BH ganha dois novos teatros, um em shopping e outro em hotel

Depois de perder 10 teatros entre 2005 e 2015, Belo Horizonte ganha casas de espetáculo que procuram públicos diferentes

por Cecília Emiliana 30/10/2017 09:33
TULIO SANTOS/EM/D.A.PRESS
Teatro Estação Cultural tem capacidade para 400 pessoas (foto: TULIO SANTOS/EM/D.A.PRESS)
Entre 2005 e 2015, Belo Horizonte viu 10 de seus teatros fecharem – média de um por ano –, de acordo com dados do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais, o Sinparc.
E de 2015 a 2017, a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança, maior maratona de espetáculos da cidade, viu seu público cair quase à metade – de 368,3 mil para 184,6 mil pagantes, consideradas também as cidades de Juiz de Fora e Betim, que recebem braços da Campanha.


No entanto, a capital mineira parece ensaiar uma leve recuperação desse cenário, com a abertura, nos últimos meses, de dois novos espaços dedicados às artes cênicas. Há um terceiro com previsão de inauguração para janeiro de 2018.

Os novos teatros localizam-se num shopping (Estação) e num hotel (Ouro Minas), o que deixa clara a intenção dos empreendedores de conquistar um público que já circula por esses ambientes. O Teatro Estação Cultural, situado dentro do Shopping Estação, na Região Norte, foi inaugurado em julho deste ano e conta com 410 lugares, numa área total de 1 mil m², que inclui ainda camarins, o aparato técnico necessário à encenação e uma pequena galeria de arte.

Segundo o produtor e coordenador da casa, Tiago Comédia, mais de 100 espetáculos foram realizados no local desde a abertura. “O shopping é, hoje, um grande centro de entretenimento. Manter um teatro dentro dele, portanto, é estratégico. É um movimento parecido com o que os cinemas fizeram no passado”, afirma.

A estratégia de conquista dos espectadores envolve ainda uma pequena peregrinação do elenco dos espetáculos pelos pisos do centro de compras. Pouco antes do início de cada apresentação, devidamente vestidos com seus figurinos, os atores saem para convidar as pessoas a assisti-los.

O foco em montagens infantis e de humor também faz parte da aposta da administração do complexo para atrair pagantes. “Além disso, o Estação Cultural é um teatro de fácil acesso para quem mora na Região Norte. Não há muitos palcos por essas bandas”, observa o produtor.

Demétrio Aguiar/Divulgação
Teatro Ouro Minas, inaugurado em setembro (foto: Demétrio Aguiar/Divulgação)
Localizado na Nordeste, o Ouro Minas Palace Hotel reformou seu antigo auditório, com o objetivo de profissionalizar os equipamentos de cena e a acústica. Com 358 poltronas instaladas e 384 m², o espaço tem programação que inclui basicamente shows e stand ups.

“Queremos oferecer à população de BH e aos visitantes a oportunidade de assistir a peças, shows, enfim, de vivenciar experiências inesquecíveis em um espaço que, antes e depois da diversão, também é capaz de acolhê-la com robusta estrutura de restaurantes e acomodações”, diz Monaline Alvarenga, gerente de marketing do hotel, sem esconder a estratégia da empresa de converter o público das atividades culturais em consumidor dos demais serviços oferecidos pelo hotel.

A abertura dessas novas casas de espetáculo na cidade divide opiniões entre profissionais das artes cênicas. “Vejo com bons olhos. É mais opção de cultura e lazer para o público. Além de tudo, fortalece a arte”, avalia Rômulo Duque, presidente do Sinparc. Já o diretor Pedro Paulo Cava, que chegou a anunciar o fechamento de seu Teatro da Cidade há dois anos por falta de recursos para mantê-lo em funcionamento, é crítico à iniciativa.

“Não acho que precisamos de mais casas de espetáculo. Precisamos de políticas culturais. Está na cara que os teatros de Belo Horizonte estão vazios. Cada vez mais vazios. A gente se mantém aqui na resistência mesmo. Antes, a gente até se arriscava a produzir peças com dinheiro do próprio bolso, porque sabia que ia recuperar depois com a bilheteria. Hoje, isso é inviável. A plateia de teatro, do meu ponto de vista, não se renovou. É a mesma de 40 anos atrás e, qualquer hora, vai morrer. Os jovens foram buscar outros tipos de entretenimento: internet, redes sociais, consumo. Eles não são mais apresentados ao teatro. Não têm contato com o que a cultura oferece de melhor”, afirma.

Sobre a acentuada queda de público da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança observada em 2017, Rômulo Duque diz que “o público teatral, de modo geral, foi reduzido. Há muita concorrência no universo cultural e do entretenimento, mas os números da Campanha deste ano são atípicos”.

CARNAVAL Segundo ele, dois fatores contribuíram para a diminuição de espectadores: “a crise econômica que vivemos com mais força a partir de 2016” e a coincidência de datas da Campanha com o período do Carnaval. “As pessoas estão descobrindo o carnaval de Belo Horizonte para valer mesmo agora. Esperamos que no ano que vem a situação se normalize.”

Seguindo a tendência de ir aonde o público está, o Shopping Pátio Savassi, na Região Centro–Sul,  se prepara para transformar seu pequeno auditório em teatro completo. Segundo a assessoria do centro de compras, a casa de espetáculos está em reforma, com inauguração prevista para janeiro de 2018.

As obras incluem reforço da infraestrutura técnica, climatização, entre outros tratamentos necessários ao adequado acolhimento tanto da plateia quanto dos artistas. O espaço deverá comportar até 100 pessoas e abrigar sobretudo stand ups, pocket shows e eventos comercias.

Teatros DE BH

A capital mineira tem hoje 62 teatros em funcionamento, sendo o mais antigo o Cine Theatro Brasil, cujo prédio foi inaugurado em julho de 1932, tendo encerrado suas atividades em 1999. De 2006 a 2013, permaneceu em reforma, entregue novamente à cidade como Cine Theatro Brasil Vallourec. A mais recente inauguração foi a do Teatro Ouro Minas, no mês passado.

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