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Amostras de sangue também podem ajudar avaliar alterações de um câncer

Pesquisa foi apresentada na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica

AFP
Amostras de sangue podem ser tão eficazes quanto biópsias de tecidos invasivas para monitorar o câncer, e podem ajudar os médicos a prescreverem tratamentos mais adequados, segundo um estudo divulgado neste sábado, 4.

Costuma-se usar biópsias de tumores para avaliar as alterações no DNA de um câncer, mas as amostras de sangue também podem ser utilizadas com este objetivo, afirmam os autores do estudo, apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

Os avanços recentes da medicina estão permitindo que o câncer seja estudado pela corrente sanguínea, onde as células tumorais lançam pedaços pequenos, porém detectáveis, do seu DNA, afirmam os pesquisadores.

Através da avaliação desse DNA, os médicos podem "monitorar mudanças no câncer à medida que ele evolui, o que pode ser decisivo quando os pacientes e médicos estão discutindo opções de tratamento para controlar o tumor", de acordo com o estudo.

As amostras de sangue permitem que os médicos façam isso sem recorrer a uma biópsia cirúrgica do tumor, disseram os pesquisadores no estudo, um dos maiores já realizados sobre a genômica do câncer.

"Estes resultados sugerem que a análise do DNA do tumor espalhado no sangue do paciente, também conhecida como biópsia líquida, pode ser uma alternativa altamente informativa e minimamente invasiva quando uma biópsia do tecido é insuficiente para determinar o genótipo ou não pode ser feita com segurança", disse Philip Mack, diretor de farmacologia molecular na Universidade da Califórnia Davis Comprehensive Cancer Center, durante a apresentação do estudo.

Além disso, como as alterações genéticas no DNA do câncer ocorrem antes mesmo do crescimento do tumor se tornar evidente em uma análise, as amostras de sangue podem ajudar os profissionais de saúde a ajustarem o tratamento de um paciente mais cedo, segundo a pesquisa.

Os exames de sangue também podem fornecer uma amostra mais ampla do DNA de um tumor, uma vez que a biópsia de tecido é feita a partir de apenas uma parte do tumor.

"Ter uma opção confiável além da biópsia do tumor pode ter um grande impacto na nossa capacidade de selecionar o tratamento certo para o paciente certo", disse Sumanta Kumar Pal, oncologista do centro de câncer City of Hope, na Califórnia, que não participou da pesquisa.

"O fato de que as mutações genômicas variam não só de paciente para paciente, mas também ao longo do tempo, tem sido um desafio constante no tratamento do câncer, especialmente na era da medicina de precisão", disse.

O estudo foi realizado com amostras de sangue de mais de 15.000 pacientes e 50 tipos de tumores.
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