A Sardenha, região autônoma da Itália formada por 377 municÃpios, tem percentual de habitantes que passaram dos 100 anos três vezes maior do que no restante do globoBem no meio do Mediterrâneo, fica o paraíso dos centenários. A Sardenha, região autônoma da Itália formada por 377 municípios, é a campeã mundial de longevidade, com um percentual de habitantes que passaram dos 100 anos três vezes maior do que no restante do globo. Genética e hábitos saudáveis já foram apontados como principais componentes desse que é um dos mais bem guardados segredos italianos. Agora, uma equipe de pesquisadores encontrou mais uma explicação: por trás de tantos anos de vida, está um largo sorriso no rosto.
“Já que o principal objetivo dos gerontologistas é promover a saúde física e mental na idade avançada, na nossa opinião é crucial investigar os fatores que influenciam a qualidade de vida entre os mais velhos, especialmente entre os muito mais velhos porque, com o aumento da longevidade, está cada vez mais comum passar dos 75 anos”, diz Maria Chiara Fastame, pesquisadora da Universidade de Cagliari, na Itália, e principal autora do estudo. Para o trabalho, publicado na revista Applied research in qualifity of life, a psiquiatra e o colega Paul Hitchcott, da Universidade de Southampton Solent, na Inglaterra, percorreram cidades e vilas da Sardenha fazendo testes com seus habitantes mais experientes. A fim de estabelecer comparações, os cientistas também recrutaram participantes no norte da Itália.
Ao todo, foram realizadas entrevistas com 191 nativos de Sassari, Bargagia e Ogliastra, na ilha mediterrânea, e de vilas rurais da Lombardia. Todos tinham entre 60 e 99 anos e estavam mentalmente saudáveis. “Fizemos diversos testes para medir o estado mental e a capacidade cognitiva dessas pessoas”, conta Fastame. Ela lembra que Bargagia e Ogliastra foram escolhidas pela alta prevalência de centenários. Um estudo anterior da pesquisadora também havia indicado que, nessas localidades da Sardenha, os moradores exibem níveis de bem-estar psicológico muito maior do que os registrados no norte italiano.
Mais abertos e meticulosos “A maior parte das pesquisas sobre os mais velhos entre os idosos do mundo se foca em fatores de saúde, mas, mais do que pressão arterial e níveis de açúcar no sangue, o bem-estar mental dos centenários são fortes indicativos de sobrevivência. A personalidade determina a forma como reagimos ao estresse e às mudanças diárias e, por isso, se seremos tão felizes na velhice como fomos na juventude. Centenários saudáveis têm mente mais aberta e meticulosa. Ao mesmo tempo, personalidades neuróticas estão associadas a uma saúde mais pobre. Entender a saúde nesses termos tem muitas implicações para a qualidade de vida.”
Leonard Poon, diretor do Instituto de Gerontologia da Universidade da Geórgia, autor de um estudo sobre os fatores relacionados à longevidade