A história tem repercutido não apenas pelo valor da indenização – mais de 50 milhões em reais -, mas por sinalizar que é possível mudar para melhor o atendimento às gestantes e a forma como se recebe os bebês no mundo. Caroline Malatesta já era mãe de três meninas quando vislumbrou a chance de uma assistência humanizada ao parto de seu quarto filho. Para isso, ela procurou um centro de referência nesse modelo de atendimento que prioriza a fisiologia natural do trabalho de parto, que respeita o tempo da mãe e o tempo da criança, em que a mulher é a protagonista do trabalho de parto, em que o contato pele a pele entre mãe e bebê seja estimulado na primeira hora de vida da criança, que a amamentação aconteça logo depois do nascimento e que não se pratique intervenções desnecessárias como a episiotomia (corte que se faz entre a vagina e o ânus).
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Reportagem publicada da Cosmopolitan conta que a gestante foi contida à força pelas enfermeiras e imobilizada. Além disso, teve seu períneo cortado para, supostamente, facilitar a saída do bebê. No entanto, desde a década de 70, estudos clínicos começaram a questionar o uso rotineiro da episiotomia.
Hoje, já se sabe não apenas da inexistência de evidências científicas que comprovem a eficácia desse corte, mas também dos riscos que essa prática expõe às mulheres: dor perineal, edema, maior risco de infecção, hematoma e dispareunia (dor na relação sexual). Por isso, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de restringir o uso da técnica para que as taxas não ultrapassem os 10%. No Brasil, ela ainda é feita rotineiramente. A pesquisa ‘Nascer no Brasil’, divulgada em junho de 2014, revelou que 53,5% das mulheres que têm seus bebês via vaginal são submetidas à episiotomia.
Em entrevistas concedidas à imprensa norte-americana, Caroline Malatesta afirma que sua “vida sexual se foi” e que ela tem frequentemente ataques de pânico. Por isso, ela resolveu processar o hospital. Um ano depois do nascimento de seu quarto filho, a sentença saiu. A maior parte do valor da indenização de U$ 16 milhões foi relacionada às lesões que lhe causaram dores pélvicas por meses e exigiram tratamento médico. A norte-americana ficou de cama e precisava passar horas por dia dentro de uma banheira para aliviar o desconforto.