Musical de Miguel Falabella usa humor e poesia para abordar autismo

O som e a sílaba, que estreia hoje em BH, aborda a síndrome de Asperger para discutir aceitação da singularidade

por Walter Felix 11/08/2018 07:00
Pedro Jardim de Mattos/Divulgação
(foto: Pedro Jardim de Mattos/Divulgação)

O poder de transformação da arte se revela na relação de amizade e ensinamentos mútuos entre uma jovem e talentosa autista e sua professora de canto. Defendidas, respectivamente, por Alessandra Maestrini e Mirna Rubim, as personagens desembarcam em BH neste fim de semana com O som e a sílaba, musical escrito e dirigido por Miguel Falabella. Com humor, poesia e árias de ópera, o espetáculo aborda a Síndrome de Asperger, um estado do espectro autista marcado por grandes habilidades, mas também pela dificuldade de socialização.

Para dar vida à personagem Sarah, Maestrini teve acesso a uma extensa pesquisa previamente reunida por Falabella, já há algum tempo aficionado pelo tema. “Cada pessoa tem um jeito de aprender, e o meu não é teórico, é sinestésico. Aprendo muito mais me emocionando e convivendo com o assunto do que se alguém me contar do que se trata”, conta a atriz.

Por isso, sua maior inspiração para compor a protagonista foi a convivência com a cineasta Julia Balducci, portadora da síndrome. “Almoçamos, batemos papo, saquei quais eram as características e pude me conectar a ela. Pude entender a maneira com que ela olha para o outro. Todos os autistas são muito diferentes, e ela é uma só, mas conseguimos encontrar coincidências entre eles, na forma de se comunicar”, observa.

A atriz toma partido em um corrente debate que envolve o assunto. “Muitos não consideram o autismo uma deficiência, mas sim uma característica de personalidade. Como qualquer outro indivíduo, eles têm características que facilitam e atrapalham suas vidas. Se nós temos mais facilidade para o convívio social, eles têm maior foco. Quem vai dizer o que vale mais?”, argumenta.

Ela nota que Sarah tem gerado identificação na audiência. “Todos nós nos identificamos com essa personagem, que se sente diferente e um pouco só, e precisa do outro sem saber, porque a vida só existe em relação (ao outro). O público sai do teatro extremamente emocionado, tanto neurotípicos (sem traços de autismo) quanto os atípicos”, conta Maestrini.

ÓPERA


Na história, Sarah acaba de perder os pais e enfrenta dificuldades em viver na casa do irmão, que é casado. A ex-cantora de ópera Leonor, personagem de Mirna Rubim, a ajudará a desenvolver uma de suas maiores habilidades: cantar. No passado, Leonor foi uma diva internacional de ópera, mas agora convive com o ostracismo. “É um encontro em um momento delicado, um ponto de mutação para ambas. Uma é exatamente o que a outra precisa. Elas conhecem muito bem as questões uma da outra, mas, de início, não sabem disso”, avalia a atriz.

Bem-humorado, o texto reúne piadas internas, que serão facilmente identificadas por autistas e seus parentes. “É um ‘rir com’ e não ‘rir de’. O humor quebra as defesas. Mary Poppins já dizia: ‘Uma colherada de açúcar ajuda o remédio a descer’”, diz Maestrini.

Essa é mais uma das bem-sucedidas parcerias da atriz com Miguel Falabella. Os dois trabalharam juntos no sitcom Toma lá dá cá, exibido entre 2007 e 2009. Ela elogia a capacidade do amigo de reunir, no espetáculo, ópera e autismo de forma leve e aconchegante. “O texto do Miguel é espirituoso. Não é só engraçado, é charmosamente profundo”, avalia.

Para ela, a celebração das diferenças é o grande mote de O som e a sílaba. “É um espetáculo que tem tirado as pessoas do armário. Essa expressão costuma ser usada em sentido sexual, mas existem muito mais armários além do da sexualidade. Esse é um texto que fala a quem se considera diferente e tem orgulho de ser quem é. Isso tem tudo a ver com a proposta do Miguel quando escreveu a história – ele mesmo, sabendo-se diferente, como somos todos nós.”

O SOM E A SÍLABA

Sábado (11/8), às 21h; domingo (12/8), às 19h. Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro. (31) 3201-5211. R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).

FEITOS RECENTES
O som e a sílaba tem cinco indicações ao 6º Prêmio Bibi Ferreira (incluindo Maestrini como melhor atriz e Rubim como melhor atriz coadjuvante), destinado aos musicais da safra 2017/2018. Também por O som e a sílaba (e por Hebe, o musical), Miguel Falabella foi eleito o melhor diretor pelo júri popular do 65º Prêmio Aplauso.

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