Por isso, é possível mudar o carma: “É possível mudar no presente, mas no passado não, já que existe uma lei de causa e efeito, lei da reação a uma ação. Cada ato que fazemos deixa na substância mental uma impressão, que, por sua vez, se torna semente de uma nova ação de natureza semelhante. Por opção, podemos, por meio das novas atitudes, novos pensamentos trabalhados pelo ioga, meditação e krya dault (método ou sistema de ioga), mudar, sim, nosso carma”.
Geralmente, quando as pessoas dizem “é seu carma”, na maioria das vezes, a frase é acompanhada de uma interpretação negativa.
Maria José Marinho afirma que o carma define cada pessoa. Nesse sentido, a palavra karma inclui os resultados acumulados de ações passadas, que são as formas de futuras atividades. “O que eu sou, nesse momento, é o efeito da soma total de todas as impressões da minha vida passada. É isso que determina o caráter de uma pessoa, sendo o resultado o agregado de trabalhos da sua vida precedente.”
Às vezes, o carma é colocado como punição. Visão errada. Maria José Marinho diz que o carma não é uma expressão de castigo ou punição e, sim, uma manifestação da justiça universal, um ajuste das coisas que se realizam. Ela faz o ajuste, muitas vezes, acima do nosso entendimento.
AUTOINVESTIGAÇÃO
Qual seria, então, a finalidade do carma? A yogueterapeuta destaca que a meta da humanidade é o conhecimento e a evolução, e esse é o ideal da filosofia oriental. O motivo das misérias do mundo está em o homem pensar que o prazer é a finalidade que ele deve buscar. “Mas a finalidade é a liberdade da alma. Só por meio das ações o homem pode chegar ao estado que Buda alcançou, em grande parte pela meditação, e Cristo, pela devoção. Buda descobriu que o homem é constituído da parte instintiva, humana e divina, o reto pensar, o reto falar, o reto fazer. É uma forma de avaliar a vida, fazer Vishara, que é a autoinvestigação, quem sou eu, quais os meus sentimentos e as minhas emoções. A finalidade principal é desenvolver o perdão, a gratidão e entender que cada pessoa está no processo de evolução.”
A professora completa lembrando que “os mestres dizem que aqueles que estão mais evoluídos, devemos levantar as mãos e buscar a energia deles; para aqueles que são como nós mesmos, fica fácil conviver e não ter grandes conflitos; e para aqueles que são menos evoluídos, devemos descer nossas mãos e ajudá-los a desenvolver um bom carma, sendo mais felizes, mais prósperos e ter menos conflitos familiares”.
Para muitos, o carma pode ser entendido como destino. Maria José Marinho reforça que carma significa fisicamente ação, metafisicamente a lei da retribuição, a lei de causa e efeito ou de causação ética.
DESEJO DE MUDANÇA
Todo fim de ano e início de uma nova jornada, o desejo de mudança nas pessoas é aflorado. Será que o carma tem alguma influência para um novo recomeço na trajetória de vida de cada um? Maria José Marinho esclarece que, o Bhagavad Gita, o livro sagrado dos yogues, afirma: “Portanto, sem apego, faça o carma que for necessário, pois ao fazê-lo sem apego, ó, Bahrata, procure o ato sábio sem apego e terá o coração tranquilo”. É começar o ano acreditando no bem, tendo fé e levar uma vida com dignidade. Aí vamos ter um carma bom. “Praticar o dharma (o dever) é um dos caminhos, que significa fazer bem aquilo que a vida colocar em suas mãos.”
O carma de 2019, ensina Maria José Marinho, pode ser melhor, sim, que o de 2018, “pois num mundo em constante movimento e atualização de novas potencialidades dos seres, a recusa de se mover em direção ao futuro significa regredir. É aceitar a inércia repetitiva das escolhas passadas como inevitável ou forte demais para se opor a elas.
Leandro Couri/EM/D.A Press
PARA PRATICAR
Pensamento para criar um bom carma para o ano novo:
“Que eu possa ser feliz, que eu possa ter saúde física perfeita, que eu possa ter a mente equilibrada, que eu possa estar em paz, que eu caminhe sempre em direção à luz”
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