Saúde Plena

O que é a glândula timo e quais as neoplasias associadas


O timo é uma glândula especializada no sistema imunológico, envolvida na produção e maturação dos linfócitos T. Fica localizado na parte anterior e superior da cavidade torácica, próximo aos pulmões e ao coração. Para falar sobre este órgão, convido a cirurgiã torácica doutora Marina Varela:

"Quando nascemos, essa glândula pesa entre 12 e 15 gramas. Em seu período de maior atividade, pesa entre 30 a 40 gramas. Depois da puberdade, involui e é gradualmente substituída por gordura, o que provoca a diminuição da produção de linfócitos T. Porém, a quantidade de linfócitos já maturados é suficiente para toda a vida.


Dentro do timo, os linfócitos T - células de defesa do corpo humano - amadurecem. Apenas 3% a 5% dos linfócitos, que demonstram ter a habilidade de identificar e atacar apenas os agentes infecciosos, os compostos estranhos ao corpo ou as células defeituosas, migram para os gânglios linfáticos. As células "defeituosas" são destruídas na própria glândula.

Em alguns casos, esse mecanismo de regulação pode falhar, dando origem a doenças, como síndromes autoimunes (miastenia gravis, aplasia de células vermelhas, adenomas de paratireoide e hipogamaglobulineia) e neoplasias.

Segundo a literatura, neoplasias malignas do timo, timoma ou carcinoma tímico, são raras e correspondem a menos de 1% de todas as neoplasias malignas do adulto. Sua incidência está entre 1 a 5 casos por milhão de pessoas por ano. Tem pico de incidência aos 50 anos, sem predomínio de gênero. Até o momento não foram identificados fatores de risco relacionados aos hábitos de vida, porém, 15% dos pacientes com miastenia gravis possuem timoma.


Aproximadamente 30% dos pacientes não têm sintomas, sendo diagnosticado incidentalmente, normalmente pela realização de radiografias de rotina. Nas apresentações sintomáticas, as queixas incluem tosse persistente, dor torácica, fraqueza muscular, fadiga, falta de ar, edema facial ou de membros superiores, dificuldade para deglutir, anemias ou infecções de repetição.

A ressecção é o principal tratamento para os tumores do timo e nos tumores considerados ressecáveis a cirurgia deve ser sempre proposta. O prognóstico depende do estadiamento e o tratamento dos tumores considerados invasivos requer uma abordagem multidisciplinar."

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