Apesar de ser uma opção no Brasil desde 2010, o CoreAlign é uma atividade física pouco conhecida. Muita gente também associa o método com o pilates, já que as modalidades são oferecidas geralmente dentro de um mesmo espaço em um estúdio ou em academia. No entanto, uma não tem nada a ver com a outra. Criado pelo fisioterapeuta sul-africano Jonathan Hoffman, os movimentos do CoreAlign são realizados em cima de um único aparelho que oferece mais de 200 opções de exercícios. “É mais funcional, o aluno passa 90% da aula em pé. O método simula movimentos de esporte como esqui, kind surf, snowboard e windsurf”, explica a fisioterapeuta Maria Cristina Meira Passos.
O grau de dificuldade do exercício é outro fator que aumenta o desafio do CoreAlign. Há alguns níveis em que o aluno está apoiado apenas em uma mão e um pé deslizando sobre o aparelho sem perder o equilíbrio ou a força de sustentação. Como os movimentos são de fluxo rápido, rítmicos e de equilíbrio, é um desafio não só para os grandes grupos musculares, mas também para a parte cardiorrespiratória. “A técnica pode ainda aliviar dores e corrigir problemas posturais, promover a reabilitação ou o condicionamento físico. Muitas pessoas, inclusive atletas, praticam o CoreAlign como método fisioterápico para se recuperar de lesões ósseas, musculares e outras”, afirma Patrícia Padrão, fisioterapeuta e diretora da clínica Fisiomais.
'Tem quatro meses que me matriculei e sinto os músculos das pernas muito mais definidos e a dor que eu sentia sumiu' - Michelli Subtil A administradora Michelli Subtil, 36 anos, decidiu que, por causa da idade, estava na hora de encarar uma atividade física e dar adeus ao sedentarismo. Começou com o pilates, mas incluiu em seguida o CoreAlign na sua rotina de atividade física que é de cinco vezes por semana. “Não gosto de musculação, sempre tive muita agonia dessa coisa ‘tem que malhar, levantar peso’”, diz. Além de uma dor lombar contínua, ela buscava fortalecimento muscular. “Tem quatro meses que me matriculei e sinto os músculos das pernas muito mais definidos e a dor que eu sentia sumiu”, relata.
Uma surpresa. Como imaginar passar uma hora em cima de um único aparelho e não sentir tédio? No Brasil, as aulas de CoreAlign são individuais. Lá fora, existem estúdios exclusivos que possibilitam a prática coletiva da atividade física. Uma hora voa e, no dia seguinte, os grupos musculares sentem o esforço da primeira vez. É uma ‘dor gostosa’ de quem se mexeu, sacudiu a poeira e dedicou atenção ao próprio corpo.
De longe, de perto ou em cima, dá um medo de levar um tombo do aparelho, de não conseguir se equilibrar nos carrinhos que deslizam - na teoria - segundo o comando do aluno ou aluna. Nem sempre é assim. Em alguns exercícios, principalmente os que não têm o apoio das mãos, precisa de muita força – mesmo se a carga estiver leve – para não deixar que os carrinhos corram soltos.
A professora prometeu uma aula divertida e dinâmica. Verdade. Tanto que a fotógrafa que fazia o registro para o ‘Manual do Iniciante’ confessou ao final do trabalho: ‘dá muita vontade de experimentar’. Além disso, o CoreAlign é um aparelho que não permite displicência, precisa de concentração para se movimentar com segurança e eficiência. Quem gosta de suar e de sentir o coração bater mais rápido pode acreditar que é possível.
A ressalva fica por conta da prática individual que encarece a modalidade em comparação com tantas outras oferecidas no mercado de atividades físicas. Por outro lado, para quem pode pagar cerca de R$ 55 por aula vale a pena experimentar. Quanto vale a segurança de ter um profissional qualificado e atento aos movimentos do aluno?