Humor, ternura e poesia

O poeta norte-americano E. E Cummings se dedica ao conto e a pequenas histórias escritas para o neto e a filha. Amor, solidão e a descoberta do mundo são temas abordados por ele

por 27/09/2014 00:13
Guazzelli/reprodução
None (foto: Guazzelli/reprodução )
André di Bernardi Batista Mendes

E. E. Cummings dispensa apresentações. Conhecido como “o poeta dos poetas”, o americano, em 4 contos, mostra um humor refinado, um estilo despojado, repleto da mais pura, da mais alta poesia. Publicado pela primeira vez em 1965, o livro reúne pequenas histórias, contos que o escritor inventou para sua filha, que o conheceu já adulta, e para o neto.

Os textos, deliciosos como algodão-doce, abordam temas universais, familiares, como o amor, a solidão, a dúvida, o nascimento, a descoberta do mundo. E também a descoberta dos caminhos que existem, ou que podem existir.

Cummings tem a delicadeza de uma borboleta e a ternura de um elefante. A amplidão de sua mensagem poética alcança os castelos e o cinza da lua, passando pela simplicidade dos anjos, dos elfos. O poeta assinala: existe um universo – ele pode ser, e é, simplesmente fantástico.

Nesse contexto, surge um homem que só sabe perguntar o porquê das coisas, atrapalhando a paz de todo mundo; surge uma casa solitária que se apaixona por um pássaro, convidando-o a morar dentro dela. No melhor conto, “A menina chamada Eu”, Cummings se diverte e brinca com as palavras, como só sabem brincar os poetas e as crianças no parque. A palavra delícia serve para doces e poemas.
A belíssima edição traz ainda o posfácio do editor George James Firmage, no qual revela o processo de edição dos contos e explica a relação delicada entre o poeta e sua filha. Só quando ela tinha 28 anos Cummings pôde revelar ser seu pai biológico.

Essa pequena pérola nos oferece e nos abre, com sorriso maroto, uma porta de entrada para este autor essencial da literatura mundial. 4 contos é isto: um livro para quem gosta de poesia, para quem gosta de histórias, para quem vivenciou e vivencia as coisas do amor, do companheirismo, do extraordinário que sempre espera nos desvãos, nas curvas de nossa estrada.

O POETA
Edward Estlin Cummings (foto) nasceu em Massachusetts, Estados Unidos, em 1894. É um dos poetas mais consagrados da língua inglesa. Estudou literatura grega na Universidade de Harvard e conheceu autores como Ezra Pound e Gertrude Stein. Estreou com o romance The enormous room (1922). Morou em Paris, onde pintava e escrevia poesia. Seu primeiro livro de poemas, Tulips and chiinneys, foi lançado em 1923. E. E. Cummings morreu em 1962, nos Estados Unidos.

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