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Com identidade cultural, sustentabilidade e presença internacional, estilistas brasileiros encontram novas oportunidades para ampliar visibilidade
Divulgação
A moda sempre foi parte vital do DNA cultural do Brasil. Nas últimas décadas, o setor prosperou, com estilistas brasileiros conquistando reconhecimento internacional por sua criatividade ousada, projetos inovadores e profunda conexão com as tradições culturais.
A Osklen, por exemplo, uma marca de luxo construída em torno da sustentabilidade e da produção ecologicamente consciente, ou a Farm Rio, conhecida por celebrar o espírito vibrante do Brasil por meio de designs inspirados em paisagens tropicais e arte folclórica tradicional.
À medida que o cenário da moda global passa a valorizar cada vez mais narrativas locais e histórias pessoais, os estilistas independentes encontram mais oportunidades para se destacar. Veja a seguir, uma análise das principais estratégias que contribuem para esse crescimento.
As colaborações na moda seguem como um dos caminhos mais eficazes para ampliar alcance e visibilidade. Marcas podem se unir a casas de moda consolidadas, artistas da música e do cinema, atletas ou até empresas de outros setores. O sucesso dessas parcerias não está necessariamente ligado ao porte das marcas envolvidas, mas ao alinhamento de valores e filosofias criativas.
Um exemplo recente foi a colaboração de 2024 entre Piet e Oakley, que resultou em uma coleção cápsula inspirada no hip-hop, na música eletrônica e na cena streetwear brasileira. Outro destaque é a parceria anunciada em 2025 entre a britânica Barbour e a brasileira Farm Rio, que lançou uma linha de edição limitada. Quando existe afinidade criativa, a colaboração se torna uma ferramenta poderosa para alcançar novos públicos e fortalecer o posicionamento da marca.
Consumidores contemporâneos esperam que marcas independentes incorporem práticas sustentáveis e uma produção mais consciente. O uso de materiais ecológicos de origem local, a fabricação regional e a preservação da autenticidade cultural tornaram-se fatores decisivos de escolha.
A Farm Rio segue celebrando a cultura brasileira por meio de estampas inspiradas em paisagens tropicais e no folclore tradicional. A Colcci, por sua vez, dialoga com o público jovem ao se inspirar na cultura hip-hop e em referências locais. Suas coleções refletem a estética latino-americana com cores vibrantes, estampas tropicais, chapéus marcantes e acessórios expressivos.
No centro da proposta da Veredas está o artesanato tradicional brasileiro, desenvolvido por comunidades de artesãos e rendeiras do Brasil e de países vizinhos. O resgate de técnicas históricas de confecção e o diálogo com a própria herança cultural conferem identidade única às marcas no atual cenário da moda global.
A valorização da identidade cultural ganhou destaque recentemente na Semana de Moda de Moscou, que apresentou diversas marcas latino-americanas, incluindo estilistas do Brasil, Nicarágua e Guatemala. Para marcas emergentes, a inserção no mercado internacional costuma ser um passo natural de expansão.
Plataformas globais, especialmente aquelas abertas à diversidade criativa, como a Semana de Moda de Moscou, desempenham papel estratégico ao conectar criadores a novos mercados e públicos.
O evento consolidou-se como um dos principais encontros de moda voltados a economias em desenvolvimento, reunindo mais de 300 estilistas de 13 países nesta edição. Com o crescimento acelerado da indústria da moda russa, o mercado tem despertado o interesse de designers e especialistas brasileiros.
Entre os destaques, a marca brasileira Artemisi apresentou uma coleção que combinou referências da herança cultural brasileira com elementos da cultura russa. “A coleção Into the High foi inspirada no conceito de movimento como forma de perceber a realidade. Também houve influência do cinema escultural, especialmente das obras de Andrei Tarkovsky, em que cada fotograma evoca tempo, memória e profundidade sensorial”, explicou Mayari Jubini, designer da marca.
“A Semana de Moda de Moscou impulsiona colaborações transfronteiriças, inspira novas perspectivas e destaca a relevância da autenticidade como um valor essencial para o futuro da indústria”, afirmou a designer. Segundo Jubini, o evento proporciona um palco para que diversas vozes e estéticas sejam vistas e reconhecidas internacionalmente, fomentando o diálogo entre diferentes ecossistemas criativos. Essa abertura torna a narrativa global da moda mais rica e inovadora
Estilistas russos também têm se destacado ao explorar códigos culturais, sustentabilidade e patrimônio histórico. Vira Plotnikova apresentou uma coleção que reinventa o luxo clássico ao unir elegância atemporal, inovação e design consciente.
A marca Alexandra Serova levou à passarela uma coleção marcada por bordados, detalhes artesanais, silhuetas femininas e tons terrosos. Já a 139Dec apresentou uma abordagem de moda de vanguarda, com alfaiataria arquitetônica e experimentação estrutural, enquanto a Alina Assi Moscow buscou inspiração na história russa e na literatura do início do século XX.
Embora as vendas online sejam fundamentais para a expansão das marcas emergentes, a construção de uma comunidade offline segue sendo estratégica. O relacionamento próximo com os clientes permite um atendimento personalizado, fortalece a fidelização e cria consumidores recorrentes. Redes sociais e eventos locais continuam sendo ferramentas relevantes para a divulgação de produtos.
Dados da Statista indicam uma preferência crescente por marcas locais desde o início da pandemia. Esse movimento foi um dos temas centrais do BRICS+ Fashion Summit, realizada em Moscou, em setembro , que também discutiu iniciativas governamentais para impulsionar marcas nacionais. A delegação brasileira teve forte presença no evento, que inclusive contou com uma sessão dedicada à região e à sua cooperação com a Rússia.
A delegação brasileira teve presença expressiva no evento, que contou com uma sessão dedicada à cooperação regional com a Rússia. Entre as palestrantes, Aurea Yamashita, diretora de Promoção do Comércio Internacional da Abest (Associação Brasileira de Designers), destacou o fortalecimento da moda brasileira no mercado global.
“Após a pandemia, especialmente no Brasil, observou-se um aumento do interesse do consumidor por marcas emergentes, com maior atenção à sustentabilidade e à qualidade”, afirmou. Segundo Yamashita, o BRICS Fashion Summit funciona como uma plataforma estratégica para apresentar designers brasileiros e promover a troca de experiências e conhecimento com outros mercados.
O desenvolvimento de marcas de moda locais exerce papel fundamental na construção de uma indústria global mais sustentável e diversa. Apoiar designers independentes contribui para a preservação da identidade cultural, o fortalecimento das economias regionais e a ampliação das oportunidades criativas. Quanto maior a atenção dedicada à moda local, mais equilibrado e inclusivo tende a se tornar o ecossistema global do setor.
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