Dormir bem traz mais ânimo, melhora a qualidade de vida e retarda o envelhecimento

Distúrbios de sono afetam homens e mulheres de forma diferente

por Elian Guimarães 09/06/2019 13:10

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(foto: Pixabay)

Muitas vezes, os compromissos e as tarefas do dia a dia podem deixar a rotina ainda mais agitada. Para enfrentar essa correria, boas noites de descanso são essenciais. Especialistas alertam cada vez mais sobre a importância de uma boa noite de sono. Devido à diferença hormonal, o público feminino precisa de mais horas dormidas para manter a mesma disposição, se comparado ao sexo oposto, explica Renata Federighi, consultora do sono da Duoflex.

De acordo com Néli Sueli Teixeira de Souza, ginecologista e obstetra, professora assistente do Departamento de Saúde da Mulher da Faculdade de Ciências Médicas-MG (FCMMG), os distúrbios de sono afetam os sexos de forma diferente. “Já foi demonstrado que as mulheres precisam de mais tempo de sono do que seus parceiros pela capacidade e tendência que elas têm de conciliar várias atividades simultâneas durante o dia. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores avaliaram homens e mulheres de meia idade e descobriram que as mulheres que dormem menos têm mais problemas de saúde do que os homens.”

Além de as mulheres necessitarem de mais horas de sono do que os homens, elas apresentam sintomas mais graves de insônia e sonolência diurna. O cansaço decorrente do distúrbio de sono é responsável por problemas de memória e de concentração. Um problema corriqueiro entre casais, importante causador de distúrbios de sono na mulher, é o ronco do parceiro, situação que precisa ser levada mais a sério porque sinaliza para o quadro de apneia do sono, que leva ao aumento do risco de infarto e problemas cardiovasculares, explica a médica.

De acordo com Néli Souza, uma forma de compensar o desgaste da rotina diária seria ter qualidade de sono. “A rotina desgastante pode comprometer a qualidade de sono e os distúrbios provocados por uma noite maldormida podem comprometer a rotina diária. Se esse ciclo não for interrompido haverá prejuízo para a saúde. A mulher precisa aprender a cuidar de si mesma, da mesma forma que cuida de sua família, e esse cuidado deveria incluir hábitos saudáveis de vida: boa alimentação, exercícios físicos, cuidados com a saúde e trabalho balanceado com lazer. O acúmulo de funções, o estresse e a ansiedade dificultam a rotina de sono saudável, levando à insônia, que representa o distúrbio de sono mais comum entre as mulheres.”

O sono tem quatro fases, sendo cada uma responsável por uma atividade diferente. Dificuldades em qualquer uma das fases do sono podem trazer prejuízos a curto e longo prazo.

- Fase 1: É nessa fase que ocorre a transição entre a vigília e o sono. Quando escurece, ocorre a liberação da melatonina no organismo, que induz a sonolência. Corresponde a 10% da noite.

- Fase 2: Há diminuição do ritmo cardíaco, relaxamento muscular e queda da temperatura corporal. É a fase do sono leve e corresponde a 45% da noite.

- Fase 3: O corpo funciona mais lentamente e o metabolismo cai. O coração passa a bater em ritmo mais lento e a respiração também fica mais leve. Corresponde a 25% da noite.

- Fase REM:
Essa é a fase do sono profundo. REM, que em inglês significa rapid eye movement (movimento rápido dos olhos). É aqui que ocorrem os sonhos, a pessoa tem descargas de adrenalina e há picos de batimentos cardíacos e pressão arterial. Corresponde a 25% noite.

Durante as três primeiras fases do sono, o corpo economiza energias, promove a restauração de tecidos, o aumento da massa muscular e libera o hormônio de crescimento. Já na fase REM, há a consolidação da memória e do aprendizado. Quando a pessoa está dormindo e é acordada, ela volta imediatamente à fase 1 do sono, comprometendo esse processo.

Néli Souza explica que a insônia pode produzir sintomas de esquecimento, irritação, dor de cabeça, ganho de peso, além de favorecer o surgimento de diabetes, hipertensão arterial e obesidade, aumentando o risco para acidentes vasculares cerebrais e infarto.

“Dormir bem traz mais ânimo, melhora a qualidade de vida e retarda o envelhecimento. Isso porque é durante a noite que as células descansam, se renovam e organizam suas funções. Enquanto dormimos, algumas substâncias importantíssimas são liberadas: os hormônios do crescimento, responsáveis pelo não envelhecimento celular, e o cortisol, hormônio produzido em resposta ao estresse. Quando em excesso, essa substância provoca a oxidação celular e a produção de radicais livres, que atuam sobre o envelhecimento da pele”, afirma Néli Souza.

Privação de sono

Confira impactos de noites maldormidas na saúde


- Perda de memória: durante o sono ocorre a produção de proteínas responsáveis por conexões neurais fundamentais para o aprendizado e memória

- Ganho de peso: pessoas com insônia têm mais vontade de comer, por falta do hormônio da saciedade (leptina). Dormir bem ajuda no emagrecimento. Dormir oito horas por dia favorece a queima de calorias

- Diabetes: dormir mal aumenta a resistência à insulina

- Hipertensão: O estresse gerado pela má qualidade de sono pode levar à hipertensão arterial, mesmo nas pessoas sem risco hereditário para a doença

- Depressão: pessoas que dormem menos de seis horas por dia têm mais chance de desenvolver depressão, enquanto as pessoas que dormem bem absorvem melhor as informações, têm mais ânimo e qualidade de vida

Dicas para uma boa noite de sono


- Tratar doenças pré-existentes.

- Prevenir ou tratar ansiedade, estresse e depressão

- Criar ambiente tranquilo, fresco e ventilado, sem barulho ou luz excessiva

- Evitar o álcool, fumo, cafeína, medicamentos/drogas que possam piorar a qualidade do sono (estimulantes, alucinógenos etc.)

- Cuidar da postura, que pode ser conseguido com colchão e travesseiro corretos

- Ingerir alimentos leves antes de dormir

- Evitar cochilos durante o dia, deitar muito cedo e passar muito tempo acordado na cama

- Evitar televisão ligada no quarto de dormir e o uso de eletrônicos (celulares ou tablets)

Saiba mais


- Dos mais de 100 distúrbios de sono e do despertar, a insônia é a causa mais frequente entre as mulheres. A insônia é caracterizada pela dificuldade para dormir ou pelo despertar durante a noite, seguido de dificuldade para retomar o sono. Como resultado de uma noite maldormida surgem os sintomas de cansaço diurno, irritação, problemas de concentração, entre outros. Considera-se insônia qualquer dificuldade para adormecer, para permanecer dormindo, a falta de sono intermitente e o despertar muito cedo. Os episódios podem ser transitórios (aparecem e desaparecem) ou se tornar crônicos. O tratamento deveria ser iniciado pela retirada dos fatores causais.

Fonte: Néli Sueli Teixeira de Souza, ginecologista e obstetra