Saúde

Amamentação e trabalho é tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno

Belo Horizonte terá dois eventos neste fim de semana para debater o assunto

Gabriella Pacheco


Apesar de a legislatura brasileira garantir algum tipo de direito às mães de recém-nascidos que trabalham - como a licença maternidade - muitas mulheres acreditam que, na prática, muito ainda deve ser feito. A Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), que começa com dois eventos em Belo Horizonte neste fim de semana, enfocará temas que evidenciam as dificuldades que essas mães trabalhadoras enfrentam em sua rotina na expectativa de incentivar um discurso de mudança na sociedade.


Atualmente, as mulheres têm direito por lei a um período que varia entre quatro a seis meses de licença maternidade. Em órgãos públicos, o afastamento acontece por seis meses, enquanto na maioria das empresas privadas, funcionárias têm apenas quatro meses para acompanhar seus bebês recém-nascidos. O governo garante também um incentivo fiscal para empresas que optem por estender o período para um semestre.

Uma vez de volta ao trabalho, essas mulheres também têm o direito, durante 15 dias, a duas pausas de 30 minutos por expediente para fazer a coleta do leite ou amamentar seus bebês. No entanto, falta, na maioria delas, um espaço propício para qualquer uma das alternativas. "Não existe o espaço nas empresas, nem órgãos que fiscalizem isso. Não tem-se hoje uma regulamentação que dê um espaço para a mulher amamentar, o que é muito difícil. Não tem uma sala, com cadeira e privacidade. Muitas mães param de amamentar por causa dessa falta de apoio", destaca Gabrielle Faria, organizadora do grupo Gestar e do A Hora do Mamaço, que acontece neste sábado, às 9h30, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

Além disso, empresas com mais de 30 mulheres deveriam ter creches. Caso elas não tenham o espaço, a lei diz que elas devem ter uma conveniada. "Mas na realidade isso não acontece", ressalta Cleonice Liboreiro Ferrari, enfermeira obstetra e presidente da Sociedade Mineira de Aleitamento Materno, que organiza a 24ª Campanha de Aleitamento Materno em BH, que terá um mamaço neste domingo, às 10h, na Praça JK.

As dificuldades apontadas por mulheres, que encontram dificuldade em amamentar os filhos no primeiro quadrimestre de vida, tem levado a um esforço popular na ampliação da licença maternidade para mães do setor privado assim como do público. "Não é impossível trabalhar e amamentar, mas a mulher depende de apoio. Em casa, ela pode fazer seu próprio horário e dar uma amamentação completa e perfeita para o filho. No trabalho, não", pontua Gabrielle. "A OMS diz que a alimentação nos primeiros seis meses de vida deve ser feita exclusivamente com leite materno. Então por que a mãe tem que voltar ao trabalho após quatro meses?", questiona. Além de direitos iguais para todas as mães trabalhadoras, uma outra exigência é a extensão da licença paternidade para um mês. "Cinco dias não é o suficiente para o pai dar apoio à mãe", afirma.



Um grave problema decorrente das dificuldades enfrentadas pelas mães é o desmame precoce. O estímulo para a produção de leite pela mama é a sucção ou retirada. Quando o estímulo não acontece, a tendência é a queda na produção. Para quem não tem a opção de fazer a ordenha no trabalho, seja por falta de espaço apropriado para retirada ou conservação, a tendência muitas vezes é de descarte do leite. "Se ela não se organizar em casa, ela terá dificuldades. Não só essa, mas uma série de situações causam o desmame precoce, especialmente a falta de informação", diz Cleonice.

Apesar das recomendações da OMS de manter o aleitamento materno exclusivo por seis meses, a média brasileira está muito aquém a isso. Cinquenta e quatro dias é a média brasileira de aleitamento materno exclusivo. Estima-se que a amamentação pode evitar 13% das mortes de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo, além de diminuir os riscos de alergias e doenças respiratórias, evitar a desnutrição e a obesidade infantil. Conheça outras vantagens do aleitamento materno:

- Mortalidade infantil: o aleitamento materno pode evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo.
- Evita diarreia: crianças não amamentadas têm um risco três vezes maior de desidratarem e de morrerem por diarreia quando comparadas com as amamentadas
- Evita infecção respiratória: a proteção é maior quando a amamentação é exclusiva nos primeiros seis meses
- Diminui os riscos de alergia: a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca, de dermatite atópica e de outros tipos de alergias, incluindo asma e sibilos recorrentes
- Diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes: o aleitamento materno apresenta benefícios em longo prazo
- Reduz a chance de obesidade: indivíduos amamentados tiveram uma chance 22% menor de vir a apresentar sobrepeso/obesidade
- Melhor nutrição: o leite materno contém todos os nutrientes essenciais
para o crescimento e o desenvolvimento das crianças
- Efeito positivo na inteligência: crianças amamentadas apresentam vantagem
nesse aspecto quando comparadas com as não amamentadas
- Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: o exercício que a criança faz para retirar o leite da mama é fundamental para o alinhamento correto dos dentes e uma boa oclusão dentária
- Proteção contra câncer de mama: Estima-se que o risco de contrair a doença diminua 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação.
- Evita nova gravidez: A amamentação é um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto com 98% de eficácia
- Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho: a amamentação é uma forma muito especial de comunicação entre a mãe e o bebê e uma oportunidade de a criança aprender muito cedo a se comunicar com afeto e confiança.
- Melhor qualidade de vida: crianças amamentadas adoecem menos (FONTE: Ministério da Saúde)

Serviço:
A Hora do Mamaço
Sábado, às 9h30, na praça da Liberdade

24a Campanha de Aleitamento Materno
Domingo, das 10h às 12h, na praça JK, Av. Bandeirantes, 1799, Sion