Enquanto para alguns se tornar vegetariano é um desafio, já que precisam preparar a própria comida, para outros, há a facilidade de contar com uma família inteira adepta da dieta. Esse é o caso da família Riedel, que já está na quinta geração de vegetarianos. A segunda geração é a do advogado Ulisses Riedel, 80 anos, ativista do vegetarianismo. Os irmãos Rogério, 27, e Paulo Fontes, 25, advogados, e a prima Patrícia Resende, 30, nunca comeram carne. Patrícia e as duas irmãs, quando pequenas, sentiam até nojo, pois, desde cedo, os pais delas esclareciam a crueldade que a indústria da carne praticava contra os animais. Hoje, ela tem uma filha de 7 meses, Letícia, a qual pretende criar da mesma forma: “Meu marido não é vegetariano, mas simpatiza com a filosofia. Decidimos que não teria carne aqui em casa e que nossa filha seria criada como eu. Quando tiver idade para decidir se quer continuar assim ou não, vai ter toda a liberdade”.
Paulo admira a disciplina e a força de vontade do irmão: “Eu não consigo dizer que não vou mais comer tal coisa e, simplesmente, parar. Com o ovo, eu consegui parar porque o gosto virou referência de um filme que assisti, mas eu não deixo de comê-lo se está na receita de um bolo ou em uma massa, por exemplo”. A restrição dele, assim como a do irmão, vai além da alimentação: “Nós só usamos cinto de borracha, nunca de couro. Mas é muito difícil encontrar aqui no Brasil.”
PatrÃcia Resende pretende criar a filha, LetÃcia, longe das carnes: 'Quando tiver idade para decidir se quer continuar assim ou não, vai ter toda a liberdade' A preocupação deles é com o sofrimento pelo qual a indústria faz os animais passarem. Eles não concordam com a forma como são tratados e lamentam a cultura da carne cultivada no Brasil. O preconceito ainda existe. Quando criança, Rogério passou por uma situação muito desagradável em uma visita a um colega de escola. Certa de que a opção por não comer carne não passava de um capricho, a mãe do colega e dona da casa escondeu pedaços de carne no meio da comida de Rogério. “Ela perguntou se estava gostoso e eu não seria mal-educado de dizer que não, então, ela começou a gargalhar e confessou que havia carne ali”, lamenta.
Viajado, Paulo compara as condições do vegetariano aqui e em outros países: “Em qualquer outro país, é muito mais fácil. Até na África do Sul, um lugar economicamente inferior ao Brasil, tinha opções vegetarianas e veganas em todo restaurante que eu ia”. O irmão, Rogério, critica: “O negócio é que aqui 3% do PIB nacional vem da indústria da carne”.