Grupo Galpão e cantata encerram a Campanha de Popularização do Teatro

Campanha chega ao fim neste domingo, 4. Programação ainda tem cantata cênica, espetáculo dirigido por Rita Clemente e comédia de Sérgio Abritta

por Ana Clara Brant 02/03/2018 08:30
Cavalieri/divulgação
(foto: Cavalieri/divulgação )

Em 1982, o Grupo Galpão foi um dos convidados da Campanha de Popularização do Teatro & Dança de Belo Horizonte. E a noiva não quer casar, com direção de Fernando Linares, marcou tanto a criação da trupe quanto sua estreia no evento. “A gente encenou em vários lugares da cidade, como a Praça Sete e a Praça da Liberdade. Foi um sucesso. Era um espetáculo totalmente apresentado na rua. Desde então, participamos de quase todas as edições”, diz o ator Eduardo Moreira.

Das 44 edições do evento, o Galpão esteve em 30. Em 2018, não poderia ser diferente. Assim como ocorreu no ano passado, o grupo vai encerrar a campanha, que chega ao fim no domingo (4). Os gigantes da montanha terá sessões hoje (2) e amanhã (3), às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Domingo (4), às 19h, será a vez do sarau De tempo somos.

REENCONTRO - 
Os gigantes da montanha, que estreou em 2013, foi uma escolha do diretor Gabriel Villela para celebrar o reencontro com o grupo, depois da bem-sucedida parceria em Romeu e Julieta (1992) e A rua da amargura (1994). A peça de Luigi Pirandello narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila mágica, povoada por fantasmas e governada pelo Mago Cotrone.

De tempo somos – Um sarau, dirigido pelas atrizes Lydia Del Picchia e Simone Ordones, tem a música como eixo principal. O grupo apresenta canções, poesia e festa, trabalho que resultou no CD homônimo produzido por Chico Neves.

“A campanha tem um público muito vasto e diverso, então a gente sempre escolhe os espetáculos que se encaixam melhor nesse perfil e vão funcionar melhor em grandes teatros. É bacana, porque surgem espectadores que nunca tiveram contato com o Galpão”, revela Moreira.

CANTATA - 
Outro destaque do fim de semana é a cantata cênica Carmina Burana, em cartaz até domingo no Sesc Palladium. A “quase ópera” é a única no gênero apresentada no evento. O maestro Ernani Maletta, diretor-geral do espetáculo, explica que a produção tem estrutura musical operística, mas prescinde da movimentação dos cantores em cena. Observa que, a rigor, não se trata de uma ópera, por não contar uma história  nem ter enredo.

“É apenas a declamação cantada de poemas, embora haja cenários e figurinos. A gente se aproxima um pouco da dramaturgia, pois nos inspiramos em uma montagem feita para o cinema do diretor Jean-Pierre Ponnelle. Ficou uma belíssima encenação cinematográfica”, festeja Maletta.

A montagem é baseada em poemas profanos medievais escritos em latim e alemão. Os versos exaltam o jogo, o amor e o vinho. Carmina Burana (canções de Beuren), criação do alemão Carl Orff (1895-1982), está entre as obras corais e instrumentais mais importantes do século 20.

Estarão em cena 19 atores, instrumentistas do Grupo de Percussão da UFMG, pianistas, maestros, solistas e 150 integrantes do Núcleo de Corais da UFMG. “O mais bacana é que nesse coral há funcionários, estudantes, professores da universidade e membros da comunidade. Ou seja, 90% não são artistas natos. Mas nem por isso o trabalho deixa de ser grandioso, até porque todos os demais envolvidos são profissionais. É algo que me dá muito orgulho”, destaca Ernani Maletta.



COMÉDIA

Como é tradição, as comédias dominam a programação da campanha. Uma delas é O marido da minha mulher, com direção e texto de Sérgio Abritta, em cartaz no Teatro Monte Calvário. Escrita há quase 30 anos, a peça tem um quê de Dona Flor e seus dois maridos e de Ghost – O outro lado da vida. Alex (Dudu Grafitte) se casa com Bruna (Priscila Spinelli), mas continua a viver como se fosse solteiro. Quando ele morre, ocorrem situações hilariantes.

“É a minha segunda peça. Em 1989, cheguei a ganhar o Prêmio Cidade de Belo Horizonte na categoria dramaturgia. No ano seguinte, com direção do Ricardo Batista, ela estreou e foi para a campanha”, revela Sérgio. A montagem atual mantém o elenco de oito anos atrás. “O fato de os atores estarem super em evidência no teatro, na TV e no rádio ajuda a divulgar a produção. Mas é um espetáculo bem construído, tem uma curva dramática bacana”, diz Abritta.

Balanço

Rômulo Duque, presidente do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc), diz que esta edição da campanha deve chegar a 150 mil ingressos vendidos. “Há uma redução com relação a 2017, quando vendemos 180 mil, mas é um feito. Nenhum festival de teatro no país consegue esse público”, diz. Segundo ele, a queda se deve à crise financeira e à redução de recursos injetados no evento.

CARMINA BURANA – UMA CANTATA CÊNICA
Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3270-8100. Sexta (2) e sábado (3), às 21h; domingo (4), às 19h. R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 11 (preço nos postos do Sinparc).

O MARIDO DA MINHA MULHER
Teatro Monte Calvário. Rua Bernardo Guimarães, 3.148, Barro Preto, (31) 3045-5210. Sexta (2), às 21h, e domingo (4), às 19h. R$ 17 (preço nos postos do Sinparc).

GRUPO GALPÃO

. Os gigantes da montanha. Hoje (2) e amanhã (3), às 21h.
. De tempos somos. Domingo (4), às 19h.
>> Palácio das Artes. Av. Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: R$ 13 (preço nos postos do Sinparc).

EXPERIMENTAL




A marca autoral é o forte de Antes do fim, em cartaz no CCBB, assinada pela atriz, dramaturga e diretora Rita Clemente (foto). A peça se constrói a partir de olhares diferentes, como os capítulos de um livro. Em Selvagem, o violinista César busca reparar injustiça cometida no passado. Em Cruzada, o personagem Marcos, outro musicista, encara as próprias limitações. Em Diáspora, o público conhece a violista Rosa Levy. Depois,
todas essas tramas são “costuradas” pelo olhar de um motoboy. Sessões de hoje (2) a domingo (4), às 19h, com ingressos a R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 10 (preço nos postos do Sinparc). O CCBB fica na Praça da Liberdade, 450, Funcionários.

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