Espetáculo 'Antes do fim' mescla teatro, artes visuais e música em BH

Novo projeto da dramaturga Rita Clemente convida o espectador a mergulhar em trama que reúne peça, exposição, performance e instalação

por Márcia Maria Cruz 16/08/2017 08:00
Bianca Aun/divulgação
(foto: Bianca Aun/divulgação)

Ao jogar com o tempo e o espaço, a atriz, dramaturga e diretora Rita Clemente implode limites, convocando o espectador para experiências intrafronteiras envolvendo música, dramaturgia e artes plásticas. Essa vivência múltipla poderá ser conferida a partir de sexta-feira, quando o espetáculo Antes do fim, dirigido por ela, estreará no Centro Cultural Banco do Brasil.

“A história do Antes do fim é construída a partir do olhar de cada personagem que se estabelece como protagonista. O espectador terá diversos olhares sobre a história”, adianta a dramaturga. Na trama, um quarteto faz o último concerto, e a peça se desenvolve a partir do olhar dos musicistas. Para conceber o projeto, Rita flertou com a palavra tríptico, emprestada das artes plásticas.

São três momentos. No primeiro dia, em Selvagem, o fogo, fragmento de 55 minutos, o ator Odilon Esteves dá vida a César, importante violinista que procura iniciar um ciclo de vida, mas precisa reparar uma injustiça cometida no passado. No segundo dia, em Cruzadas, Ramon Coelho interpreta Marcos, o segundo violinista, homem ambicioso que se vê diante das próprias limitações. Diáspora é o terceiro fragmento. Fafá Rennó dá vida à violista Rosa Levy. No quarto dia, o olhar do motoboy Lucas (Márcio Monteiro) costura todos os fragmentos.

“O espectador pode ver só um fragmento e ficar com esse prisma. Pode ver dois, três ou todos. O quarto dia é a costura dos quatro”, explica Rita Clemente. A musicista Laura completa o quarteto. A personagem foi vivida por Rita nas peças 19:45 e Ricochete. “Laura sai do palco e vai para a galeria”, adianta a atriz, referindo-se à exposição exibida simultaneamente no CCBB. O olhar tríptico está na conjugação de peça teatral, exposição e performance.

Primeira violinista, Laura tem o segundo filho vitimado por uma inesperada situação gerada pelo acaso. Diante da tragédia, ela se perde pelas ruas da cidade a caminho do último concerto do quarteto.

BALA PERDIDA

“Quando vou dirigir, procuro não estar em cena. Essa foi a primeira questão dramatúrgica: retirar-me da cena e colocar a Laura na galeria”, conta Rita. Antes do fim integra o projeto Bala Perdida, que originou as peças 19:45, dirigida por Rita e encenada pela Miúda Cia., e Ricochete, escrita e dirigida por ela, que também atua.

Para construir essa dramaturgia autoral, Rita se volta para Belo Horizonte e vai ao encontro de personagens que a metrópole com ares interioranos produz. Em Antes do fim, a pesquisa se debruçou sobre a confluência das ruas São Paulo e Tamoios, no Centro. “Acolhemos uma esquina muito interessante, onde está uma capela mais antiga do que a própria BH. Fiquei obcecada por aquela esquina e pelas pessoas que por lá transitam”, diz Rita.

Os personagens são tão importantes que a dramaturga decidiu levá-los de uma obra a outra. De 19:45 vieram Laura e um dos filhos dela. Em Ricochete, ela dá vida ao motoboy que volta em Antes do fim. “Coleciono personagens”, brinca Rita Clemente.

ANTES DO FIM


De 18/8 a 25/9. De sexta a segunda-feira,às 19h. CCBB, Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Selvagem, o fogo, às sextas. Cruzadas, aos sábados. Diáspora, aos domingos.

. Antes do fim: missa (instalação artística) – Galeria do térreo (até 4/9) e foyer do teatro 2
. Exposição – De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h
. Performance – Todos os sábados e dias 28/8 e 4/9. 15h: Adoração. 17h: Devoção. 18h30: Oferta

Palco aberto

A experimentação de linguagens marca os sete anos da Cia. Afeta, que montou agenda especial no Galpão Cine Horto, Teatro 171 e Lume 7 para comemorar a data. Serão três semanas, a partir de sexta-feira. Com o propósito de ampliar o diálogo, a companhia abre seu repertório de espetáculos e performances, convidando grupos que a inspiraram. Três eixos norteiam o projeto: autobiografia e performatividade, linguagens em trânsito e dramaturgias em processo.

Semanalmente, estarão em cartaz peça e performance do repertório da companhia, além de um grupo ou artista convidado. No café-conversa haverá bate-papo com artistas.

Na primeira semana da mostra, o público verá criações cênicas atravessadas por experiências pessoais. Talvez eu me despeça, solo de Beatriz França, homenageia a atriz Cecília Bizzotto, assassinada em outubro de 2012, durante um assalto. A paulistana Janaina Leite foi convidada a encenar Conversas com meu pai, espetáculo inédito na capital. Em Eu me rendo, Ludmilla Ramalho convoca à reflexão sobre questões do universo feminino. “A noiva atravessa a trincheira de arame farpado. O vestido fica, como instalação. O corpo atravessa a trincheira, um simbolismo para o lugar da mulher. É um ritual de libertação”, afirma a atriz, que criou a performance depois do fim de seu casamento.

Na segunda semana, a companhia apresenta 180 dias de inverno. Com direção de Nando Motta, a peça se baseia no texto Minha fantasma, do multiartista Nuno Ramos, sobre a relação dele com a mulher. Ludmilla Ramalho vai apresentar Fuck her. A instalação se dá a partir do corpo nu da artista, onde 40 pintinhos se alimentam de ração.

O grupo mineiro abrirá para o público o processo de criação do solo Orlando, baseado no clássico da escritora Virginia Woolf, que discute a fluidez de gêneros.  O convidado da terceira semana é o coletivo T.A.Z. A montagem Controle de estoque mostrará o universo corporativo de maneira irônica e bem-humorada. Também estarão em cartaz duas performances: In memoriam, com Ludmilla Ramalho, e Dramaturgia e outras vinganças, com a convidada Ana Luísa Santos.

AUTOBIOGRAFIA E PERFORMATIVIDADE

. Talvez eu me despeça, da Cia. Afeta. De sexta-feira (18/8) a domingo (20/8), às 20h30, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Informações: (31) 3481-5580
. Conversas com meu pai, com Janaína Leite. De sexta-feira (18/8) a domingo (20/8), às 19h, no Teatro 171 (Rua Capitão Bragança, 35, Santa Tereza). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
. Café-conversa. Com Janaina Leite, Beatriz França e Cida Falabella. Sábado (19/8), das 10h30 às 12h30, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). Entrada franca. Informações: (31) 3481-5580
. Performance Eu me rendo. Com Ludmilla Ramalho. Sábado (19/8), às 12h30, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3.613, Horto). Entrada franca. Informações: (31) 3481-5580
. Programação completa: www.afeta.com.br

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