Conheça o caminho do buffet Faleiro para se tornar indústria de salgados e refeições congeladas em MG

Fundado na década de 1950, o bufê deu origem a uma indústria no segmento de alimentos congelados prontos para consumo, famosa em todo o país

por Laura Valente 23/12/2018 17:39
Rafael Carrieri/divulgação
Inovação em refeições congeladas (foto: Rafael Carrieri/divulgação)
Quem mora em BH deve conhecer o sobrenome Faleiro. Isso porque a marca deu origem ao primeiro bufê para festas da cidade e, quiçá, do país, nos anos 1952. Tornou-se, então, referência de mercado, numa época em que o serviço de alimentação volante em eventos de locação diversa não existia. É deles a assinatura do bufê da inauguração dos estádios Mineirão, Maracanã (no Rio de Janeiro) e também de Brasília, por exemplo. 

Mais tarde, já na terceira geração, o negócio inovador, que ficou ativo até 2015, deu origem à Indústria Faleiro, maior player no segmento de salgados congelados prontos para consumo de Minas, com atuação também nos estados Rio de Janeiro e São Paulo e entregas para todo o Brasil. Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que a empresa fabrica 150 mil salgados por dia, entregues a uma média de 6 mil pontos de venda todos os meses: lanchonetes, restaurantes, padarias, supermercados e lojas de conveniência, entre outros. 

“A marca Faleiro surgiu com o meu avô, que foi garçom de empreendimentos famosos no mundo inteiro, o Copacabana Palace e a Confeitaria Colombo”, conta Antônio Neto Faleiro, atual administrador do grupo, em sociedade com as duas irmãs. “Naturais de Oliveira, Região Oeste de Minas, ele e minha avó inauguraram o segmento bufê num período em que o próprio conceito do modelo de operação era novidade. O objetivo era fazer eventos para qualquer pessoa e em qualquer lugar estipulado pelo cliente, o que fez sucesso no país todo”, registra.

Rafael Carrieri/divulgação
Antônio Faleiro administra o negócio criado pelo avô há décadas e comemora sucesso (foto: Rafael Carrieri/divulgação)
 
A vocação para oferecer praticidade em serviços de alimentação de qualidade permanece até os dias atuais. Mas Neto lembra que, a partir de 1997, a indústria foi tomando o lugar do bufê. E explica a origem do empreendimento atual. “O negócio começou com encomendas para a Fiat Automóveis, 5 mil salgados por dia, para oferecer lanche aos colaboradores da linha de produção. Dali, o volume cresceu para 6 mil, 7 mil, e acabamos investindo em equipamento de congelamento para garantir flexibilidade à nossa produção – assim não precisávamos entregar produtos frescos, mas, sim, congelados. Logo, a Faleiro Indústria começou a tomar corpo. Hoje, fabricamos 150 mil salgados por dia, somos o principal fornecedor e o principal player desse segmento aqui no estado”, orgulha-se Antônio Neto.

OLHO DO DONO Sucessor do negócio fundado pelo avô, o executivo começou na empresa aos 16 anos. “Passei por todos os setores da empresa, para conhecer a operação como um todo: vendas, departamento pessoal, contabilidade, financeiro.” Com o falecimento do pai (Antônio Filho foi vítima fatal de um assalto), o jovem de 22 anos assumiu a administração. “Ainda eram duas empresas totalmente distintas, a indústria e o bufê. Até que, por um planejamento estratégico, paramos com a operação de bufê, em 2015, porque a indústria dobrava de tamanho a cada ano e é um negócio que traz mais escalabilidade. Além disso, o proprietário de um bufê tem que estar à frente dos negócios e, inclusive, ser presente em festas. Com o movimento da indústria, eu não tinha mais condição de tocar os dois.”

De lá pra cá, a operação só cresce. Neto caracteriza a empresa como de médio porte, com atuação nacional. Todos os anos lançam novidades. “Neste 2018, por exemplo, investimos em um projeto ousado: vender nossos produtos no modelo de autoserviço, ou seja, nas gôndolas dos supermercados, para que as pessoas levem para casa e só aqueçam o alimento.” 
Vale lembrar que alimento, para a Faleiro, é um conceito amplo: salgados prontos congelados (para o consumidor apenas aquecer em casa); pão de queijo, cujo diferencial é ter 44% de queijo, “a maior proporção do mercado”, garante ele; linha inovadora de refeições, que trazem carnes e acompanhamentos na mesma embalagem; a oferta de produtos integrais e também linha exclusiva de sobremesas. “Somos a única empresa a produzir pudim, mousse e brigadeiro de colher congelados que não ficam açucarados e nem perdem a consistência da receita original.” 

LEGADO E DIFERENCIAIS

Com a rotina apertada, comum ao universo empresarial, o executivo afirma que aprendeu com o pai a aceitar os ossos do ofício. “Uma empresa demanda trabalho árduo, muita dedicação ao negócio e a busca constante por estar sempre à frente das inovações”, descreve. 

Ele cita, ainda, o comprometimento, a seriedade e a ideia de que é possível fazer as coisas do jeito certo. “Dá pra crescer e ter uma boa empresa fazendo tudo de acordo com o que deve ser feito, de forma correta e honesta. Meu pai ensinou que o trabalho é muito intenso, que a gente tem que entregar a vida a ele e tentar ser, se não o melhor do segmento, estar entre os melhores.”

Atento às demandas de mercado, o executivo aponta a atualização como busca permanente. Tanto que, rotineiramente, visita feiras fora do país, a fim de pesquisar tendências e avaliar em que medida o mercado brasileiro está à frente ou atrás de outros mercados. Neto também aponta a expertise da equipe como diferencial do negócio. “Temos aqui um time de desenvolvimento muito forte. É por isso que falo com tanto orgulho que temos a maior proporção de queijo no pão de queijo do mercado, linha de refeições totalmente inovadora e produtos exclusivos na linha de sobremesas.”

Entre os diferencias da empresa, ele cita a Faleiro como a primeira indústria brasileira a ter certificação de acordo com o programa Global Markets da GFSI (Global Food Safety Initiative) na linha de pratos prontos, o que a credencia em rastreabilidade e segurança alimentar no mais alto nível de exigência. “Temos até liberação para exportar”, afirma. 

Também a oferta de produtos congelados já prontos é diferenciada. “Toda nossa linha de salgados demanda apenas regenerar (aquecer) e isso, para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, é completamente inovador, pois lá as pessoas ainda fritam os salgados na hora. Com o diferencial, os pontos de venda ganham em padronização de produtos, eliminam a necessidade de mão de obra e tornam-se capazes de comercializar salgados mesmo na hora do almoço. Temos um mix completo de produtos para todos os momentos do dia, desde o café da manhã até o jantar, e para todos os hábitos de consumo”, orgulha-se.

Rafael Carrieri/divulgação
Pudim, mousse e brigadeiro de colher congelados são o destaque da empresa em termos de sobremesas (foto: Rafael Carrieri/divulgação)
 

NÚMEROS E PROJETOS

Faleiro revela que a empresa emprega 203 colaboradores diretos. “Temos operação no Rio e em São Paulo. No restante do país, fazemos entregas, mas não temos um time comercial rodando. Também representamos algumas marcas de terceiros, como o pudim da rede Spoletto, e criamos marcas próprias de refeições para algumas empresas, como a rede de conveniência BR Mania, que tem 1,2 mil lojas no país; a marca de alimentos Carrefour e a de brigadeiro de colher Ladelle (que pertence à Pif Paf Alimentos).” 

Para chegar a números de produção tão robustos, Neto afirma que a união familiar e entre acionistas é imprescindível. “Uma pesquisa afirma que mais de 53% do insucesso das empresas da terceira geração ocorre em função de brigas societárias. Esse não é o nosso caso, pois temos um bom acordo de cotistas, com parâmetros bem estabelecidos, e não há atritos em modelo de operação e de gestão do negócio, mas harmonia entre os sucessores e os acionistas”, revela. 
Aliás, ele aponta um conjunto de fatores para justificar o sucesso do negócio. “Vendemos produtos bons, associados ao dia a dia do brasileiro, nos moldes do que o próprio consumidor faria em casa para o consumo da família. Nossa missão é facilitar a vida das pessoas, entregando alimentos sem conservantes, sem estabilizantes, prontos para o consumo e bons não apenas para o paladar, mas em processo de segurança alimentar e nutrientes.”

Projetos para o futuro? Neto sinaliza novidades já para 2019. E a expectativa de crescer ainda mais: “No ano que vem queremos chegar ao Sul do país e, sucessivamente, aumentar operações em Minas, SP e Rio. Queremos ser o principal player do nosso segmento, referência em nível Brasil e ampliar operações para todos os estados, levando mais comodidade, praticidade e produtos de qualidade para os consumidores.” 

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