Mundo das Sombras: escultor Angelo Venosa exibe obras que dialogam entre o visível e o invisível

Em 'Penumbra', Angelo Venosa impressiona o espectador ao criar interações entre luz e sombra. Exposição fica em cartaz até novembro, no Memorial Vale Minas

por Mariana Peixoto 26/09/2018 08:55
FOTOS: FELIPE AMARELO/DIVULGAÇÃO
(foto: FOTOS: FELIPE AMARELO/DIVULGAÇÃO)
“Como podemos ver mais do que vemos?” A curadora Vanda Klabin propõe essa questão ao espectador de Penumbra, exposição de Angelo Venosa que estará em cartaz a partir desta quarta-feira (26), no Memorial Vale Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Um dos poucos artistas dedicados à escultura egressos da chamada Geração 80, o paulista radicado no Rio de Janeiro volta a ter sua obra apresentada em Belo Horizonte quatro anos depois de o Palácio das Artes exibir a retrospectiva de seus 30 anos de carreira.

A grande maioria das obras é recente. A exposição que chega à cidade é um recorte da mostra concebida para o Museu Vale, em Vila Velha, Espírito Santo. Serão ocupadas duas salas do Memorial, além do jardim.

Três grandes esculturas serão expostas na galeria e outra na área externa. Além disso, há uma série de obras de pequenas dimensões. Todas as peças são em madeira, tecido ou fibra de vidro.

“Tinha o desejo de fazer uma exposição trabalhando com sombras. Uma coisa que definiu a mostra é que, no final do ano passado, fiz residência de três meses em um estúdio nos Estados Unidos. Ao ficar afastado de tudo, ensimesmado, comecei a retomar alguns processos, a minha maneira de trabalhar nos anos 1980”, comenta Venosa.

Tanto por isso, a escultura exposta no jardim do Memorial, de 1987, dialoga com as peças atuais. “Mas há uma diferença, pois, passados 30 anos, tanto o mundo quanto eu mudamos”, continua o artista, que em agosto completou 64 anos.

“No passado, trabalhava sozinho, desenhando direto na chapa de madeira, cortando, modificando. Hoje, não tenho mais força física para fazer isso. Já há uns 15, 20 anos, uso computador (Venosa atuou também como designer gráfico). Primeiramente com modelagem 3D, e, nos últimos cinco anos, com impressão 3D”, conta.

ERROS

Com cinco impressoras 3D de diferentes tamanhos, Angelo Venosa consegue “brincar” com as máquinas. “As impressoras foram pensadas para um engenheiro, tudo deve ser preciso. Mas na vida real, há muito problema”, continua. Tanto por isso, ele, intencionalmente, provocou erros na impressão.

“Um (erro) muito conhecido é quando a peça fica com pelinhos. Quando provoco um ‘acidente’, não necessariamente vou ter a peça que quiser, mas um imprevisto”, observa.

Tais “imprevistos” poderão ser vistos em uma das salas do Memorial Vale. Como não foi possível escurecer o espaço, a montagem reúne, em quatro mesas, várias peças de pequeno porte impressas em 3D.

Já em outra sala estarão três peças, todas produzidas para a exposição. De maior porte, as esculturas permitem a experiência da sombra proposta pela curadoria da mostra. “Uma delas estará pendurada, então provavelmente vai se mover. É interessante ver a sombra se alterando, pois ela reforça a leitura indireta do que se está vendo. Te faz pensar a respeito”, conta o artista.

Para Vanda Klabin, o “hiato entre a forma real e a projetada se intensifica e o espaço perde a sua qualidade estática, a sua serena passividade, e surge um espaço fluido.”.

CENÁRIOS

Filho de imigrantes italianos, Angelo Venosa, ainda criança, acompanhou o pai, Giuseppe, projetar e realizar cenários no Clube Paulistano. Ele frequentou a Escola Brasil, na capital paulista. Em 1974, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar desenho industrial na Escola Superior de Desenho Industrial (RJ).

Nos anos 1980, frequentou cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e fez mestrado, que levou o título de “Da opacidade” (2007), na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A escultura se intensificou em sua obra a partir de 1984, quando criou o Ateliê da Lapa em parceria com Daniel Senise, Luiz Pizarro e João Magalhães. Naquele momento, deu início a experiências tridimensionais em madeira.


PENUMBRA
Exposição de Angelo Venosa. Memorial Minas Gerais Vale. Praça da Liberdade, 640, Funcionários. Terça, quarta, sexta-feira e sábado, das 10h às 18h; quinta-feira, das 10h às 22h; e domingo, das 10h às 16h. Até 25 de novembro.

IRRADIAÇÃO
“Ao trabalhar com a irradiação do visível, Angelo Venosa nos faz percorrer as incorpóreas sombras projetadas, introduzindo uma espécie de dupla leitura pela imagem e pelo volume, como um ativador poético que desperta nosso interesse nos avessos, pois há o vazio e uma pulsação temporal e espacial”, afirma a curadora Vanda Klabin a respeito de Penumbra.



"No passado, trabalhava sozinho, desenhando direto na chapa de madeira, cortando, modificando. Hoje, não tenho mais força física para fazer isso. Já há uns 15, 20 anos, uso computador”

“É interessante ver a sombra se alterando, pois ela reforça a leitura indireta do que se está vendo. Te faz pensar a respeito”

>> Angelo Venosa, artista plástico

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