Inês Peixoto se prepara para novela da Globo e espetáculo inédito do Grupo Galpão

Atriz mineira será a Socorro na trama de Aguinaldo Silva que estreia em novembro

por Mariana Peixoto 18/07/2018 08:00
Convidada por Luiz Fernando Carvalho para um teste para a minissérie da Globo Hoje é dia de Maria, a atriz Inês Peixoto, depois de fazer uma emocionada cena com Osmar Prado, deixou o Rio de Janeiro com o convite do diretor para interpretar a personagem Madrasta. O telefonema de confirmação do papel, porém, não veio. Até que um dia, na sede do Grupo Galpão, no Horto, Inês recebeu a ligação do diretor.

JAIR AMARAL/EM/D.APRESS
Inês está cheia de projetos para este segundo semestre (foto: JAIR AMARAL/EM/D.APRESS)

“Estou te ligando para falar que você não vai fazer a Madrasta”, disse Carvalho. Inês disse que tudo bem, mas o diretor fez questão de explicar o porquê. “A pessoa que faria a Madrasta (originalmente) me disse que não poderia fazer, porque estava num filme que não terminaria a tempo da minissérie. Só que ela me ligou falando que vai conseguir terminar o filme. Essa pessoa é a Fernanda Montenegro.

Inês, até então, nunca havia feito TV – apenas o especial A paixão segundo Ouro Preto (2001), na verdade, uma adaptação do espetáculo A Rua da Amargura, do Galpão. Ainda impressionada com a notícia de quem seria a dona do papel na minissérie, ouviu de Carvalho que ela não precisava ficar triste. “Vou escrever um personagem para você”, disse ele. Hoje é dia de Maria teve duas temporadas. Na primeira, Inês interpretou Rosa; na segunda, Dona Boneca.

O ano de 2005, quando Hoje é dia de Maria foi ao ar, foi muito produtivo para Inês. No mesmo período, chegou aos cinemas Vinho de rosas, de Elza Cataldo, que abordou a Inconfidência Mineira sob o ponto de vista feminino – no filme, o primeiro longa de Inês, ela interpretou Marília de Dirceu. Desde então – e sempre tendo o Galpão como prioridade – a atriz vem se desdobrando entre teatro, TV e cinema.

Aos 57 anos, 36 de carreira e 26 de Galpão, Inês continua múltipla. Desde março, trabalha na criação do novo espetáculo do grupo. Pela segunda vez consecutiva, o grupo será dirigido por Márcio Abreu – que assinou Nós (2016). O espetáculo, ainda sem título, tem estreia prevista para outubro no Galpão Cine Horto. Já em 12 de novembro, estreia a novela O sétimo guardião, trama de Aguinaldo Silva que substituirá Segundo sol. Inês está no elenco da trama, que será sua primeira incursão numa novela das 21h – na Globo, participou de três séries e duas novelas das 18h.

 

A arte traz uma coisa tão bonita para a gente, pois ela permite que você se coloque em vários lugares, viva o outro, se permeia de outras histórias. Às vezes, bate um cansaço físico, de viajar, mas acho que a arte é muito poderosa como renovação”

Inês Peixoto,
atriz

 

 

“O Galpão é a minha casa. Esses convites que aparecem – não só para mim, mas para outros integrantes, já que somos um grupo de atores – são legais para a gente experimentar outras estruturas. Quando aceitamos outros convites, tudo antes é discutido dentro do grupo”, conta ela, que vem ensaiando diariamente com o Galpão a nova montagem.

PROVOCAÇÕES
O projeto do novo espetáculo teve início em março. Como Márcio Abreu vive no Rio, ele está indo e voltando para acompanhar o processo. Sempre que deixa BH, deixa também com o grupo uma série de tarefas a cumprir. “É uma série de provocações. E o que mais nos tem provocado é pensar o outro, além do mais, porque o último espetáculo foi Nós. É uma pesquisa do outro, sobre o que está acontecendo nas ruas, temas da atualidade, como as vozes abafadas que estão ganhando força. Questões de gênero, feminismo, racismo”, comenta ela.

A dramaturgia da montagem está sendo construída aos poucos. Na próxima semana, quando Abreu retorna a BH para uma temporada que vai se estender por todo o mês de agosto, Inês acredita que a construção do texto será definida. Mas será também em agosto que ela vai começar a gravar O sétimo guardião. Na história, dirigida por Rogério Gomes, ela interpretará Socorro, mãe das personagens Lourdes (Bruna Linzmeyer) e Raimunda (Julia Konrad). A narrativa será ambientada na fictícia Serro Azul (as locações serão em Capitólio, no Sul de Minas).

“Não sei responder sobre isso agora”, diz Inês, a respeito da divisão de tarefas. “Vou deixar o próprio processo nos indicar como fazer. Como uma novela das 21h tem muitos núcleos, ainda não sei como vai ser a assiduidade de gravação”, diz ela, que não se intimida quanto à diversidade do trabalho.

Na próxima quinta-feira (26), Inês participa, com Babaya e o grupo vocal Carona Brasil, do show Em tempo de folia, de resgate de antigas marchinhas. A apresentação da próxima semana será no Memorial da Vale. Já em 2 de agosto, elas repetem a dose no Cine-Theatro Brasil Vallourec. E não para por aí. Inês também está envolvida com dois projetos da diretora Elza Cataldo – o longa de ficção As órfãs da rainha e o documentário O silêncio de Eva. Ambos os projetos têm como foco o protagonismo feminino.

Cansada? De maneira alguma. “A arte traz uma coisa tão bonita para a gente, pois ela permite que você se coloque em vários lugares, viva o outro, se permeia de outras histórias. Às vezes bate um cansaço físico, de viajar, mas acho que a arte é muito poderosa como renovação.”

 

PAPEL DE MÃE

Inês Peixoto já interpretou uma série de mães. Foi como a Sra. Capuleto, a mãe de Julieta, que ela estreou com o Galpão em Romeu e Julieta (1992). Desde então, foi mãe na TV (na novela Meu pedacinho de chão, 2014) e também no cinema (As duas Irenes, de Fábio Meira, e Quase memória, de Ruy Guerra, ambos exibidos recentemente).

3 Tabelas Filmes/Divulgação
Bárbara Luz, filha de Inês Peixoto, estreia no cinema com o longa Unicórnio, de Eduardo Nunes, que será lançado em agosto (foto: 3 Tabelas Filmes/Divulgação)

Agora, a mãe Inês Peixoto acompanha a estreia de sua filha no cinema. Unicórnio, longa de Eduardo Nunes que tem como coprotagonista Bárbara Luz, filha de Inês e de Eduardo Moreira, ator e fundador do Galpão, será lançado em 16 de agosto. Hoje com 16 anos, Bárbara tinha 14 quando filmou, com Patrícia Pillar e Zécarlos Machado, a história adaptada da obra de Hilda Hilst.

Como a escritora paulista é uma das homenageadas da Festa Literária de Paraty (Flip), Unicórnio será exibido no sábado (28)  na cidade fluminense, em caráter de pré-estreia. Na história, Maria (Bárbara Luz) aguarda com a mãe (Patrícia Pillar) a volta de seu pai (Zécarlos Machado). A relação das duas muda com a chegada de outro homem (Lee Taylor) na casa de campo em que moram.

Bárbara fez três testes para conseguir o papel – concorreu com outras 40 meninas. Até então, ela só havia feito uma participação em O menino no espelho (2014), adaptação do livro de Fernando Sabino por Guilherme Fiúza.

“A Bárbara nunca fez curso de teatro. As crianças que convivem muito com arte acabam tendo já um pé dentro, um atavismo”, conta Inês, que acompanhou a filha caçula durante toda a filmagem. “Eu passava antes o texto com ela, que participa de quase todas as cenas do filme”, conta Inês. Tanto ela quanto Eduardo Moreira participaram do filme. “Foi uma pontinha, uma participação carinhosa, para estar junto da Bárbara”, diz.

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