Fred Mayrink dirige e assina o texto da comédia 'Essa herança é minha', novo projeto de Ilvio Amaral e Mauricio Canguçu

História da peça se passa no século 18, mas é repleta de referências ao mundo contemporâneo

por Helvécio Carlos 07/09/2017 12:43

Foi pela televisão que Maurício Canguçu se encantou com a direção de Fred Mayrink. Um belo dia, assistindo à novela Haja coração, bateu aquele estalo. E Maurício começou a discutir com Ilvio Amaral a possibilidade de tê-lo à frente de um espetáculo da dupla. O encontro veio depois de uma sessão do monólogo Hortance, dirigido por Mayrink, no Rio de Janeiro. A química rolou, o martelo foi batido e a comédia Essa herança é minha estreia hoje no Teatro Sesiminas, em BH.

Luciana Rocha/Divulgação
'Essa herança é minha ficará' em cartaz até domingo (11), no Teatro Sesiminas (foto: Luciana Rocha/Divulgação)
 

Maurício e Ilvio interpretam, respectivamente, Elizabeth e Mary. Carolina Cândido faz o papel de George e Mônica Horta é a baronesa Sissi, cuja fortuna desperta a cobiça de todos. “Nada é exatamente o que parece. É um jogo de erros”, resume Fred Mayrink, fazendo suspense sobre a trama. A história se passa no século 18, mas é repleta de referências ao mundo contemporâneo. Com direito até a celular e às redes sociais.

 

“Nosso desejo é contar uma história leve, mas com roupagem diferente daquela de Acredite, um espírito baixou em mim, projeto vitoriosíssimo que está em cartaz há 19 anos”, diz o diretor.
Como tudo que envolve Ilvio Amaral e Maurício Canguçu, Um espírito..., claro, deu o tom do bate-papo depois de uma noite de ensaio no teatro da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Fred garante: o êxito dessa comédia, que estreou no final da década de 1990, não assombrou suas noites.

 

“Se pensasse em repetir o mesmo sucesso, ficaria maluco. Até porque ninguém tem a fórmula do sucesso, porque ele nasce por uma série de razões – algumas desconhecidas, outras por se investir em determinado caminho. Acima de tudo, há a crença em Essa herança.... Aqui há muito do nosso amor”, pondera o diretor. “O mais importante é o desejo de que o público que viu Um espírito... encontre na nova peça o código que sempre fidelizou o trabalho do Ilvio e do Maurício. Tivemos o cuidado de não perder alguns signos muito importantes na obra deles”, explica.


VAUDEVILLE

A nova montagem – com texto inédito e assinado por Fred – tem um pouco de vaudeville e besteirol. Desde o primeiro bate-papo, no Rio de Janeiro, o processo de criação, “nem muito rápido nem muito demorado”, segundo o diretor, deu-se em "camadas". O trio foi descobrindo a graça dentro da história.

É um processo muito vivo. Acho que o espetáculo, no decorrer da temporada, vai ganhar mais colorido, vai se atualizando. Esse é o grande barato. É uma troca muito grande, a celebração da alegria”, aposta Fred.

 

Nos últimos dois meses, o diretor se dividiu entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, onde se dedica à pré-produção da novela Orgulho e paixão, da Globo, prevista para o primeiro semestre do ano que vem, com locações no Sul de Minas.

Tv Globo/Divulgação
O diretor Fred Mayrink tem uma relação especial com BH (foto: Tv Globo/Divulgação)
 

 

Fred Mayrink nasceu no Rio de Janeiro, mas veio ainda bebê para Belo Horizonte. Passou boa parte da infância dentro do Palácio das Artes. O pai, Francisco Mayrink, era gerente de orquestra e diretor artístico da Fundação Clóvis Salgado. O som da minha infância é o som do fosso da orquestra, com os músicos afinando os instrumentos antes do concerto. Lembro-me disso de forma muito viva. Ali, tive contato com música, balé, ópera, teatro... Fui descobrindo esse mundo sem perceber”, recorda o diretor.

 

Aos 11 anos, Fred fez o caminho contrário do pais: mudou-se para o Rio de Janeiro, integrando a trupe de Meu pé de laranja-lima, montagem dirigida por Celsa Rosa e grande sucesso em Belo Horizonte. Na capital fluminense, construiu carreira na TV.

BAMBOLÊ

A primeira experiência na telinha foi como ator da novela Bambolê, há 30 anos. Apaixonou-se pela direção quando participou de Vamp, que estreou em 1991. “Ficava fascinado ao pegar uma folha escrita, traduzir aquilo em imagem e transformar em cena, em uma sequência", revela.

 

Pouco tempo depois, já no elenco de Malhação, Fred, por conta própria, decidiu acompanhar diariamente as gravações ao lado do assistente de direção. Foram oito meses de "estágio" antes de ele ser promovido. “Comecei como ator, fui elenco de apoio, elenco principal, assistente de direção, diretor-geral e estou diretor artístico. Nesse processo, não há uma etapa que eu tenha pulado. Isso me dá tranquilidade, mais certeza e um pouco de solidez”, avalia Fred, de 42 anos de idade e 33 de profissão.

 

“Nada veio fácil. Tudo é resultado de trabalho. Se fosse fazer um balanço, dira que me orgulho do meu caminho, totalmente de retidão. Tenho grandes amigos conquistados com meu trabalho, acima de tudo, limpo e correto, movido por uma crença. Acreditava naquilo, sonhava com aquilo e me movimentei por aquilo. Que venham os próximos 40 anos”, brinca o diretor, da mesma geração de Pedro Vasconcelos e Amora Mautner – que, por coincidência, também integraram o elenco de Vamp.


"Não preciso fazer tipo" (Retranca)
A vida atrás das câmeras não tem glamour. O ofício é braçal, garante Fred Mayrink. “Não preciso fazer tipo. Se tiver que varrer palco, varro. Se tiver que dirigir Tony Ramos, vou dirigi-lo. O glamour nunca fez parte da minha vida. Onde há alegria, amor e seriedade, não há espaço para esse tipo de bobagem”, avisa.

 

Fred deve dirigir o musical que vai contar a história da cantora Isaurinha Garcinha (1923-1993), projeto em fase de captação de recursos. “Para ter o mínimo de estrutura, você precisa de patrocínio, o que é muito difícil. Neste momento, então, é mais complicado ainda”, pondera.

 

O diretor chama a atenção dos investidores para o alcance do apoio a projetos artísticos. “Falta aquele olhar empresarial para entender que o investimento é rentável, trazendo benefício para a marca, além de valores agregados", conclui.

 


ESSA HERANÇA É MINHA
Texto e direção: Fred Mayrink. Com Ilvio Amaral, Maurício Canguçu, Carolina Cândido e Mônica Horta. De quinta-feira (7/9) a sábado (9/9), às 21h; domingo (10/9), às 19h. Teatro Sesiminas. Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia, (31) 3241-7181. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Classificação: 14 anos.

 

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