Após fim da temporada da peça 'Gisberta' em BH, ator Luís Lobianco comenta protestos

Comunidade transexual da capital criticou o fato de o espetáculo ser encenado por um "trans fake"

por Pedro Antunes/Estadão Conteúdo Ana Clara Brant 07/02/2018 20:03

O ano mal começou e o ator Luís Lobianco já se viu no olho de um furacão. Logo no quinto dia do ano, data da estreia do espetáculo Gisberta – peça que aborda a vida da transexual brasileira torturada e assassinada em Portugal e que se tornou um símbolo na luta para a erradicação dos crimes de ódio contra gays e transexuais – no Centro Cultural Banco do Brasil, em Belo Horizonte, ele foi surpreendido com protestos dentro do teatro por parte da comunidade trans da capital mineira.

Elisa Mendes/Divulgação
Em 'Gisberta', o artista interpreta personagens que narram a história da transexual assassinada em Portugal (foto: Elisa Mendes/Divulgação)
 

A alegação era de que o espetáculo deveria ser encenado por uma atriz transexual, e não por um “trans fake”. “Realmente, eu não esperava. Em março de 2017, quando estreamos no Rio, chegou a ter alguma movimentação na internet sobre isso. Acho o questionamento saudável, ainda mais com esse tema, mas me colocaram como um vilão”, lamenta.

 

Foi o próprio Lobianco quem correu atrás da história de Gisberta ao lado do dramaturgo Rafael Souza-Ribeiro. Na montagem, ele interpreta pessoas ligadas à artista trans, amigos, a irmã, e mostra o olhar deles sobre a personagem. “A gente tinha estreado, mas muitas pessoas nem sabiam qual era a história. Eu nem faço a Gisberta e, mesmo se fizesse, não vejo o menor problema. É uma criação dramatúrgica. Queria contar usando os meus recursos, seja música, poesia, outros pontos de vistas”, explica. O ator – um dos criadores do fenômeno Porta dos Fundos – acha importante levantar a discussão da inserção de pessoas trans no mercado de trabalho. No entanto, aponta que isso é algo que não cabe a ele. Lobianco afirma que o que mais o chateou, além das adversidades que uma produção teatral normalmente enfrenta no Brasil –  o espetáculo foi contemplado pelo edital do Banco do Brasil pouco antes da estreia – foi a agressividade das pessoas nas redes sociais.

Apesar de ter muito orgulho de Gisberta e de seguir em turnê com a produção no ano que vem por Portugal e Brasil, Luís Lobianco admite que sente um certo desânimo em levar a temática LGBT para os palcos novamente. “Essa é a minha verdade. Sou um ator LGBT. A peça era também para despertar a consciência das pessoas sobre essa causa. Um dia vou poder ter estrutura e condições de escolher profissionais LGBT e trans para trabalhar comigo. Mas eu faço teatro para ser feliz. Tenho certeza de que vou reavaliar se, numa próxima situação, vai valer a pena lidar com coisas tão confusas. A cobrança não tem que ser em cima de mim.”

Mesmo com as polêmicas, ele garante que não ficou nem um pouco traumatizado com a temporada mineira, encerrada na última segunda. Muito pelo contrário. “Adorei esse período no CCBB. Fui muito bem acolhido, todas as 20 sessões em cinco semanas estavam lotadas e isso diz muito sobre uma cidade. Quero agradecer demais ao público de BH. Isso me deu mais vontade de voltar a encenar aí”, ressalta o ator, que se prepara para sua primeira novela, Segundo sol, trama das 21h da Globo escrita por João Emanuel Carneiro, que estreia em maio.”

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