No Dia dos Pais, contamos histórias de homens que vêm se transformando

Hoje, eles não só dividem a responsabilidade de criação dos filhos com a mãe, como muitos assumem o protagonismo

Lilian Monteiro
O professor de música e sócio-fundador da Melody Maker, Flávio Emanuel, de 51 anos, compartilha com o filho, Kevin Emmanuel, de 16, a paixão pela música - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Dia de festa, de homenagem e, por que não, de reflexão. Ao comemorar os pais, vale muito a pena tentar desvendar, ainda que pequenas nuances, de como é esse pai do século 21. Como eles se enxergam? Como os filhos os veem? Com a mudança da estrutura familiar, em que lugar os pais se colocam? E qual papel exercem? Muitas barreiras foram quebradas, e outras milhares se apresentam.

Se antigamente o pai era visto como coadjuvante, aquele que fecunda o óvulo, espera ansiosamente no corredor da maternidade enquanto ocorre o parto e tem a obrigação de ser o provedor, hoje há uma revolução e ele não só divide a importância com a mãe, como muitos assumem o protagonismo. Com prazer.

Óbvio que ainda há estruturas clássicas, mas a paternidade mudou. Cada vez mais na sociedade o pai se faz presente e atuante na criação dos filhos. Os papéis se multiplicaram. Alguns por imposição dos novos tempos, mas muitos por desejo, por vontade e por “brigarem” com as mães pelo direito de participar mais.
Todos sabemos da dificuldade das “leoas” em ceder espaço.

E como todo começo de relação, ajustes precisam ser feitos. O aprendizado é constante e diário. Há aqueles filhos que seguem o que sentenciou o poeta Renato Russo: “Você me diz que seus pais não te entendem/mas você não entende seus pais/você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo/são crianças como você/o que você vai ser/quando você crescer”. E seguem o desejo de repetir a educação e a formação que herdaram. Confirmam o que cantou o ícone Elis Regina: “Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Já outros são taxativos e gritam que farão o oposto, não repetirão os pais.

PAIZÃO E DURÃO

A verdade é que não só os afazeres do dia a dia se transformaram, a divisão de tarefas (ir na reunião da escola, levar ao balé, trocar fralda, brincar na pracinha), mas hoje os pais parecem assumir uma figura de super-herói mais próxima dos rebentos. Se antes eles eram a autoridade máxima, o que ajuda e corrige, agora estão mais por perto no sentido de expor mais o carinho, ser mais amigos, enfim, de participar mais, de forma igual. O que também não pode ser confundido com permissividade, sem impor regras e limites. É possível sim ser paizão e durão na medida. Filhos seguem exemplos, nem sempre os conselhos. E num mundo moderno em que a fragilidade dos laços humanos é tão presente, em que as relações se condensam em laços frágeis e volúveis, como retratou Zigmunt Bauman, nada como criar raízes de amor, carinho, cumplicidade, respeito, ensinamento, correções e aprendizado na construção da vida entre o pai e o filho.


Neste dia especial, buscamos histórias de pais que, acima de tudo, criam cumplicidade com seus filhos. Fazem questão de estar por perto, são participativos, gostam de orientar e assumem com orgulho essa nova identidade. O professor de música e sócio-fundador da Melody Maker, Flávio Emanuel, de 51 anos, faz parte desse grupo. Ele é o pai presente, que acompanha todas as necessidades do filho Kevin Emmanuel, de 16, que aliás é um multi-instrumentista, que começou a tocar bateria aos 2 anos, aos 6 dominava guitarra e violino, e aos 16 é professor de música. E o desejo de ser pai também veio atrelado ao grande medo de Flávio: trocar a fralda. “Dizia que não iria fazer, mas a primeira fui eu quem trocou e ele fez xixi na minha cara. A partir desse batismo, quis garantir que o banho era minha prioridade e assim sempre foi.”

Claro que não é tudo maravilha, não é nada fácil, há degraus, mas já existe o movimento e a ação de mudança, o que é bem importante e muito legal. No universo on-line, há muitos sites, blogs e canal no YouTube criados e feitos de pais para pais (e por que não com as mães juntas, às vezes elas estão por lá!) para falar, compartilhar, discutir, tirar dúvidas, dar dicas, revelar os apertos e as conquistas sobre o quão rica, preciosa e fundamental é essa relação.

Então, feliz Dia dos Pais! Ainda que, como muitas das datas comemorativas, no Brasil essa tenha tido origem comercial, em 1953. Diferente dos EUA, por incrível que pareça, onde ela foi instituída pela primeira vez em 19 de junho de 1910, numa homenagem de Sonora Louis Dodd ao pai, William Jackson Smart, veterano da Guerra Civil, que depois da morte da mulher criou os filhos sozinho.
O dia 19 era a data de nascimento dele. O gesto mobilizou as pessoas e o país (foi alterada para o terceiro domingo de junho). Mas, no final, o que interessa é que todos abracem esse dia como um momento especial de reconhecimento ao herói de muitos.

Presença que faz diferença
Duas famílias com parcerias diferentes que têm como marca a cumplicidade entre pai e filhos. Convivência é exemplo de um amor incondicional, com afeto e hierarquia

Kevin Emmanuel, de 16 anos, com o pai, Flávio Emanuel, de 51: os dois têm uma sintonia fina - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressColo de pai. É diferente né? Sei lá, parece mais forte, mais alto, mais seguro... (Mães, nada de ciúmes, vocês são vocês, incríveis e incomparáveis!) E hoje, no Dia dos Pais, duas parcerias sensacionais nos fazem comprovar o quanto eles são importantes na vida dos filhos, ainda mais quando decidem jogar juntos e misturados. São da cepa dos que não aceitam ser coadjuvantes, vão além de uma divisão de tarefas ou parceria eventual. O professor de música e sócio-fundador da Melody Maker, Flávio Emanuel, de 51 anos, e o filho único Kevin Emmanuel, de 16, têm uma sintonia fina.

Kevin declara que a relação dos dois transborda amor. “Sempre o vejo como ídolo e inspiração. E sempre o tive presente na minha vida. Eu o admiro e é incrível ele incentivar minha carreira musical. Ele diz que a música é a arte de fazer amigos.”

Mas Kevin faz questão de enfatizar que essa cumplicidade vai além das notas musicais. “Meu pai é bem aberto e não tenho nada a reclamar. Nosso compromisso é sermos claros e transparentes para dar e receber confiança. Gosto muito disso. Temos laços afetivos, além da autoridade, porque ele sabe cobrar.”

A maneira que Flávio fala de Kevin contagia e deixa transparente a cumplicidade entre eles. “Todo pai leva filho na escola e para em fila dupla, tripla para não ter trabalho. Eu fazia questão de parar longe para, de mãos dadas, irmos andando e conversando. Na porta do colégio – ele estudou na Fundação Torino – tem uma escadaria, o caminho mais rápido, e a rampa, mais longo. Kevin sempre falava, ‘pai, pela rampa’. E ele nunca teve vergonha de se despedir de mim, até hoje abraça, beija e todos os seus colegas admiram isso”, conta.

UNIVERSO MUSICAL

Para Flávio, o filho é uma mistura dele e da mulher, Alcione. “A educação do nosso filho é tarefa dos dois, por isso Kevin é um pouco de cada. Procuro sempre estar presente em todas as suas atividades. A música nos aproxima, ele pode estar fazendo qualquer coisa ou mesmo no celular, TV, internet, computador, que larga tudo para ir tocar comigo ou me ensinar. Acho graça porque sou professor de música há 38 anos. Inglês, a família faz junta, aí ele está 20 passos na minha frente. Acredito que pai tem de participar, receber os amigos dos filhos, saber quem são e faço parte da turma. No entanto, como professor, ofereço aos meus alunos afeto, mas deixo claro que existe uma hierarquia e digo até onde podem ir. E isso se aplica ao Kevin como filho: quem decide, quem dá ordem são os pais.”

Com demonstração de tanto carinho, Flávio revela como é sua relação com seu pai, Dirceu, de 80. Bem distinta da construída com Kevin. “É diferente. Meu pai se dedicava ao trabalho, foi criado de forma dura, e não desenvolveu o hábito do abraço, do beijo e do afago. Ao me tornar adulto, quis me aproximar mais dele e passei a abraçá-lo e ele ficava resistente. Hoje, já se acostumou. No telefone, quando falo beijo para o senhor. Ele responde ‘tá’. Todos achamos graça. Às vezes, com o Kevin me despeço ‘amo você’, e ele responde ‘tá’, lembrando o avô.”

CASA NA ÁRVORE, SKATE E BUGGY

O engenheiro civil Alexandre Novais, de 53, pai de Lucas, de 13, e Gabriela, de 11, cria sozinho os filhos desde bem pequenos. O sonho de formar uma família tradicional, por circunstâncias da vida, foi interrompido. Mas esse trio tem se saído muito bem. No começo não foi fácil, o aprendizado é diário, mas a força que os une faz a vida seguir seu caminho com carinho, afeto e, como Alexandre conta, “todos apegados”.

Alexandre tem cumprido a missão mais rica da sua vida. Ele conta com a ajuda de babás e a avó também já o socorreu. Quanto à ausência da mãe, apesar de preocupá-lo, ele afirma que “é impossível fazer o papel dela, mas faço o meu melhor. A Gabriela é carinhosa, me dá uns 50 beijos por dia, me abraça e tem facilidade de demonstrar carinho. O Lucas é mais fechado, introspectivo e o pressiono para sempre estar perto de mim, para participar, me aproximar e para saber que estarei sempre presente quando precisar.”

Pai de Gabriela e Lucas, Alexandre Novais curte cada momento na companhia dos filhos - Foto: Leandro Couri/EM/D.A Press
O universo encantado dos três está no sítio da família. “Ainda viajo muito por causa do trabalho, mas os fins de semana são dedicados a eles, estamos sempre juntos. É quando paro com as cobranças e regras do dia a dia, como olhar dever de casa e cobrar o banho, e é o nosso tempo de diversão e liberdade. Também temos um sítio, onde desenvolvemos nosso contato. Fizemos juntos uma casa na árvore, eles ajudaram com a madeira, com a pintura...” A parceria desse trio é recheada de adrenalina e descobertas. Alexandre é companhia de Gabriela na hora de andar de skate e, com Lucas, a diversão é lidar com a mecânica do buggy, que garante mais alegria no sítio.

Alexandre revela que não teve um pai presente, era muito voltado para o trabalho, então, se esforça para fazer diferente. “Senti falta da presença dele na minha vida, o que me levou a aprender tudo na rua, inclusive coisas ruins. Faço de tudo para estar ao lado dos meus filhos para que tenham segurança e abertura de vir a mim em todos os momentos.”

Mesmo mais quieto e tímido, Lucas se solta ao falar de Alexandre. “Ele é um pai legal em todos os aspectos. Se faço algo errado ele chama minha atenção, mas eu entendo. Gosto muito de ir para o sítio, ainda mais quando ele pede minha ajuda para consertar, trocar, arrumar alguma coisa. É um pai em que confio e sei que, se tiver qualquer necessidade, posso contar com ele.” Gabriela, que já escreveu cartas do Dia dos Pais em inglês e português para o pai (a próxima pode ser em espanhol, língua que começou a estudar agora), lembra que, “só às vezes ele dá bronca, e mais por causa da escola. Gosto muito dele e não tenho nada a reclamar, é nota 10 em tudo”.

Enquanto isso...
...A ciência comprova

Homens, sejam pais! Aconselha a ciência. Pesquisadores da Universidade de Bar-Ilan, em Israel, comprovaram que os números de conexões neurais aumentam com a chegada de um filho. O estudo apontou ainda o aumento dos níveis de ocitocina no organismo deles. A substância é conhecida como “hormônio do amor”, produzido nas mulheres durante a gestação e amamentação. Nos homens, a ocitocina os deixa mais amáveis e generosos, reduzindo a agressividade e, por consequência o estresse e a ansiedade. A psicóloga Lia Clerot explica que essas mudanças ocorrem para dar a eles a capacidade de criar e educar um novo ser. “Os dados da pesquisa revelaram que, quanto mais tempo em contato com o filho, maior são essas alterações. Outra mudança é o senso de responsabilidade que esse novo pai adquire, não só de provimento financeiro, mas de ajudar seus filhos a se tornarem adultos saudáveis e felizes e se prepararem para a vida madura. Os pais começam a se preocupar em tornar-se referência para sua prole.” Outro benefício da paternidade está ligada à vida profissional. Estudo publicado pela Academy of Management Perspectives revelou que pais envolvidos diretamente na criação dos filhos se mostraram mais satisfeitos com seus empregos. Já o Instituto de Pesquisa em Políticas Públicas no Reino Unido fez levantamento com 17 mil pessoas e verificou que homens com filhos têm salários 22% maior. O corpo também agradece. A saúde física se beneficia da rotina de descontração, brincadeiras ao ar livre e que faça a pessoa se mexer. Com a preocupação de estar sempre presente, os papais tendem a cuidar melhor da sua saúde, se alimentando melhor, dormindo bem, cuidando da higiene pessoal e do lar e fazendo visitas de rotina ao médico.

A busca de um lugar
Especialistas analisam o novo momento que os homens vivem ao reivindicar, assumir e buscar maior participação como pais. Superando barreiras, vivem processo de aprendizado

Mudou! E tem mudado! O pai do século 21 não é mais o pai dos anos 1950, 1960. A estrutura familiar é outra, a mulher está no mercado de trabalho e, por opção ou não, o papel do homem é outro. Ele quer participar integralmente e não só dividir. A psicóloga Daniela Bittar, especializada na reestruturação familiar com a chegada dos filhos e coordenadora do setor de psicologia do Instituto Nascer, afirma que “a mulher continua com suas mesmas questões, o puerpério é uma fase difícil, perversa, de perda de identidade e de referência, e ela ainda tem de dar conta do trabalho. E o papel do homem é cuidar da mulher porque o choque vem daí. O homem ainda tenta entender seu papel. E todos têm de saber que a relação não é de dois (mãe e filho), mas de três ou mais”.

"Cabe à mulher deixar o homem entrar (com o papel de pai) do jeito dele" - Daniela Bittar, psicóloga - Foto: Arquivo PessoalA mãe, muitas vezes, critica, impede e inibe a participação do pai. Daniela Bittar alerta que “cabe à mulher incentivar e deixar o homem entrar (com o papel de pai) do jeito dele. Ela precisa saber que há outras formas de fazer, a do homem. E da forma que ele dá conta. Ele quer aprender, mas a mulher não deixa, reclama e ele se recolhe”.

Daniela Bittar lembra que, ao tomar a decisão de formar uma família juntos, o casal deve saber que “tudo vem da união e pertence a nós. A casa não é minha, o filho não é meu exclusivamente, o fazer comida é porque temos fome, limpeza é para o bem-estar de todos, a educação é nossa responsabilidade. Portanto, não existe divisão, e sim conhecimento de que precisamos cuidar do que estamos construindo”.

A psicóloga enfatiza que a relação do filho com a mãe é visceral e o pai precisa conquistá-la. “Por isso, digo sempre que a gravidez do homem é o puerpério da mulher, já que ele só entende o que é ser pai quando o filho nasce.”

SEGURANÇA

Para Daniela Bittar, não há escapatória. Somos como nossos pais. No entanto, “os homens de hoje entenderam que para criar vínculo com o filho é fundamental o contato. E que para o afeto existir é necessário passar tempo com ele”. Ainda mais essencial, avisa a psicóloga, é que a construção, a base dessa relação começa na primeira infância. E o contato maior com a criança pequena é o cuidado. Ou seja, alimentar, pôr para dormir, trocar a fralda, assim se cria o vínculo afetuoso. É o pai vivendo a situação da vida do filho com ele, e não só enxergando, sem participar. Agora, eles se misturam.

Daniela Bittar explica que há uma transição. “Os pais de hoje tentam achar um lugar de mais presença afetuosa, carinhosa e participativa. Eles tentam buscar, não aceitam mais ficar de fora, de escanteio, mas ainda não são aceitos e não sabem, já que a mulher é instintiva e educativa, afinal, a maioria ganhou uma boneca de presente. Eles não aprenderam. Acredito que a próxima geração estará mais apta a saber o que fazer para se tornar pai.”

Quanto aos filhos que receberão todo esse contato, Daniela Bittar alerta que só sabemos para onde vamos se souber de onde viemos. “Com os pais fortes, presentes e participativos, o filho terá segurança máxima para prosperar. A ausência do pai sempre será como a falta de uma perna. Com ele, é confiança plena.”

Pai, acesse lá:

1) https://www.facebook.com/canalserpai

2) https://semchoro.com.br

3) www.soupaisolteiro.com.br

O desejo de cuidar

O histórico arraigado de pai que carrega a figura de provedor fica cada vez mais no passado. Renata Feldman, psicóloga e psicoterapeuta humanista com foco nas relações afetivas, revela que percebe em seu consultório que o pai contemporâneo não quer mais o sustento familiar, mas prover o afeto que virá com a participação.

"Vejo o homem com uma postura de amar ser pai" - Renata Feldman, psicóloga e psicoterapeuta - Foto: Cris Albuquerque/DivulgaçãoRenata Feldman enfatiza que a mãe anda tão sobrecarregada, esgotada e ocupada que clama pela ajuda do pai, apesar da dificuldade que algumas têm de delegar. A psicóloga lembra do filósofo francês e teórico da hipermodernidade Gilles Lipovetsky, que gerou polêmica ao falar “sobre a relação do poder da mulher como mãe, que não dá conta de delegar porque, apesar de tudo, é uma relação de controle, de poder. Daí, critica demais o pai. Se ele vai dar banho, fala do vento, da janela aberta... É preciso ter cuidado para não tolher”.

A psicóloga lembra que, infelizmente, há situações em que a participação do pai ocorre “a partir de um processo de separação, até mesmo pela paternidade idealizada que não teve. Assim, aos trancos e barrancos, de forma obrigatória e mesmo nos casos da guarda compartilhada, o pai vai aprender seu papel”.

Mas os tempos são outros. Renata Feldman afirma que “vejo pais cada vez mais paizões, ainda que persistam as reclamações femininas. No entanto, vejo o homem com uma postura de amar ser pai, dizendo que ama exercitar esse papel. Ou seja, vai muito além do ‘ter que’, mas sim por puro prazer, emoção e alegria de pôr a mão na massa, de fazer as coisas junto com os filhos”.

REGALIAS

Renata Feldman levanta outra questão que, entre tantos papéis, é o da mãe “chata”, já que naturalmente ela foca mais atenção, o que é até cultural. Cobrar o banho, o horário de dormir... Ônus que também deve ser dividido, já que o pai fica com a regalia, o privilégio de ser o camarada, quem joga videogame, solta pipa, enfim, com a parte boa demais. “Os pais precisam assumir essa outra demanda e, na verdade, eles querem e gostam também de criar essa cumplicidade. Escuto de muitos ‘eu quero cuidar’”, afirma.

A psicóloga se lembra da frase que virou jargão e mote publicitário “não basta ser pai, tem de participar”. “Antes, era uma esfera racional, mais cultural, marcada por essa divisão da mulher responsável pela rotina de casa e o pai trabalhando, até uma cobrança do movimento feminista. Percebo que a esfera mudou e é emocional e afetiva, de o pai querer estar mais próximo. Agora, é de coração, o desejo de entrar no universo do filho. Mais na prática do que no discurso. Não há mais necessidade de dizer essa frase, que ficou gasta.” Para Renata Feldman, os pais estão descobrindo “a necessidade de entrar no mundo dos filhos, antes havia um hiato. Agora, a mistura tem dado certo”.

Por outro lado, Renata Feldman pede atenção com essa aproximação, já que afeto tem fronteira tênue com a hierarquia. “Pai amigo, tudo bem. Agora, pai não é amigo do filho. Não é brother. Os pais alcançam a participação afetiva e efetiva, mas não podem perder de vista que a missão é educar e não pode faltar respeito. Ter autoridade para colocar limites, assumir o lugar de pai para o bem do filho sabendo que o amor entre eles é fonte inesgotável.” Ela alerta ainda sobre a inclusão da tecnologia nesta relação, “que tanto aproxima quanto afasta e, de repente, depois de passos tão importantes e recentes, pode se tornar um entrave. É preciso cuidado”..

Dicas de filmes:
Selecionamos alguns filmes para pais e filhos curtirem juntos. Há para todos os gostos e estilos. Nessas histórias há pai herói, o contador de histórias, o que protege, o que atravessa um oceano para encontrar o filho, o que cuida do rebento sozinho, o que vive o sonho e incentiva os filhos desde pequenos, o que faz de tudo para ficar do lado do filho e muito mais!

1) Meu pai, meu herói

2) Querida, encolhi as crianças

3)
Peixe grande e suas histórias maravilhosas

4) A Vida é bela

5) 2 filhos de Francisco

6) Procurando Nemo

7)
À procura da felicidade

8) Uma babá quase perfeita

9) Uma lição de amor

10) O rei leão

11) Gonzaga, de pai pra filho.