Série 'Todoxs nós' celebra a diversidade de gêneros

Dirigida por Vera Egito, produção da HBO conta a história de uma garota não-binária, um jovem gay e a amiga hétero que dividem apartamento em São Paulo. Atores trans formam 36% do elenco

Mariana Peixoto 20/03/2020 07:37
HBO/divulgação
Clara Gallo (Rafa), Maia (Julianna Gerais) e Vini (Kelner Macêdo), os jovens protagonistas de Todxs nós (foto: HBO/divulgação)
O título, Todxs nós, usa a linguagem inclusiva de gênero. “O xis está ali, mas você pode colocar a letra que quiser: a, o ou e. A comunidade LGBTQIA+ não exclui ninguém, recebe quem estiver interessado”, comenta Vera Egito, diretora-geral e cocriadora (com Heitor Dhalia e Daniel Ribeiro) da série com oito episódios que estreia no domingo (22), na HBO.

A comédia dramática conta a história de três jovens amigos que dividem um apartamento em São Paulo. O mote é a chegada de Rafa (Clara Gallo), jovem de 18 anos não binária (gênero neutro, pois não se identifica com o masculino ou o feminino), que foge de casa no interior para morar com o primo Vini (Kelner Macêdo), um jovem gay, na capital. Ele divide o apartamento com Maia (Julianna Gerais),  mulher hétero negra.

“A partir dessa surpresa, que os dois não esperavam, surgem situações de conflito e amizade. O apartamento é o coração da série, tratada sempre num tom mais autoirônico”, afirma Vera Egito.

CELEBRAÇÃO 

A diretora explica que a série não é sobre transfobia. “É uma história sobre pessoas vivendo questões humanas mais amplas – angústias sobre questões de trabalho, família –, só que num tom mais divertido. Não há como falar de questões existenciais ignorando a parte triste, mas não é o nosso foco. A ideia é de celebração.”

Bancada integralmente com recursos da HBO, a série foi rodada em meados de 2019. O período que antecedeu as gravações foi intenso, pois o trio principal demorou a ser definido. Os três atores têm alguma experiência em audiovisual. Clara Gallo estreou no longa Califórnia (2015), de Marina Person, e fez parte do elenco de Mãe só há uma (2017), de Anna Muylaert, enquanto Kelner Macêdo foi o protagonista de Corpo elétrico (2017), do mineiro Marcelo Caetano. Já Julianna Gerais debuta em Todxs nós.

“Foram duas baterias de testes para encontrar os atores principais, ver como eles funcionavam como trio e em separado. Os coadjuvantes também deveriam combinar entre si. Foi como montar um quebra-cabeças”, comenta Vera, acrescentando que 36% do elenco é trans. A equipe criativa e técnica também tem bastante representatividade, ela diz. “É uma postura de coerência com o projeto. A sala de roteiro foi problematizadora sempre, pois criávamos e debatíamos as questões ali mesmo. Não era uma questão de preencher cota, mas de trazer pessoas que contribuíram com o projeto por causa de sua visão de mundo.”

Durante o processo criativo, houve palestras de sensibilização sobre o tema da série para toda a equipe. “Todo mundo aprendeu muito no set”, diz Vera. A promessa é de que o debate se estenda para além dos episódios. Depois de cada novo capítulo, o podcast de Todxs nós, com uma conversa com os roteiristas, vai entrar no ar nos canais da HBO e nas plataformas digitais. O encerramento terá um programa com os três protagonistas falando sobre os bastidores da produção.

TODXS NÓS
. Oito episódios
. HBO e HBO Go
. Estreia domingo (22), às 23h

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