Saúde

Saiba mais sobre os atletas mineiros de kickboxing e conheça a história do esporte

Apesar de resultados expressivos e conquistas internacionais, lutadores têm dificuldade em encontrar patrocínio

Letícia Orlandi

Alisson busca apoio para disputar o mundial na Turquia em novembro
Em sua página pessoal no Facebook, Alisson de Angellis resume o currículo impressionante: campeão Mineiro, Brasileiro, da Copa do Brasil, Sulamericano e Panamericano, Campeão da Copa do Mundo de Kickboxing. E completa: “falta o título de Campeão Mundial no meu currículo. Estou classificado para defender a Seleção Brasileira no Campeonato Mundial que acontece em outubro, na Turquia. Mas ainda estou sem patrocínio...”, revelando a realidade de boa parte dos atletas de kickboxing brasileiros.


Segundo o Mestre Ely, ainda que sejam integrantes da seleção que representa o país em competições internacionais, o apoio aos lutadores tupiniquins é escasso. Tanto que Alisson recorreu ao crowdfunding para viabilizar sua participação na competição. Se você quiser ajudar, é só clicar aqui: www.vakinha.com.br

Thiago Michel, que integra a lista oficial de campeões do Conselho Mundial de Boxe (WBC/MUAY THAI) e do Sherdog – maior site do mundo sobre Artes Marciais Mistas (MMA) e detém o cinturão K1 Rules/Wako, além de ser o melhor atleta striker da categoria 75kg e atual tricampeão da Copa do Mundo, etapa Brasil, e do Pan-Americano de Kickboxing, aponta alguma melhora. “Os atletas já encontram, em Belo Horizonte, condições para treinar e fazer a preparação para as competições, sem precisar deixar a família. Mas as grandes competições brasileiras ainda estão concentradas no eixo Rio-SP”, indica o atleta.

Na Ely Kickboxing, além de Alisson e Thiago, os competidores Rafael ‘Spin’ Araújo, Breno Teixeira Álvares, Juliano Gonçalves e Jéssia Kaelly Soares contam com acompanhamento de um preparador físico e de uma nutricionista.

Thiago Michel: atletas de elite já têm estrutura para treinar em BH, mas falta patrocínio
Para as meninas, a situação é ainda mais precária. Até recentemente, muitas lutas femininas eram vencidas por W.O., ou seja, quando o adversário não aparece. “No último campeonato, o cenário mudou. Houve dois dias com mais de 20 lutas femininas”, conta o mestre, responsável pelos treinos dos profissionais.

O cenário brasileiro do kickboxing profissional ainda é, portanto, de atletas de elite sem patrocínio, como acontece em vários outros esportes. Enquanto isso, os alunos têm a chance de ter aulas com alguns dos melhores lutadores nacionais da atualidade, que mantém vivo o sonho de ter a luta como a profissão.

História
O kickboxing aproxima-se mais de uma luta de contato moderna do que de uma arte marcial, daí a ausência dos rituais típicos das lutas orientais. Ainda assim, os atletas seguem graduação semelhante a de outras modalidades, iniciando na faixa branca e chegando à preta.

Há duas vertentes para explicar sua origem. A primeira dá conta de que o esporte surgiu na década de 70, nos Estados Unidos, com praticantes de Karate. Essa modalidade inicial recebeu o nome de ‘Karatê Full Contact’ e depois, distanciando-se da arte marcial japonesa, passou a ser conhecido apenas como Full Contact.

O brasileiro Paulo Zorello, tricampeão mundial
Na outra vertente, o Kickboxing aparece como um esporte de combate criado no Japão pelo empresário de Lutas Osamu Noguchi, em 1950, com o objetivo de ser uma alternativa ao Muay Thai ou Boxe tailandês. Em 1966, Noguchi fundou a “Japan Kickboxing Association”.

Controvérsias à parte, a World Association of Kickboxing Organization (Wako https://www.wakoweb.com/en/), fundada em 1976, é a maior representação do esporte, com sede em mais de 135 países e núcleo administrativo na cidade italiana de Monza. Em 1978, em Berlim, foi realizado aquele que é considerado pela Wako o primeiro campeonato mundial do esporte, ainda chamado de full contact karate.

Alguns dos nomes mais importantes da origem do kickboxing americano são Mike Anderson, George Bruckner, Bill Wallace, Dominique Valera, Jeff Smith, Joe Corley e a lenda Benny Urquidez, além do Brasileiro Paulo Zorello, presidente da Confederação Brasileira de Kickboxing e tricampeão mundial (clique aqui para assistir a algumas da principais lutas de Zorello).



No vídeo abaixo (em inglês), o próprio Benny ‘The Jet’ Urquidez afirma que o kickboxing nasceu em 1975:




E nestas cenas, ele demonstra toda sua habilidade dramática no simpático filme ‘Dragões para Sempre’ (1988), com o astro chinês Jachie Chan:



Modalidades
De acordo com a Confederação Brasileira, hoje o kickboxing se divide em seis modalidades:

Semi Contact: combate de técnicas controladas e paradas, sendo os golpes definidos ponto a ponto.
Light Contact: combate de técnicas controladas e contínuas, onde os atletas visam tocar o maior número de vezes seu oponente, com a máxima velocidade e o mínimo de potência. Não é válido nocaute.
Full Contact: atletas podem utilizar técnicas de mão do boxe tradicional e todos os tipos de chutes que atinjam o adversário da cintura para cima, observando a linha lateral e frontal do tronco e cabeça.
Low Kicks: mesmas definições de técnicas do Full Contact, mas acrescenta chutes que atinjam as pernas do adversário, interna e externamente, obedecendo à linha do joelho para cima.
K1 Rules: Modalidade de contato pleno que permite todas as técnicas do KBFC (Full Contact) e do KBLK (Low Kicks), agregando golpes particulares à modalidade, a exemplo de atacar com chutes as pernas e articulações lateralmente, giratória baixa de calcanhar, projeção com a guarda, joelhada e soco giratório.
Musical Forms: considerada a modalidade mais plástica, os atletas coreografam movimentos tradicionais das artes marciais com música, utilizando-se de armas ou não.

A Wako inclui ainda entre as modalidades o Kick Light, com técnicas bem controladas e funcionando como um estágio intermediário entre o Semi e o Full Contact.