para que o foco da montagem fosse na leveza. “O Ary é um ator deslumbrante. Ele não faz o menor esforço para ser engraçado e, ao mesmo tempo, consegue ir para esse caminho da delicadeza, da poesia”, analisa Andreato. Ana Lúcia Torre também é só elogios ao parceiro. Os dois já haviam contracenado na peça Rasga coração (1980), mas é a segunda vez que interpretam um casal. Em 1997, eles viveram os impagáveis Pitágoras Williams Mackenzie e Cleonice na novela A indomada, que está sendo reprisada no Canal Viva. “Ary é um dos atores mais fantásticos e completos do Brasil. Quem convive com ele se apaixona. Não tem jeito. É um ser humano de um caráter único e ainda é muito bem-humorado. Está sendo maravilhoso reviver essa parceria”, ressalta Ana, que costuma dar uma “espiadinha” no Viva, de vez em quando, para rever a trama de Aguinaldo Silva. “Ainda mais que ela é exibida bem tarde, então eu chego das gravações ou da peça, e fico assistindo para relaxar. Dou tanta risada.”

A atriz ressalta que, em seus 43 anos de carreira, nunca tinha encontrado um grupo – elenco, produção, diretor, camareiras, maquiadoras – de tanta afinidade e tão coeso. “É raro isso acontecer. Criamos um grupo de WhatsApp e nos falamos todos os dias”, conta a veterana, elogiando a generosidade do diretor. “Elias Andreato tem uma compreensão geral do nosso trabalho, o que nos dá muita tranquilidade. Não quero outra vida.”

Ana destaca a abordagem do amor na terceira idade, pois Norman e Ethel estão casados há quase 50 anos e ainda se amam muito, embora tenham personalidades bem distintas. “Norman é lunar e Ethel é solar. Mesmo com essa disparidade, eles conseguiram manter a convivência, se respeitam e se entendem profundamente”, analisa.

As relações entre o casal e os filhos são bem expostas no enredo e cabe à personagem de Ana Lúcia contornar essas situações. “Ela é o equilíbrio da família”, pontua a atriz, que convida o público a bater um papo com o elenco no saguão do teatro após as sessões. “A gente fica lá até o último ir embora. Acho bacana termos esse retorno, trocar ideias.”

O diretor Elias Andreato destaca que tudo que está ligado à família toca as pessoas por se identificarem com algum personagem ou situação. “O avô, a avó, o tio, a tia, a filha, o vizinho. Todos estão representados ali. É uma Sessão da tarde no palco. A peça não radicaliza nem para o drama e nem é uma comédia rasgada. Você vai rir e se emocionar, mas tudo na hora certa.”

Num lago dourado


Peça de Ernest Thompson. Direção de Elias Andreato, com Ary Fontoura, Ana Lúcia Torre, Tatiana de Marca, André Garolli, Fabiano Augusto e Lucas Abdo. Hoje, às 21h; e domingo, às 19h. No Cine Theatro Brasil Vallourec (Praça Sete, s/nº, Centro, (31) 3201-5211). Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Vendas na bilheteria do teatro ou pelo site www.eventim.com.br. Classificação: 10 anos. As duas apresentações terão tradução para Língua Brasileira de Sinais.

Caldas/Divulgaca
Ary Fontoura vive o protagonista da trama e consegue dar leveza e humor ao texto (foto: Caldas/Divulgaca)


Parceria em novela

Além da peça, Ana Lúcia Torre está no elenco de Espelho da vida, novela das 18h, que estreou no fim de setembro e está sendo gravada em Mariana, Tiradentes e Ouro Preto. Ela brinca que, apesar de ter feito poucas cenas em Minas, já está falando uai. “Gravei pouco aí, porque minha personagem fica mais em estúdio, sobretudo na pensão, que ela é dona. Mas semana que vem, vamos voltar para uma externa porque não temos cidade cenográfica. É tudo nas cidades históricas. Adoro Minas Gerais”, afirma.

Embora se chame Gentil, a personagem de Ana Lúcia é mal-humorada e vive implicando com a filha Lenita (Luciana Paes) e com a irmã Margot (Irene Ravache). É o segundo trabalho da atriz com a dramaturga mineira Elizabeth Jhin. O primeiro foi Verbena, de Amor eterno amor (2012), que, como Espelho da vida, é um folhetim com temática espiritualista. “Mesmo depois de seis anos, até hoje tenho retorno nas ruas desse meu papel. E gravamos em Minas também, mas em Carrancas. O mais curioso é que as pessoas estão comentando comigo dessa retomada da parceria com a Elizabeth Jhin. O público tem um carinho grande por ela”, comenta.

Ana Lúcia Torre diz se sentir à vontade na trama que aborda vidas passadas e reencarnação, pois sua família é espírita. “Na minha casa, todos se voltaram ao espiritismo quando eu tinha 5 anos. Meu pai atuou como médium até falecer, sempre ajudando as pessoas. Apesar de a Gentil ser descrente e não ter nenhuma ligação com o tema, é um assunto muito presente na minha vida. Acho interessante esse tema chegar ao telespectador através de uma novela.”

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