Orelha

por 21/02/2015 00:13
Morena Brengola/Getty Images
None (foto: Morena Brengola/Getty Images)
No coração de Lisboa

A literatura do italiano Antonio Tabucchi (1943-2012, foto) encanta pelo poder de síntese, pelo poder de agregar razão e sentimento. Em Réquiem (Cosac e Naify), escrito em português e publicado no Brasil anteriormente pela Editora Rocco, em 2003, esse grande artista faz uma espécie de declaração de amor a Lisboa. Num tórrido domingo, o protagonista da história perambula pelas ruas da capital portuguesa. Nesse percurso, ele revisita o passado e tenta cumprir uma missão: encontrar o poeta Fernando Pessoa. Portugal e Pessoa eram duas fixações, duas paixões de Tabucchi, que ambientou outro de seus principais livros, Afirma Pereira, em terras lusitanas.

A poesia de Secchin

O membro da Academia Brasileira de Letras Antônio Carlos Secchin (foto) irá apresentar um recital poético com a obra de Carlos Drummond de Andrade no dia 25, às 19h, na Academia Mineira de Letras. A apresentação faz parte do projeto da AML O Autor na Academia, que convida grandes autores brasileiros para o evento. O repertório do poeta de Itabira abrange desde os textos de grande repercussão até raridades. Secchin assina a concepção, o roteiro e a direção do recital. Em 2005, Secchin conseguiu localizar o que pesquisadores de todo o país acreditavam nem mais existir: um original desaparecido de 25 poemas da Triste alegria, escrito na década de 1920.



Cegueira política

No livro A Europa alemã (Editora Paz e Terra, tradução de Kistina Michahelles), o sociólogo alemão Ulrich Beck, morto em janeiro passado, aos 70 anos, lança um olhar extremamente crítico ao papel de liderança de seu país, tanto político quanto ideológico, na União Europeia, especialmente após 2010, quando a crise na Grécia explodiu. Beck avalia que a austeridade fiscal defendida pela chanceler alemã, Angela Merkel, é uma “cegueira política” e destaca os movimentos que eclodiram em alguns países e a vitória do partido de esquerda Syriza nas últimas eleições na Grécia.

Provérbios, ditados e Drummond

Estão abertas as inscrições para o 9º Concurso Nacional de Contos, promovido pela Academia Mineira de Letras, em parceria com a organização do evento Livro de Graça na Praça. Para esta edição do concurso, os textos devem se relacionar com algum ditado, provérbio ou locução popular à escolha de cada autor. Os três contos vencedores serão anunciados até 15 de maio. Eles serão impressos num livro a ser editado e distribuído durante o evento Livro de Graça na Praça, previsto para setembro. As inscrições podem ser feitas até 30 de abril. . Informações pelo telefone (31) 3222-5764.



Indicação para o Prêmio Nobel

A União Brasileira de Escritores (UBE) volta a indicar o nome do escritor, historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira (foto) para o Prêmio Nobel de Literatura. A indicação, como ocorreu em 2014, atendeu ao convite direto do Comitê do Prêmio Nobel à UBE, entidade sediada em São Paulo, com 1.500 escritores de todo o país.

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Atualmente radicado na cidade alemã de Heidelberg, onde é cônsul honorário do Brasil, Moniz Bandeira é autor de mais de 20 obras, notadamente ensaios políticos, e também é poeta consagrado, com três livros saudados pela crítica: Verticais, de 1956, Retrato e tempo, de 1960, e Poética, de 2009. Suas narrativas são um verdadeiro exercício intelectual aplicado ao conhecimento dos meandros da política exterior não só do Brasil, mas de outros países cujas decisões afetam, para o mal ou para o bem, a vida brasileira.

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