Negacionismo pode não ser apenas falta de conhecimento, mas também um transtorno

15/02/2021 08:42
Neurocientista e psicólogo Fabiano de Abreu, discorre sobre a realidade da negação com base científica 
 
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O negacionismo não é uma atitude meramente ignorante e que existem razões válidas e por vezes incontornáveis para o indivíduo reagir dessa forma, segundo defende o neurocientista https://www.instagram.com/fabianodeabreuoficial/&source=gmail&ust=1613475242187000&usg=AFQjCNE1-SpYSFcPzxfKuftrljqTV4PYlg">Fabiano de Abreu que escreveu uma coluna no https://www.megacurioso.com.br/ciencia/117590-negacionismo-falta-de-conhecimento-ou-resposta-instintiva-ao-medo.htm&source=gmail&ust=1613475242187000&usg=AFQjCNGZxGM_jLRfJoM4A5Fk7A1_DsIIyQ">Mega Curioso abordando o tema.
 
"Este é um comportamento que se tornou uma referência no momento atual, em meio a uma pandemia. Estudei e analisei este tipo de respostas comportamentais e avaliei o que seria "coincidência" um comportamento se potencializar justamente mediante ao momento. Como não há coincidências e sim, sempre, uma razão para qualquer estatística, a minha pesquisa tem por objetivo comprovar que o que seria coincidência na realidade é uma resposta instintiva ao medo, seja ele consciente ou inconsciente, como mecanismo de defesa. ", explica Abreu.
 
Segundo o neurocientista devemos ter cuidado ao julgar um negacionista pois nem sempre tal atitude depende exclusivamente da vontade da pessoa. Há demasiadas nuances para serem analisadas.
 
Nas palavras do estudioso," O aumento do número de negacionistas não se deu  apenas com o avanço da internet e sim, num mecanismo de defesa relacionado com a personalidade. A negação pode ser a ansiedade buscando na não aceitação dos fatos, uma reação instintiva de fuga como mecanismo de sobrevivência. Criando assim uma realidade paralela, com traços adoecidos e irreais, apenas para a satisfação de sua necessidade, como justificativa da sua razão." 
 
Ainda segundo Abreu, o medo é um fator crucial para o desenvolvimento de tais posturas perante factos que são comprovados. 
 
"Nosso cérebro tem percepções por comparação, usa situações análogas de experiências anteriores, para fazer leitura de cenário atual. O medo, seja ele irracional ou real, faz o cérebro reagir da mesma forma. 
Nossa mente interpreta o medo como uma ameaça, um perigo iminente, como o ataque de um predador e usa essa mesma leitura e reação diante do risco da perda de emprego, ou do rompimento de uma relação.", analisa.
 
A atmosfera que vivemos nos dias atuais é propícia para colocar o ser humano em situação de dúvida, desencadeando assim uma série de fatores que o fazem duvidar da realidade como um escape.
 
"O negacionismo então é resultado do medo, que mesmo inconsciente, encontra como mecanismo de defesa a negação como fuga, seja numa tentativa de satisfação pela pendência da dopamina, seja para sair da "atmosfera" negativa, seja pela perda parcial da razão. Negar adia a tomada de uma nova decisão com quebra de velhos paradigmas. Mantendo assim o sujeito numa aparição cristalizada e inflexível. Mas confortável para ele, por criar a fantasia que justifique"sua razão", conclui o neurocientista.
 
Este estudo encontra-se aprovado pela academia científica e publicado na revista científica Brazilian Journal Research.

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