Sem Escobar, 3ª temporada de 'Narcos' se debruça sobre o Cartel de Cali

Com novo protagonista interpretado por Damián Alcázar, novos episódios chegam à Netflix nesta sexta-feira, 1º

Fernanda Guerra

O Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) elege o desmantelamento do Cartel de Cali como prioridade na terceira temporada de 'Narcos'. - Foto: Netflix/Divulgação


Cidade do México – O anúncio da terceira temporada de Narcos causou questionamento imediato. A série da Netflix terá êxito sem o Pablo Escobar de Wagner Moura, indicado ao Globo de Ouro pelo papel em 2016? A resposta chegará nesta sexta-feira, 1º de setembro, quando todos os 10 novos episódios serão liberados pelo serviço de streaming. O estranhamento logo se esvai com o passo a passo da nova investigação da trama, já renovada para a quarta.

O formato segue semelhante aos anteriores, com narração, ritmo acelerado, cenas chocantes de mortes e torturas – embora em menor quantidade que a segunda – e conflitos bem desenvolvidos, baseados em fatos reais. As diferenças são do próprio enredo, associado à história da Colômbia. A morte de Pablo Escobar encerrou apenas um ciclo do narcotráfico. Sem o criador do cartel de Medellín, organizações criminosas se expandiram. A sequência foca no cartel de Cali, introduzido em capítulos anteriores, e na perseguição aos quatro líderes da organização criminosa, também conhecidos pelo público.

A nova célula do narcotráfico se torna o inimigo número um do Departamento Antidrogas dos Estados Unidos (DEA). A reportagem assistiu aos cinco primeiros episódios do terceiro ano, que mostram claras diferenças entre a Era Escobar e a de Cali, considerado o maior cartel de cocaína da história.
“Eram dois irmãos que queriam que o cartel fosse comandado por puros homens de negócios. Queriam a paz, e não a guerra que havia na época de Pablo”, comenta o mexicano Damián Alcázar, intérprete de Gilberto Rodriguez Orejuela, o fundador de Cali.

O personagem alcança mais notoriedade ao lado de Miguel Rodríguez (Francisco Denis), Pacho (Alberto Ammann) e Chepe (Pêpê Rapazote). Em entrevista a jornalistas da América Latina, Alcázar descreve Gilberto Rodriguez como um homem de família. ''Enquanto estava fora da lei com esse negócio, foi para a cadeia. Se estivesse dentro da lei, seria um dos homens mais bem-sucedidos do mundo”, afirma. Com produção executiva de José Padilha (Tropa de elite e Robocop) e Eric Newman (Filhos da esperança), a terceira temporada de Narcos apresenta o modus operandi do cartel de Cali. Não há mais a ''guerra civil'' da era Escobar. Diferentemente do terror instalado pelo colombiano, o cartel de Cali não tinha intenção de causar pânico no país e agia de forma discreta. Eles desapareciam com os corpos das vítimas, por exemplo, em vez de expô-los. O objetivo era dar tratamento ''pacífico'' ao tráfico, como um ''negócio legítimo'' da economia.

MONSTRO ''Não é o mesmo da fase de Pablo Escobar, na qual ele se comportou como um monstro. Quando a vida dele estava em risco, a vida dos outros não importava'', analisa Alcázar. Por muito tempo, os líderes de Cali não sofriam o risco de morte, já ''que compravam lei e políticos, Exército e polícia''.

O ator defende que histórias sobre narcotraficantes continuem sendo retratadas na ficção. ''Na Colômbia, tudo está mudado.
Ainda há o tráfico, mas pulverizado. Não há claramente os cartéis. Acredito que tem que legalizar (o consumo de drogas) e ponto. Para evitar violência e mortes'', opina Alcázar, que elogia o longa-metragem Tropa de elite, de José de Padilha, e (repetidas vezes) a atuação de Wagner Moura. ''Ele é um grande homem'', afirma.

Após o trauma deixado em torno da perseguição de Escobar, que matou milhares de pessoas em explosões, sequestros e tiroteios – ações registradas na mídia e acompanhadas no segundo ano de Narcos –, havia a cobrança para que a desarticulação do cartel não provocasse uma nova guerra civil na Colômbia. Quando a ação policial em busca dos líderes de Cali ganha forma, eles tentam escapar e, consequentemente, também há mortes no caminho.

Uma das mudanças da terceira temporada da série é a narração. Agora, é o agente Peña, vivido por Pedro Pascal (Game of thrones), quem conta os fatos. O agente Steve Murphy, personagem de Boyd Holbrook, não está na nova fase, mas a saída do agente do DEA ainda não é justificada na trama. Como auxiliares de Peña estão os agentes inexperientes Chris Feistl (Michael Stahl-David) e Daniel van Ness (Matt Whelan). A julgar pelos primeiros episódios da terceira temporada, Narcos se sustenta como uma história sobre os bastidores do tráfico, que não se restringe a um megatraficante.
Com o fim de um, surgem outros e mais histórias que parecem de ficção.

 

Abaixo, confira o trailer da terceira temporada de Narcos:

 



A repórter viajou a convite da Netflix


Saiba mais

Cavaleiros de Cali O cartel de Cali foi criado por Gilberto Rodríguez e se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo. Além de Rodríguez, que atuava como uma voz oficial do cartel, as funções eram distribuídas entre mais três líderes. Irmão do criador, Miguel Rodriguez Orejuela (Francisco Denis, em Narcos) é considerado o “cérebro” da organização, o responsável pelo crescimento do cartel. Pacho Herrera (Alberto Ammann) se encarregava da distribuição global de cocaína. O personagem homossexual tem grandes momentos na terceira temporada. Chepe Santacruz Londono (Pêpê Rapazote) comandava o império-satélite de Nova York. Uma das novidades do elenco é o ator Miguel Ángel Silvestre, de Sense8, que estará na pele de Franklin Jurado, responsável pela lavagem de dinheiro do esquema.

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