Sexo é um tema universal e atemporal, mas para a especialista o cenário atual inclui novas transformações e novas questões. Um exemplo são as relações sexuais e amorosas favorecidas pelas redes sociais e aplicativos, que ganharam um capítulo próprio no livro. “Isso é dos últimos tempos. As pessoas têm, hoje, relacionamentos favorecidos pela internet, configurando um novo modo de viver as relações amorosas. Há, claro, prós e contras nesse comportamento. O que sugiro às pessoas que me perguntam sobre como lidar com isso é cautela: é importante não se expor demais e ver até onde essa prática não vai ferir a pessoa emocional ou fisicamente”, alerta Laura.
DIFICULDADES
Os homens adultos, por exemplo, perguntam muito sobre as dificuldades sexuais masculinas – de ereção, ejaculação e desejo – e as mulheres adultas querem saber das dificuldades em obter o orgasmo, dor na penetração e também sobre desejo sexual. Além disso, elas se preocupam com a educação dos filhos. “Querem entender a melhor forma de orientá-los na infância e na pré-adolescência”, comenta Laura. Segundo a especialista, o público jovem está mais interessado na iniciação sexual, como evitar e lidar com uma gravidez fora de hora, como evitar e lidar com a descoberta de uma doença sexualmente transmissível (DST) e a prática do sexo em si, incluindo aí o afeto, o prazer e a diversidade sexual.
Se as dúvidas variam, a dificuldade de abordar o problema é perceptível em qualquer faixa etária. Segundo Laura, a origem dessa vergonha está em uma longa história de repressão sexual. “No século 18, até o 19, o sexo só era permitido com fins reprodutivos. Qualquer prática que não fosse a penetração vaginal era considerada anormal. Sexo oral, anal e entre pessoas do mesmo sexo, portanto, não eram aceitos. Foi aí que nasceram as inibições e o mito de que há algo de errado na homossexualidade, o que é uma bobagem, pois, na realidade, é só a forma como a pessoa sente desejo”, explica. Mas a especialista vê uma mudança nas últimas décadas. “As pessoas estão mais abertas, estão mostrando a cara, levantando a mão e perguntando. Ainda é tabu, mas está melhorando. Por outro lado, vai demorar muito tempo para as pessoas ficarem totalmente à vontade. Se ficarem”, sugere.