Conheça o trabalho de entidade que atua há mais de 30 anos no combate ao câncer de mama

Organismo social realiza ações que objetivam o diagnóstico precoce e o acompanhamento de mulheres em tratamento

por Laura Valente 08/04/2018 07:00

Reprodução/Internet/Clínica da Mama
(foto: Reprodução/Internet/Clínica da Mama)

Neste domingo, quando foi lembrado o dia mundial do combate ao câncer, ações preventivas e de conscientização acerca da doença marcam a data em todo o planeta, chamando o público a se engajar. Expostos, os dados tocam o íntimo de cada um e despertam a vontade de ajudar. No entanto, nem sempre sabemos o que fazer.

Uma dica vem de uma iniciativa mineira, a Associação de Prevenção ao Câncer da Mulher (Asprecam), organização social (OS) sem fins lucrativos, fundada em 1984 por grupo encabeçado pelo médico mastologista e cirurgião plástico Thadeu Rezende Provenza. “Nossa proposta é fortalecer a atuação do sistema público de saúde por meio de programas de diagnóstico e tratamento precoces do câncer de mama na Região Metropolitana de BH e em Minas Gerais. Começamos o programa a partir da busca ativa de casos suspeitos e positivos na comunidade, buscando realizar o diagnóstico e tratamento nas unidades básicas de saúde (na capital, o Ambulatório de Mastologia do Hospital Maternidade Odete Valadares) e contando com o apoio de um grupo interdisciplinar que envolve assistência integral à mulher, tratando o câncer de mama do ponto de vista físico e psicossocial”, descreve.

De lá pra cá, a OS criou e implantou os programas DedicAção, Busca Ativa e Rede Pontos de Prevenção, além do Movimento Mamamiga pela Vida, cujo símbolo é um modelo do seio feminino que convida o público a fazer o autoexame e indica as principais alterações que podem ser percebidas ao toque. “O modelo didático simula a glândula mamária feminina e revela as quatro alterações mais frequentes que podem ser encontradas durante o autoexame, um modelo reconhecido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca)”, explica Provenza.

 

Ramon Lisboa/E.M/D.A Press
O médico Thadeu Rezende Provenza (foto: Ramon Lisboa/E.M/D.A Press)


MADRINHAS E PADRINHOS

Mas, como o público comum pode ajudar a causa? Uma das coordenadoras da OS, Danusa Dias Reis Coutinho, informa que pessoas físicas e jurídicas podem se envolver. A adoção de um protótipo da mama para exposição em local público, por exemplo, é uma ação. “Nosso objetivo é mobilizar pessoas, organizações e empresas de todos os setores da economia, promovendo ações e capacitando profissionais de saúde, a sociedade civil e voluntários para a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce do câncer na mulher.”

Outra possibilidade é o voluntariado. Danusa explica que o projeto DedicAção reúne pessoas de ambos os sexos dispostas a levar carinho e qualidade de vida para mulheres diagnosticadas. “Após capacitação, os voluntários têm como atividades acompanhar as assistidas a consultas, dar orientação qualificada sobre a adaptação ao tratamento, indicar caminhos que facilitem o acesso aos benefícios sociais e jurídicos, além de dar acolhimento psicossocial e motivacional, em maior nível de proximidade, diferente ao efetivamente oferecido pelos agentes de saúde na atualidade. Dessa forma, a ação dos voluntários motiva as assistidas a se manterem confiantes para que possam cumprir todas as etapas do tratamento.”

Ramon Lisboa/EM/D.A Press
"Somos assistidas pelos voluntários do DedicAção nas consultas de quimioterapia, momento de fragilidade emocional, em que muitas vezes os pacientes se isolam. Esse apoio psicológico e orientação estão sendo fundamentais, além de também recebermos orientação sobre a importância do diagnóstico precoce tão importante para salvar vidas", Edilene de Jesus Silva Pereira, de 50 anos, técnica de enfermagem (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Diagnosticada com um câncer de mama grau 2 em dezembro de 2016, Edilene de Jesus Silva Pereira, de 50 anos, técnica de enfermagem, foi apadrinhada por dois voluntários do projeto. Casada e mãe de dois rapazes, conta que a presença feminina da madrinha foi fundamental para a troca de ideias e mensagens de esperança. “É uma fase muito difícil, em que muitas pacientes apresentam a tendência de isolamento. Estava assim quando uma amiga me apresentou ao programa e logo fui apadrinhada. Digo que a partir dali foi amor à primeira vista pela Cláudia Maria Vasconcellos de Magalhães, pessoa que só me trouxe coisas boas, que me acompanhou o tempo todo e que mesmo hoje, finalizado o tratamento, está presente. A cura é uma questão de fé, mas digo que depois dessa experiência também farei o que puder para ajudar, assim como fui ajudada.”
Ramon Lisboa/E.M/D.A Press
Dilma Campelo Rio Verde preside a OS (foto: Ramon Lisboa/E.M/D.A Press)

Vale destacar que o voluntariado não implica experiência prévia ou atuação na área de saúde. Quem estiver disposto a dedicar quatro horas semanais ao programa ou a oferecer outro tipo de ajuda (inclusive doações) deve entrar em contato com a entidade. Exemplo vem de Dilma Maria Campelo Rio Verde, professora de português que conheceu a organização social em 2010, ano em que se tornou voluntária. “Conseguimos organizar uma boa equipe de voluntários que nos tem permitido realizar um trabalho social gratificante, que é alertar as mulheres para o autocuidado e a prevenção contra o câncer de mama, orientando-as a fazer regularmente o autoexame, o exame clínico orientado pelo médico e a mamografia.”

Informações
Sites: www.mamamiga.com.br e www.asprecam.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/mamamiga
Instagram: #mamamiga, #setoque
E-mail: contato@mamamiga.com.br


Conheça a ASPRECAM

» O que é: Organização Social (OS) sem fins lucrativos, criada em 1984 e certificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip)

» Objetivos: Prestar serviços à saúde da mulher, com foco no câncer de mama, suscitando o desejo de valorização da vida por meio de cuidado com a saúde das mamas, incluindo ações de prevenção e de apoio a mulheres diagnosticadas com câncer de mama

Projetos

» Busca Ativa: objetiva ajudar a rede básica de saúde no diagnóstico precoce do câncer de mama; coletar dados e monitorar pacientes; mobilizar a sociedade por meio de eventos e divulgar informações em pontos diversos estimulando o autocuidado com a saúde da mama e a prevenção do câncer de mama.

» Rede Pontos de Prevenção: Rede criada em parceria com a Provenza Tecnologia, presente em 240 municípios mineiros, formada por empresas e ou colaboradores que patrocinam a implantação dos Pontos de Prevenção, equipamento constituído por um modelo didático Mamamiga que convida a mulher a simular o autoexame, aprender a detectar as possíveis principais alterações a serem encontradas, bem como receber orientações de como elas devem proceder diante das situações-problema.


» Movimento Mamamiga pela Vida: mote de programas e projetos em torno de produtos e tecnologias sociais que estimulam atitudes de autocuidado e prevenção do câncer na mulher e a promoção da saúde e da qualidade de vida.

» Dedicação: reúne voluntários dispostos a acompanhar mulheres diagnosticadas com câncer de mama em consultas, fornecendo orientação qualificada sobre a adaptação ao tratamento, indicando caminhos que facilitem acesso aos benefícios sociais e jurídicos, além de dar acolhimento psicossocial e motivacional.

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