Com sua imponência, os cavalos são grandes aliados na superação de traumas

Terapeutas e profissionais de coaching usam os cavalos como instrumentos de análise e também para ajudar as pessoas em tratamentos ou para alcançar o autoconhecimento

Minervino Junior/CB/D.A Press
Domar um cavalo em um redondel pode ser um dos passos para se tornar líder no trabalho (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Aposta-se que eles galopam sobre a Terra há cerca de 50 milhões de anos. Até hoje, porém, os cavalos são vistos por muita gente apenas como animais de competição ou como peças-chaves na rotina das fazendas. Apesar do grande porte, no entanto, podem ser criaturas dóceis que, a partir do convívio com o homem, desenvolvem algumas características que contribuem para o bem-estar e a qualidade de vida de quem tem contato com eles. Na cidade grande, eles não são parceiros de labuta, mas podem ser instrumentos para alcançar o autoconhecimento e promover uma reflexão profunda de si mesmo. Terapeutas e coachings estão usando os cavalos como alternativas para que as pessoas fujam dos tradicionais consultórios e descubram, ao ar livre, emoções, medos e traumas escondidos que precisam ser trabalhados.

Mas, por que colocar isso em prática com o auxílio de cavalos? Parece estranho, mas especialistas têm a resposta na ponta da língua. Médica-veterinária e especialista em equinos, Bruna Patrícia Siqueira explica que os animais são selecionados para esse fim pela personalidade. Estudos comprovam que, assim como os humanos, os cavalos utilizam músculos do nariz, dos olhos e dos lábios para alterar suas expressões faciais diante de diferentes situações. Além disso, por serem animais sensitivos, captam com facilidade as emoções de quem dita seus movimentos. E é justamente nesse momento que se cria o vínculo entre o bicho e o ser humano.

LINGUAGEM CORPORAL

A morfologia e a andadura do animal também atendem à necessidade individual de cada praticante, transformando o processo terapêutico, ao lado deles, em algo único para quem o experimenta. Assim, esses quadrúpedes funcionariam como um espelho, refletindo as questões internas de quem está buscando respostas para dramas pessoais. “O principal meio de comunicação com o cavalo é pela linguagem corporal, o que estreita ainda mais a relação homem versus cavalo. Eles são animais com capacidade de distinguir expressões faciais e emoções transmitidas pelos humanos”, completa a veterinária.

Para Thailyne Gazzetta, psicóloga cognitivo-comportamental, todo processo de terapia com equinos pode ser ineficaz caso não haja harmonia de sentimentos entre o cavalo e quem o conduz, um aprendizado que é levado em conta não só no redondel (arena de treinos), mas também em relações interpessoais. “É preciso estar bem consigo mesmo para transmitir isso ao animal e também às pessoas com quem se convive. Se você subir no cavalo nervoso, também vai deixá-lo assim. Precisamos nos ajustar uns aos outros, e esse ensinamento vale para a vida.”

Liderança e autoconfiança
Estímulos que os animais proporcionam aos humanos ajudam na inserção ou na reinserção social, além de promover a sensação de bem-estar que muitos procuram no seu dia a dia


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Para conquistar a confiança no trabalho sem usar autoridade, Wilson contou com os cavalos do coach Alexandre (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

As terapias com cavalos podem melhorar, além da autoestima, a autoconfiança, o autocontrole e a autonomia. Os estímulos cognitivo e psicomotor que os animais proporcionam aos humanos ajudam na inserção ou na reinserção social, e trazem a sensação de bem-estar que muitos procuram alcançar no dia a dia. O resultado seria, então, completar o tratamento de depressão, transtorno pós-traumático, autismo e redução do estresse.

Em Brasília, é possível algumas opções dessas terapias. A Sociedade Hípica de Brasília e a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), por exemplo, disponibilizam tratamentos com cavalos adestrados que visam ao bem-estar físico ou emocional dos homens. Trabalhar a liderança, a autoconfiança e o espírito de competição estão entre os objetivos de algumas pessoas que procuram os métodos. Equipes treinadas põem em ação atividades e dinâmicas que fazem com que os alunos sintam na pele experiências e sentimentos com os animais que também podem ser vivenciados com seus iguais, diariamente, em diferentes ocasiões.

HABILIDADES

Quando se pensa em desenvolver habilidades de liderança, nem de longe passa pela cabeça da maioria das pessoas a ideia de utilizar um cavalo para atingir tal meta. Mas, para quem é apaixonado pelo animal, como é o caso do coordenador e consultor do programa de Liderança Natural Alexandre Ronald, enxerga-se nessa relação a oportunidade de aprender a lidar com as adversidades e as diferenças que surgem no ambiente profissional.

O coaching funciona assim: quem ocupa ou anseia um cargo de prestígio, e quer desenvolver atributos de liderança, pode contar com o cavalo para aflorar pontos positivos e atenuar os negativos que precisam ser lapidados ao longo desse caminho. O objetivo é treinar os alunos para conquistar a liderança do grupo na vida real, usando o cavalo como agente do processo. São dois seres totalmente diferentes, mas com um ponto em comum: a vida em sociedade.

É uma sequência de fases que, primeiramente, envolve uma palestra para que os interessados reconheçam os atributos do líder natural e entendam o porquê da participação do animal. Em um segundo momento, é feito um trabalho de habituação e apresentação aos cavalos. Então, todas as atividades vivenciadas estão relacionadas à impressão que cada um passa ao bicho. A tese é de que a maneira como ele reage à primeira aproximação do participante seria a mesma tida pelas pessoas que convivem com o participante.

Em seguida, são feitos exercícios individuais e em grupo, simultaneamente, em um mesmo ambiente. O aluno entra no redondel acompanhado do coach e de um cavalo, para executar o passo a passo da pirâmide de liderança - baseada em aspectos sentimentais, corporais e mentais, como confiança, energia e ética. Enquanto isso, os demais ficam do lado de fora, observando os sinais corporais e emocionais tanto do líder quanto do cavalo. É o que a psicologia chama de “carona”, ou seja, tirar proveito da experiência do outro para analisar a própria maneira de pensar e agir.

A última fase do curso está baseada na formação de um líder desenvolvedor, já conectado ao cavalo. São realizados alguns exercícios de delegação, nos quais o líder passa comandos ao animal, simulando uma interação profissional. “A pessoa pode ser um líder natural e, mesmo que não tenha consciência, acaba colocando isso em prática de forma espontânea. Alguns precisam conhecer esses atributos e treinar. Sempre que estabelecemos um relacionamento positivo, temos um processo de liderança ali dentro”, diz Alexandre.

RELAÇÃO DE RESPEITO

Fato é que os cavalos percebem os atributos de um chefe a partir de atitudes emocionais e motoras dele, e reagem: se o aluno preenche todos os requisitos, o animal o reconhece como líder. Quando isso ocorre, uma relação de respeito é estabelecida entre os dois. Caso contrário, o cavalo apresenta comportamentos ansiosos, de fuga e de total desinteresse por quem quer tomar as rédeas da situação. “Quando o exercício dá certo, o animal muda o comportamento e começa a te seguir. Esse é o lado bonito de todo o processo”, completa o domador.

O advogado Wilson Seabra, de 30 anos, procurou o programa com o objetivo de conquistar a confiança dos colegas de trabalho sem precisar impor autoridade. Com a vontade de ter uma empresa, quis experimentar as aulas para ver o que poderia melhorar em si mesmo. Wilson conta que, em sua primeira sessão, ao se deparar com algo novo, a agitada égua Zimbra já deu sinais de que algo estava errado: “Notei que eu estava ansioso, dando comandos de forma explosiva e ela não me obedecia. Fiquei curioso em conhecer mais e percebi que tudo era questão de tempo”. As sessões acabaram superando as expectativas do advogado, que se concentrou em melhorar seus impulsos emocionais.

Em contato com os cavalos, Wilson aprendeu que, apesar de urgente, todos os assuntos podem ser tratados de maneira mais adequada, a seu tempo. Os benefícios do coaching também foram sentidos fora do redondel. O profissional passa a confiar mais em si mesmo e nos outros quando o assunto é delegar funções. “Foi muito bom trabalhar com cavalos. É uma energia muito prazerosa”, afirma o advogado.

O coach Alexandre Ronald explica que Wilson tinha necessidade de calibrar seus atributos à personalidade do outro e, para isso, durante o processo, foram utilizados diferentes cavalos que simulam distintas relações profissionais. Entre os mais calmos e os mais agitados, todos tiveram seu momento de participar das dinâmicas, que ajudaram o advogado a reconhecer, nesse contato com o bicho, como ele, na verdade, se relaciona com os humanos.

PALAVRA DE ESPECIALISTA
• José Geraldo Nunes - Subtenente da Polícia Militar de Minas Gerais e coordenador do Centro de Equoterapia

Movimento transmite mais de 2.500 estímulos

“Meu maior número de inscritos tem paralisia cerebral. Para começar, a pessoa passa por uma avaliação clínica com profissionais da psicologia, fisioterapia e ortopedia. As sessões duram, em média, 40 minutos, 10 deles para aproximação do animal e os outros 30, já com o praticante montado nele. Além do animal, são utilizados recursos visuais e arborização. Então, o que seria feito em uma clínica, é feito montando em um equino, o que estimula mais o paciente, pois a movimentação do cavalo é semelhante ao andar humano, transmitindo mais de 2.500 estímulos. Isso proporciona boa recuperação e capacitação maior do que ocorreria em muitas clínicas de fisioterapia. Um cadeirante, por exemplo, tem o cavalo como substituto do movimento das pernas e o corpo recebe muito bem essa movimentação, contribuindo também para a reinserção do indivíduo na sociedade. Aquela criança com autismo, em seu mundo, interage com o cavalo e com os profissionais. Quando percebemos, o laço já está feito, cria-se afetividade, vai além do atendimento clínico. Sem falar na reabilitação da postura, no caso da pessoa com paralisia cerebral. Recebo crianças que, no início, são flexíveis e, depois de dois meses, já apresentam firmeza muscular. Os benefícios são diversos: atendemos a 37 patologias diferentes.”

Fora dos consultórios
Projeto adota sistema de imersão e usa a criatividade e inovação para desenvolver competências individuais e profissionais, como afetividade, foco e trabalho em equipe


Arquivo Pessoal
Para Denita, se é fácil interagir com os animais, também é com humanos (foto: Arquivo Pessoal)

Nem sempre o consultório é a melhor alternativa para os que vivem impasses e desejam enfrentar medos e inseguranças. Há seis meses em Brasília, o projeto Brasil Equus Coaching surgiu com o objetivo de proporcionar autoconhecimento e desenvolver competências individuais e profissionais, como afetividade, foco, autoconfiança e capacidade de trabalhar em equipe. O programa funciona em sistema de imersão e usa a comunicação (criatividade e inovação) e as dinâmicas com os cavalos.

Os participantes começam as atividades respondendo a um questionário sobre as expectativas, as necessidades e as metas que cada um tem para o curso. Assim, são elaboradas as dinâmicas a serem aplicadas individualmente. “Em alguns momentos, abordamos temas como mudanças e transformações. Algumas atividades são feitas em cima do cavalo, mas podem ocorrer também na sala de aula. O importante é que são sempre exercícios elaborados para o perfil de cada pessoa”, explica a jornalista Fernanda Lambach, uma das facilitadoras.

Animais de diferentes personalidades são apresentados aos participantes, que os analisam por um tempo. É um exercício básico de reconhecimento não só do bicho, mas de si mesmo: as características deles que mais chamam a atenção de cada indivíduo são justamente aquelas que fazem parte da índole daquela pessoa. Para ter um melhor resultado, coaches recomendam a entrega total nesse contato com o cavalo. Dessa forma, será possível vivenciar algo único e de extremo conhecimento pessoal.

Segundo Andreia Prata, outra idealizadora do projeto, uma das atividades que mais emocionam os alunos é quando se propõe que cada um escolha um cavalo com um comportamento que o represente atualmente. Logo em seguida, é lançado novo desafio: o de eleger outro animal, mas, dessa vez, um com características físicas e pessoais que a pessoa gostaria de ter no futuro. Após a escolha, os participantes são convidados a conduzir os cavalos, que reagem às emoções pessoais atiçadas pela dinâmica. “É um momento muito importante, pois a pessoa nota que o cavalo que ela deseja ser, normalmente, é mais difícil de ser conduzido”, afirma.

COMUNICAÇÃO

A paixão por cavalos, desde menina, incentivou a bancária Denita Gomes, de 38 anos, a experimentar essa modalidade de terapia: o autoconhecimento com o auxílio de equinos. Denita nunca se sentiu segura quando o assunto era se comunicar e viu na proposta a oportunidade de se conhecer melhor e explorar a assertividade. Tanto montada, ou não, no cavalo, foi possível constatar que o animal possibilita uma forma simples de comunicação. “Ele é objetivo e permite a conexão com nossas atitudes.” O aprendizado, segundo ela, será inesquecível: “Se é tão fácil interagir com os animais, não deve ser tão difícil a comunicação com os seres humanos, já que os dois têm tanto em comum. Ambos vivem em grupo e têm um líder”, analisa.

Foco na vitória

Mesmo montando por 20 anos, a atleta Flávia Mello, de 41, começou a se sentir insegura em cima do cavalo. Ansiedade e nervosismo tomaram conta da amazona e tornaram as competições cada vez mais difíceis. Certa de sua paixão pelo hipismo, ela procurou ajuda no coaching de autoconhecimento e viu ali uma saída para suas dificuldades. Depois de superar os medos, a atleta se sentiu impelida a ajudar outros esportistas que vivenciam o mesmo problema.

Assim, ela desenvolveu o coaching mental de performance, que usa os cavalos para preparar emocionalmente ex, atuais e futuros atletas que se sentem amedrontados com a prática do esporte. O foco acaba sendo o público adolescente por dois motivos: além de novatos no esporte, estão em uma fase em que vivem tudo com muita intensidade. Outro público-alvo são atletas mais velhos que já não sentem confiança por medo de se machucar ou de não serem aceitos entre os mais jovens.

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Maria Clara, Bruna, Alyssa e Luiza: jovens atletas superam as tensões do esporte em coaching conduzido por Flávia (ao centro) e comemoram cada avanço conquistado (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Durante as aulas, Flávia utiliza, entre outras coisas, técnicas de psicologia esportiva, com o objetivo de fazer um treinamento de força mental para alcançar a autoperformance no hipismo. A coach explica que, durante as competições, nossas emoções são transmitidas ao animal e, em alguns momentos, os alunos ficam tensos e não conseguem executar a prova. “O nervosismo é importante porque nos motiva e nos torna mais ativos. É uma reação normal e precisamos usá-la a nosso favor.”

Nos encontros conduzidos por ela, busca-se a ressignificação de alguns aspectos da tensão, própria das disputas esportivas. Para isso, são usadas técnicas de visualização: o aluno pensa no que precisa ser feito - respiração e ancoragem -, esquece o que está ao seu redor e se foca na atividade. Exercícios que podem ser realizados durante as provas e em outros momentos da vida. “As pessoas trazem respostas em relação aos seus medos e os resultados são muito bons.” Para os jovens atletas, as técnicas reforçam o empoderamento em cima do cavalo. Alyssa Zaban, de 17, Luiza Alvares, de 16, Maria Clara Kramer, de 15, e Bruna Boghossian, de 17, acreditam que estar juntas durante as aulas as motiva a continuar montando e lutando contra as inseguranças. Alyssa, por exemplo, sempre teve uma paixão por esses animais e, quando convenceu a mãe a deixá-la montar, foi surpreendida por não se sentir confiante durante as competições. “Decidi fazer o coaching porque fico muito nervosa e vejo que isso atrapalha meu desempenho. Faço os exercícios também em casa e em outros momentos da minha vida, como antes das provas de hipismo.” Segundo a jovem, as aulas mudaram não só o jeito como ela enxerga o cavalo, mas também a maneira de montá-lo e a forma como se sente em cima dele. Um bom começo para alcançar o sonho de se tornar uma atleta reconhecida.

Já para Bruna, o hipismo veio de forma natural, uma vez que sua família sempre teve uma relação especial com os cavalos. “Comecei o coaching porque estava com medo de pular os obstáculos durante as provas. Acredito que tenho melhorado bastante.” A adolescente pratica o esporte apenas como hobby e afirma que os exercícios têm ajudado não só na sua relação de confiança com o cavalo, mas também com a vida. Luiza e Maria Clara também sentem diariamente os benefícios do papel terapêutico dos cavalos. “Faz muita diferença na hora de focar nas dinâmicas”, comenta Luiza.

Da quadra de areia para a vida

Talvez a equoterapia seja a modalidade mais conhecida de parceria com cavalos para trazer benefícios ao ser humano. O método utiliza o animal dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde e educação, na busca por desenvolver o lado motor e psicossocial das pessoas com necessidades especiais. Segundo Alessandra Ottoni, fisioterapeuta da clínica FisioTrauma e especialista em trauma de ortopedia, o método pode ser uma boa indicação para os que sofrem de patologias como paralisia cerebral, síndrome de Down, autismo, sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) e até mesmo pós-traumatismo craniano. “As sessões duram em torno de 30 minutos e são indicadas até duas vezes por semana, tempo necessário para que a pessoa receba mais de 2,2 mil estímulos ao sistema nervoso central”, comenta.

A educadora física Kariny Barreira Massouh trabalha há cinco anos com a equoterapia na Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil). Ela explica que o benefício do tratamento está no movimento tridimensional – impulso para todos os lados, incluindo frente, costas, em cima e embaixo – realizado pelo cavalo a cada passada. Assim, se a pessoa estiver no centro de gravidade do animal, ela recebe esse movimento, que, além de promover ajustes tônicos, estimula a atenção e reforça a autoestima.

Minervino Junior/CB/D.A Press
Com paralisia cerebral, Pâmela encontrou nos cavalos um belo remédio (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
“Quando fazemos uma criança com síndrome de Down que sofre de hipotonia muscular montar, ela recebe esses ajustes por meia hora, contraindo e relaxando os músculos, além de melhorar a qualidade dos mesmos.” Os progressos são notados diariamente, quando ela passa a realizar atividades com mais facilidade, o que contribui diretamente para o seu bem-estar.

A pequena Pâmela Cordeiro convive com as limitações causadas por uma paralisia cerebral e, desde os 7 anos, tem o cavalo como terapeuta. A mãe, Ana Paula Cordeiro, de 44, conta que a ideia de procurar a equoterapia surgiu a partir da busca por métodos que ajudassem a filha a desenvolver equilíbrio – devido à deficiência, a menina não conseguia nem sequer ficar sentada. Com a aprovação de um fisioterapeuta, a pequena, que tinha medo do cavalo, hoje, aos 11, além de amar o animal, consegue se comunicar com os outros, tem mais confiança e amor-próprio. “Com o decorrer do tempo, Pâmela adquiriu mutismo seletivo e começou a desenvolver a fala.”

Para a fisioterapeuta e acupunturista Andrea Lannes, o progresso de Pâmela está relacionado à passada do cavalo, que tem um movimento semelhante ao dos humanos. Durante o processo, a caminhada do animal substitui a do paciente e são acionadas musculaturas profundas, além de inúmeros ligamentos que contribuem para o equilíbrio. “Há um ganho de fortalecimento e de tônus muscular, melhora a concentração, a coordenação motora e a percepção no espaço”, explica a especialista. * Estagiárias sob a supervisão da subeditora Flávia Duarte

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