Cláudia Ohana e Ney Latorraca falam sobre 'Vamp', que chega a BH

Em musical dirigido por Jorge Fernando, atores reinterpretam personagens da novela 27 anos depois, com uma salada musical e muito humor

por Walter Felix 08/08/2018 09:25

Caio Galucci/Divulgação
(foto: Caio Galucci/Divulgação)
Vampiros são seres imortais, capazes de viajar ao longo dos anos, sem se abater pelas marcas do tempo. Natasha e Conde Vlad provam isso, pois seguem com garras e dentes afiados, quase 30 anos após dar as caras pela primeira vez. Os personagens marcantes de Cláudia Ohana e Ney Latorraca na novela Vamp, exibida entre 1991 e 1992, na Rede Globo, retornam em musical homônimo, que chega a BH no próximo fim de semana. A montagem tem direção-geral de Jorge Fernando e texto de Antônio Calmon – os mesmos responsáveis pelo sucesso na TV.


A equipe busca trazer de volta a atmosfera de comédia e terror que angariou uma legião de fãs, principalmente entre o público infantojuvenil, no início da década de 1990. A premissa é a mesma da novela: a ambiciosa Natasha vende sua alma a Vlad em troca de sucesso como cantora. Ela parte rumo a Baía dos Anjos, pacata cidade onde está escondido o Medalhão do Poder, capaz de livrar a protagonista da maldição de ser vampira por toda a eternidade. Mas o espetáculo não se prende à trama da novela. Vlad ganhou uma mãe, interpretada pela atriz Claudia Netto, e o final da peça é completamente diferente da obra original.

“Não houve preocupação em apresentar algo inédito, mas sim um prazer por fazer coisas diferentes”, avalia Claudia Ohana. “O teatro tem essa magia. Posso fazer o mesmo personagem 27 anos depois, porque, no palco, não temos idade. Mas, sem dúvidas, a Natasha que faço hoje não é igual àquela dos anos 1990. A peça, em si, é outra linguagem, embora carregue algo nostálgico”, avalia a atriz. Também da equipe da novela vieram o figurinista Lessa de Lacerda e o cenógrafo José Claudio Ferreira.

Em geral, atores não gostam de retomar personagens que marcaram suas carreiras. Os astros de Vamp, contudo, não hesitaram em aceitar o convite para ressuscitar Natasha e Vlad. “Não tenho esse tipo de coisa. Sou um ator brasileiro, não de Hollywood. Tenho que sobreviver do meu trabalho e daquilo que me dá prazer. Aos 74 anos, faço o que gosto”, afirma Ney Latorraca.

A peça veio em hora certa, segundo o veterano. Abatido por uma grave doença em 2012, ele se sente revigorado após reencarnar Vlad nos palcos. “Entro aplaudido, todos gritam ‘ele voltou!’, desço para morder as pessoas... Uma loucura! É como um grande evento: muita gente em cena, um entra e sai, 30 atores no palco, além dos músicos. E só de acompanhar aulas de canto e dança com os artistas mais jovens, eu rejuvenesço. O teatro me dá isso e eu estava precisando”, avalia.

Para ele, não há tanto contraste em atuar frente as câmeras ou diante de uma plateia. “Na TV, são quatro câmeras em cima de você, há superclose. No teatro, você tem que ampliar muito mais. Mas sou um ator exuberante e levo esse meu temperamento para a televisão. Se for preciso fazer um Bergman, intimista, que ninguém vai ouvir o que estou falando, faço, mas minha tendência é dar mais vida.”

A trilha sonora traz canções feitas especialmente para o espetáculo, compostas por Tauã Delmiro e pelo diretor musical Tony Lucchesi. Há ainda letras que marcaram a novela, como o tema de abertura Noite preta, agora com novos arranjos, e o clássico Sympathy to the devil, dos Rolling Stones, que já havia sido gravado por Ohana para sua personagem em 1991. Nesta turnê, ela apresenta uma novidade: dois hits de Madonna, Like a prayer e Vogue, em pot-pourri.

Na releitura de Thriller, de Michael Jackson, Ney Latorraca arrisca alguns passos de dança – como na memorável cena da versão televisiva. “Não sou tão bravo dançarino, dou mais pinta. Há um holofote em cima de mim, então qualquer coisa que eu fizer, aparece. Na dança, um gesto suave que eu faça pode ser transferido e repetido pelos bailarinos. Aquilo somatiza e já vira um número”, conta o ator.

IMORTAIS
Sobre Vamp, a novela, os atores lembram que foram pegos de surpresa por um sucesso arrebatador. Ney Latorraca estava escalado para apenas nove capítulos. Sua participação seria pequena por conta do megassucesso Irma Vap, então em cartaz, que fazia ao lado de Marco Nanini. “Eu dizia: o máximo que posso é gravar aqui em São Paulo, em frente ao teatro. Mordo a Cláudia Ohana na rua e já vou para o camarim. As cenas iniciais foram realmente filmadas ali. Mas o papel desandou a crescer, mordi todo o elenco e todos viraram vampiros”, brinca o ator.

Irma Vap lotava o teatro e não me dava tempo para sentir o sucesso da novela. Lembro-me de que tive um dia de folga e fui descansar em uma casa afastada, na serra. No caminho, minha mãe me fez parar em uma escola e dar atenção às criancinhas, dizendo: ‘É seu público!’. Alguns garotos jogavam futebol vestindo capa de vampiro e as meninas estavam todas de Natasha”, lembra Ney.

“Não podia sair na rua, me sentia a Xuxa Dark da época. Não há mais sucessos assim, até porque as novelas não têm a audiência de antigamente”, afirma Cláudia Ohana, que supõe a razão de este clássico das 19h ter sobrevivido ao tempo: “É uma história de vampiro, não é? (risos) Rock e vampiro são imortais. Hoje em dia, se formos assistir à novela, é engraçado como eram prosaicos os efeitos especiais. Mas Vamp virou cult”.

Mesmo amparados por uma história bem-sucedida, os atores sabiam que não havia garantia de novo sucesso. Os ingressos rapidamente esgotados para a primeira temporada, em São Paulo, foram outra surpresa, semelhante àquela de 27 anos atrás. Logo nos ensaios, Ney havia previsto que o musical seria um grande êxito ou um grande fracasso.

“Já fiz trabalhos na TV que foram sucessos arrebatadores e, em seguida, faço uma peça que não vai bem. Cada história é uma história. Já estive em uma novela da Globo em que, na época, as pessoas me paravam na rua e perguntavam: ‘Quando você vai voltar?’”, conta Ney, referindo-se a Sem lenço, sem documento (1977), de Mário Prata. O mesmo autor, um ano antes, havia lhe brindado com um personagem marcante, o Mederiques, de Estúpido cupido (1976). “Fazia o protagonista e achavam que estava fora do ar. Era sem lenço, sem documento e sem ibope”, ironiza.

VAMP: O MUSICAL
Sexta (10/8), às 21h; sábado (11/8), às 17h e às 21h. Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. (31) 3270-8100. Plateia 1: R$ 130 (inteira) e R$ 65 (meia). Plateia 2: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia). Plateia 3: R$ 75 (inteira) e R$ 37,50 (meia). Vendas pelo site www.ingressorapido.com.br.


Arquivo Globo/Reprodução
Latorraca e colegas em 'Anarquistas, graças a Deus' (foto: Arquivo Globo/Reprodução)
E se a moda pega?
Claudia Ohana e Ney Latorraca elegem outros de seus personagens na TV que, assim como Natasha e Vlad, teriam fôlego para retornar em um novo projeto. Cláudia destaca a vilã Isabella Ferreto, de A próxima vítima (1995). “Seria algo como Sunset Boulevard (Crepúsculo dos deuses, filme de 1950, dirigido por Billy Wilder) ou Cruella (a malvada de 101 dálmatas). Mas há outros personagens que adoro, como as de Tieta (1989), Fera ferida (1993) e A muralha (2000)”, opina a atriz. Ney é certeiro, elegendo o mulherengo Quequé e o italiano Ernesto Gattai (personagem real, pai da escritora Zélia Gattai), respectivamente das minisséries Rabo de saia e Anarquistas, graças a Deus, ambas exibidas em 1984. “Estava com 40 anos, já havia feito peça do Fassbinder, Rei Lear, Othelo, Romeu e Julieta... Mas, naquele momento, senti que eu havia acontecido.”

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