Saúde Plena

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Esporão é a mesma coisa que fascite plantar?


As dores nos calcanhares são realmente terríveis e uma queixa muito comum no consultório. O termo 'esporão' está na linguagem popular há tempos e é dessa forma que a maioria dos pacientes relata a dor na região do plantar (sola) do calcanhar, mais aguda durante o período da manhã, nos primeiros passo do dia. Mas afinal, esse termo está correto?

Na verdade, não. A fáscia plantar é uma estrutura que se localiza na sola do pé e cuja origem é no osso do calcanhar. Ela é responsável por auxiliar na formação do arco plantar, absorver impactos, transmitir forças e é fundamental para o bom funcionamento biomecânico dos pés.


Quando a fáscia plantar se inflama, damos o nome de fascite plantar, que se manifesta como uma dor mais frequentemente localizada na região plantar e mais interna (medial) do calcanhar. Ao longo do tempo, essa inflamação degenera as fibras dessa fáscia o que culmina em um processo de ossificação da junção da fáscia com o osso, formando uma verdadeira espícula óssea, o denominado popularmente de "esporão".

Essa espícula óssea, entretanto, não é a causa da dor por estar "fincando" a sola dos pés no apoio, ela é um consequência do processo de degeneração e inflamação da fáscia plantar. Quem, portanto, causa a dor é o processo degenerativo e inflamatório em si.

Independentemente do culpado dessa história, fato é que a dor incomoda e pode muitas vezes ser limitante. A boa notícia para o leitor é que a fascite plantar tem cura e raramente não melhora com tratamentos conservadores (sem cirurgia). O tratamento dessa doença deve envolver uma reeducação de cuidados com os pés, para que se obtenha sucesso.


Costumo dizer que o tratamento inicial envolve 5 esferas:

1- Mudança de calçados: Calçados baixos são muito ruins para quem está com sintomas de fascite. Chinelos, rasteirinhas, sapatilhas, sapatênis devem ser evitados.

2- Alongamentos: A dor na origem da fáscia está diretamente ligada ao encurtamento da musculatura posterior (de trás) da perna. Uma rotina diária de alongamentos desses músculos deve fazer parte do tratamento.

3 - Terapias locais: Manipulação local associado à crioterapia (gelo) é muito benéfico. Existem diversos dispositivos para se cumprir esse objetivo como bolinhas e garrafinhas e a assistência fisioterapêutica pode agregar muito valor.



4- Órtese ou aparelhos ortopédicos: As órteses noturnas para fascite plantar são ótimas auxiliares no tratamento e podem ajudar muito aqueles pacientes com sintomas extremamente intensos no início da manhã.

5- Medicamentos: Medicação antiinflamatório pode auxiliar no tratamento, desde que bem indicado por um ortopedista.

Para os paciente que já passaram por essas 5 etapas a infiltrações locais com corticóide ou PRP (Plasma Rico em Plaquetas) e Terapia por Ondas de Choque são alternativas com bons níveis de evidências científicas. Na dúvida de qual tratamento mais indicado para você, procure sempre um Ortopedista de confiança.

Cuidem de seus pés, são eles que te levam cada vez mais longe!